Descrição de chapéu Coronavírus

Doação bilionária do Itaú para combater coronavírus deve ampliar testes e equipamentos no país

Chefes dos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês e o médico Drauzio Varella fazem parte da equipe que vai gerenciar os recursos

São Paulo

A doação de R$ 1 bilhão anunciada pelo Itaú Unibanco deve ser usada em ações para fortalecer o SUS durante a pandemia do novo coronavírus, como a compra de equipamentos de proteção para trabalhadores da saúde e a formação de gabinetes de crise para municípios em dificuldade, e ampliar a capacidade de testes de diagnóstico no país.

Em uma entrevista coletiva transmitida pela internet na manhã desta segunda (13), Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, apresentou médicos e especialistas em saúde que serão responsáveis por decidir sobre a alocação do dinheiro.

"Acreditar que uma instituição vai ficar bem em um país que vai mal é um engano. A primeira responsabilidade é arrumar a própria casa, onde podemos florescer", afirmou Bracher.

O lucro líquido do Itaú Unibanco foi de R$ 28,4 bilhões em 2019, alta de 10,2% em relação a 2018. Só no quarto trimestre do ano passado os ganhos do banco somaram R$ 7,3 bilhões.

Segundo Bracher, os recursos doados virão do balanço do banco e não gozam de benefícios fiscais, assim como qualquer outra despesa da instituição.

Com autonomia para tomar as decisões sobre o gasto, o grupo participa da iniciativa de forma voluntária sob a liderança do médico Paulo Chapchap, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês. O projeto recebeu o nome de Todos pela Saúde.

Fazem parte da equipe Drauzio Varella, médico oncologista e colunista da Folha, Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Pedro Barbosa, diretor-presidente do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), ligado à Fiocruz, Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa, Maurício Ceschin, ex-diretor-presidente da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), e o especialista em saúde pública Eugênio Vilaça Mendes.

“A lógica de testagem significa nossa capacidade de acompanhar o comportamento da pandemia e monitorar a perspectiva de saída [da quarentena] e retorno à normalidade”, disse Barbosa, do IBMP. “A análise dos resultados vai precisar de uma melhor estrutura no país para dar as respostas de que precisamos."

Existem dois tipos de testes para detectar a infecção pelo novo coronavírus. Os testes rápidos detectam a presença de anticorpos contra o vírus no sangue da pessoa e dão o resultado em poucos minutos. Mais precisos, os testes de biologia molecular indicam a presença do vírus no corpo e podem dizer se a infecção está ainda na fase aguda. Esses testes, porém, levam mais tempo para fornecer o resultado, e o país já tem dificuldade para processá-los.

Segundo Chapchap, o dinheiro doado poderá financiar laboratórios para acelerar as análises.

“A maior preocupação agora está na capacidade analítica. Procuramos fontes alternativas para a realização desse processo. Podemos ainda fomentar a estrutura de testagem e trazer capacidade tecnológica maior de fora do país para fazer os testes”, disse.

Os recursos serão distribuídos entre ações que estejam de acordo com as diretrizes das autoridades de saúde do país, disse Chapchap. O médico citou, durante a coletiva, uma conversa que teve com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na qual o informou que o Todos pela Saúde vai receber demandas do ministério e apoiar as políticas definidas pela pasta.

“Nosso papel não é competir com o Estado ou substituí-lo, mas, sim, dar agilidade às suas ações”, afirmou Maurício Ceschin. “Está claro que o Estado sozinho não consegue enfrentar as consequências da pandemia. A sociedade precisa se envolver também.”

“Estamos aqui para pensar de que maneira vamos organizar o sistema de saúde que já existe, como ele pode ser auxiliado nesse momento. Não é só questão de dinheiro; tem que saber para onde destinar esses recursos para termos os melhores resultados”, acrescentou Drauzio Varella.

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