Coronavírus chinês ainda não é emergência internacional de saúde, diz OMS

Após dois dias de reunião, comitê de emergência da organização diz que maior parte dos casos é leve

São Paulo

O Comitê de Emergência da OMS (Organização Mundial da Saúde), após dois dias de reunião, afirmou que, por enquanto, não declarará emergência internacional de saúde pública quanto ao coronavírus chinês

"Ainda é um pouco cedo para considerar uma emergência internacional", diz Didier Houssin, coordenador do comitê de emergência, que, segundo ele, ficou dividido na declaração de emergência. 

A afirmação de que ainda não se trata de uma emergência internacional não significa, segundo especialistas da OMS, que a situação não seja séria. O surto ainda está em evolução e provavelmente não atingiu o ápice.

"É uma emergência na China, mas ainda não se tornou uma emergência global. Pode ainda se torna uma", afirma Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS.

Até sexta (24), há mais de mil casos confirmados de coronavírus chinês no mundo e 41 mortos.

A maioria dos casos e todas as mortes ocorreram na China, mas também há infecções no Japão, Coreia do Sul, Singapura, Tailândia, Estados Unidos, Françã, Vietnã, Taiwan e Nepal. "Estamos cientes de casos reportados em outros países, mas esses ainda estão sob investigação."

O diretor da OMS diz que o coronavírus pode levar à morte (1/4 dos pacientes têm quadros graves), mas que na maioria das pessoas os sintomas são leves.

Segundo os especialistas da entidade da ONU, a maioria dos que morreram tinha outros problemas associados, como hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares. 

"A transmissão ainda parece limitada a ambientes familiares e agentes de saúde. Nesse momento, não há informações sobre transmissão de humanoo para humano fora da China. Mas isso não significa que não vá acontecer", diz Ghebreyesus.​

Pelo que sabe do coronavírus até o momento, uma das formas de prevenção se dá pela higiene básica das mãos. O espalhamento do vírus também pode ser contido ao cobrir a boca e o nariz ao espirrar ou tossir, ao evitar contato com pessoas com sintomas de gripe e com animais de fazenda ou selvagens, e ao cozer carne e ovos antes de comê-los.

Os especialistas, contudo, afirmaram que ainda há diversos pontos desconhecidos quanto ao coronavírus, como origem e facilidade de contágio.​

De acordo com a OMS, a comunidade internacional deve se preocupar em identificar os casos de coronavírus o mais rápido o possível, prevenir a transmissão de pessoa para pessoa, garantir que as pessoas infectadas recebam cuidados apropriados e que haja comunicação adequada com esses indivíduos, para que eles e seus familiares saibam o que fazer. 

Michael Ryan, diretor executivo do programa de emergências de saúde da OMS, afirmou que é necessário cuidado ao se falar da gravidade de uma doença no início de um surto, considerando as constantes mudanças de detecção, agravamento de casos e mortes. "É muito importante que nós nos foquemos nos fatos."

Uma das preocupações do especialista é evitar que pessoas sadias fiquem preocupadas, acessem os sistemas de saúde sem necessidade e os sobrecarreguem.

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