Descrição de chapéu Mulher Sogesp

Passada de mãe para filho na gestação, sífilis congênita pode causar microcefalia e problemas renais

Entre 2016 e 2017, casos em gestantes aumentaram 14,7%, segundo Ministério da Saúde

São Paulo

O aumento no número de casos de sífilis entre adultos, gestantes e recém-nascidos nos últimos dez anos acendeu um sinal de alerta entre especialistas da área da saúde. 

Se em 2010 foram notificados 1.249 casos de sífilis adquirida (transmitida em relações sexuais sem uso de preservativo), em 2015 o número subiu para 65.878 casos, segundo dados do Ministério da Saúde.

Profissional de saúde fura dedo de paciente e retira amostra de sangue
Teste é a única forma de se diagnosticar a sífilis, uma vez que parte dos casos são assintomáticos - Sesa

Ao adquirir a bactéria Treponema pallidum, a causadora da sífilis, o indivíduo pode observar o surgimento de uma ferida na região genital em cerca de três semanas após a relação sexual. 

"A ferida cicatriza sozinha e, por um ou dois meses, a paciente não tem queixas", explica a ginecologista Silvana Maria Quintana, segunda-secretária da Sogesp, ao explicar que a infecção se divide entre períodos sintomáticos e assintomáticos.

"Entretanto, a bactéria se espalha no organismo e outras lesões podem aparecer na pele, como manchas nas palmas das mãos, nas plantas dos pés e no corpo como se fosse uma alergia, além de lesões na região genital.”

A permanência da bactéria no organismo e o diagnóstico tardio da doença podem trazer riscos à saúde com o passar dos anos, que vão de problemas cardíacos a articulares. A sífilis também pode comprometer o sistema nervoso central e causar demência.

"Caso esteja grávida, a mulher portadora de sífilis pode abortar ou o feto morrer, além de existir a chance da sífilis congênita, que é quando o bebê nasce com a doença e pode ter uma série de alterações ósseas, na pele e dentárias”, afirma Quintana.

Outras complicações da sífilis congênita, que ocorre quando a gestante transmite a bactéria ao bebê, são a microcefalia, o nascimento prematuro e problemas renais. Entre 2016 e 2017, casos em gestantes aumentaram 14,7%, enquanto a sífilis congênita, 4,7%.

“É fundamental que todas as mulheres façam a sorologia para sífilis antes de engravidar, repitam o exame ao engravidar, durante a gravidez e no momento do parto”, diz a ginecologista.

Os testes para detecção de sífilis estão disponíveis no SUS e o resultado sai em poucos minutos. Para evitar o contágio, o uso de preservativo em relações sexuais é essencial.

A sífilis é curável e seu tratamento consiste na administração de penicilina. 

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