Descrição de chapéu The New York Times

Wuhan é instruída a levar moradores infectados para campos de quarentena em massa

Ainda não está claro se as autoridades locais têm capacidade de oferecer tratamento

Nova York | The New York Times

Uma importante dirigente chinesa ordenou que as autoridades da cidade de Wuhan recolham imediatamente todos os moradores que tenham sido infectados com o novo coronavírus e os coloque em isolamento, quarentena ou em hospitais designados para esse fim.

Sun Chunlan, primeira-ministra assistente da China encarregada de comandar a resposta do governo central à epidemia, disse que investigadores municipais tinham de ir a cada casa, verificar a temperatura de cada morador e entrevistar os contatos mais próximos das pessoas infectadas.

“Estabeleçam um sistema de plantão 24 horas. Em condições de guerra como as atuais não pode haver desertores ou eles estarão para sempre agrilhoados ao pilar histórico da vergonha”, disse Sun.

As autoridades municipais correram para cumprir essas instruções, estabelecendo abrigos de quarentena improvisados esta semana. Mas crescem as preocupações sobre se esses centros, que abrigarão milhares de pessoas em grandes espaços, serão capazes de oferecer cuidado, ainda que básico, aos pacientes, e protegê-los contra o risco de novas infecções.

 

Um bloqueio no acesso à cidade e à maior parte da província em que ela se localiza exacerbou a escassez de suprimentos médicos, kits de exame e leitos de hospital. Muitos moradores, enfermos e desesperados por assistência, foram forçados a ir de hospital em hospital a pé para terminar rejeitados sem que fossem examinados em busca do vírus, quanto menos tratados. Eles tiveram de recorrer a quarentenas em casa, o que traz o risco de difusão do vírus dentro de famílias e nos bairros de Wuhan.

O governo municipal estabeleceu abrigos improvisados em um estádio de esportes, um centro de exposições e um complexo de edifícios. Alguns deles entraram em operação na quinta-feira (6). Os abrigos se destinam aos pacientes do novo coronavírus que apresentem sintomas mais amenos, o governo afirmou.

Quando Sun inspecionou um abrigo estabelecido no estádio de Hongshan, na terça-feira (4), ela enfatizou que qualquer pessoa a ser admitida deveria ser recolhida pelas autoridades, de acordo com o Expresso Moderno, um veículo noticioso. “É preciso cortá-lo na fonte!”, disse Sun. “É preciso ficar atento. Não deixem que passe.”

Fotografias tiradas dentro do estádio mostram fileiras de leitos estreitos separados apenas por carteiras e cadeiras como as usadas em salas de aula. Alguns comentários na mídia social chinesa comparavam as cenas às registradas durante a epidemia de gripe espanhola de 1918.

De acordo com uma postagem amplamente compartilhada na popular rede social Weibo, similar ao Twitter, “as condições são muito precárias” em um centro de exposição convertido em instalação de quarentena. Houve faltas de energia e cobertores elétricos não puderam ser ligados, o usuário do Weibo escreveu, mencionando um parente que havia sido levado para lá e afirmando que as pessoas “tremiam de frio em seu sono”.

Também havia falta de pessoal, a postagem afirmava, e “não se via médicos e enfermeiros anotando os sintomas e distribuindo medicamentos”, além de haver uma “séria escassez” de equipamentos de oxigênio.

The New York Times, tradução de Paulo Migliacci

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