Descrição de chapéu Coronavírus

Testes rápidos doados têm limitações, mas atendem necessidade atual, diz ministério

Governo oferece explicação após documento apontar chance de acerto de apenas 25% em resultados negativos

Natália Cancian Ricardo Coletta
Brasília

Após uma análise apontar que testes rápidos para coronavírus doados pela Vale têm 75% de chance de errar em resultados negativos, o Ministério da Saúde divulgou uma nota em que reconhece as limitações, mas afirma que o modelo atende à necessidade atual de uso por profissionais de saúde.

Em nota, o ministério diz que os testes rápidos “têm alta eficiência para testagem de casos positivos, embora apresentem limitações.”

“Os testes atendem à necessidade do Brasil, que é detectar profissionais da área de saúde e de segurança pública que estejam positivos para infecção por coronavírus, auxiliando no diagnóstico clínico”, diz a pasta.

A posição ocorre após a pasta divulgar um documento a gestores estaduais e municipais de saúde em que afirma que, nas análises que apontam negativo para a Covid-19, a probabilidade que o resultado reflita a realidade é de apenas 25% —indicador chamado de valor preditivo negativo.

Já o valor preditivo positivo —que expressa a probabilidade de um paciente com o teste positivo de fato ter a doença— é maior, de 86%.

Segundo especialistas, o baixo índice de acerto em casos negativos é explicado pela divergência entre a sensibilidade e especificidade do produto apresentada pelo fabricante chinês em bula e a certificada por uma rede de laboratórios no Brasil.

Em geral, os testes rápidos detectam a presença de anticorpos, que são as defesas produzidas pelo corpo humano contra o vírus. O corpo, porém, demora a produzir os anticorpos --daí o risco de falso negativo. O baixo índice de acerto em resultado negativo pode variar em diferentes tipos de testes.

A preocupação dos gestores nos estados é que o alto volume de falso negativos gera insegurança na hora de definir os profissionais que estão aptos a trabalhar na emergência sanitária e os que precisam cumprir isolamento.

A situação afeta cerca de 500 mil testes que começaram a ser distribuídos nesta semana. O volume faz parte de uma primeira parcela de lotes doados pela mineradora Vale. Outros 4,5 milhões devem ser entregues até abril.

Segundo o ministério, a ideia é que o material seja usado em profissionais que estão na linha de frente e fazem parte de serviços essenciais e que apresentam sintomas.

A previsão é que os testes sejam aplicados após o 7º dia do início dos sintomas, como tosse, dificuldade para respirar, congestão nasal e dor de garganta, e desde que não haja mais sinais. A medida deve fazer parte de um protocolo para uso.

Em nota, o ministério diz ainda que, além dos 500 mil testes, distribuiu recentemente outros 54 mil testes de biologia molecular, considerados de maior precisão, aos estados para verificação de casos na população.

O total de testes a serem ofertados na rede deve chegar a 22,9 milhões.


Os testes disponíveis para detectar o coronavírus

Teste laboratorial RT-PCR (reação em cadeia de polimerase em tempo real)

O que é e para que serve? Chamado de teste molecular, tem como objetivo identificar um fragmento do genoma do novo coronavírus;

Como funciona? Para isso, é feita a coleta de amostras das vias respiratórias (como muco e saliva) por meio de um instrumento chamado de swab, e que parece com um cotonete. Essa coleta é feita em unidades de saúde e enviada a laboratórios. A partir daí, é feita a extração do material genético e análise com kit de testagem por meio de insumos e equipamentos capazes de detectar o vírus;

Qual o tempo de análise? Leva até quatro horas. Somados coleta e outros processos, pode levar dias;

Quais vantagens e desvantagens? É considerado um método de alto grau de precisão, porém com maior tempo de análise

Teste rápido (como testes sorológicos)

O que é e para que serve? Conhecidos popularmente como testes rápidos, tem como objetivo verificar a presença de anticorpos ou antígenos do vírus. Pode usar dois tipos diferentes de amostras: de sangue, soro e plasma ou das vias respiratórias, como no teste laboratorial;

Como funciona? A maioria dos testes é feita com uma pequena gota de sangue e consiste em uma pequena plataforma com reagentes e uma linha de marcação. O material permite verificar dois tipos de anticorpos (IgM e IgG);

Qual tempo de análise? De 10 a 30 minutos;

Quais vantagens e desvantagens? Apesar de ser mais rápido, tem limitações. Uma delas é o fato de que o corpo demora a produzir anticorpos –em geral, o IgM a parece somente após o quinto dia após a infecção; já o IgG, após o 10º dia. É indicado para ser usado com protocolos específicos devido ao risco de falso negativo

Em uso: testes de RT-PCR para diagnósticos de casos graves

Fabricante: Bio-Manguinhos, da Fiocruz, e empresas privadas;

Quantidade: 4,9 milhões;

Quem financia: Ministério da Saúde, que irá comprar 3 milhões de testes da Fiocruz; além de empresas privadas (Petrobrás deve doar 600 mil testes; 1,3 milhão devem ser comprados de empresas);

Valor: não informado; testes da Fiocruz custam R$ 98 cada um (total pode ser reduzido pela compra em escala);

Técnica: PCR, que verifica material genético do vírus

Objetivo: teste de amostras de pacientes com síndrome respiratória grave internados em hospitais e ou de alguns pacientes com quadro de síndrome gripal (cujos exames são coletados em unidades sentinela para verificar qual o tipo de vírus em circulação)

Em implementação: Teste rápido SARS-CoV-2 Antibody Test para profissionais de saúde

Quem fornece: Fiocruz e Vale;

Quantidade: Fiocruz irá disponibilizar 3 milhões, e Vale, 5 milhões;

Quem financia: Ministério da Saúde, no caso da Fiocruz; e Vale;

Valor: não divulgado;

Técnica: detecção de anticorpos;

Objetivo: avaliar profissionais de saúde e segurança que apresentaram sintomas (como tosse, mal estar, dificuldade respiratória, febre, dor de garganta) e foram para isolamento domiciliar. Deve ser aplicado no 8º dia para verificar se podem voltar ao trabalho. Se positivo, profissional continuará em isolamento. Se negativo, volta a trabalhar. Possibilidade de uso também para conter surtos —neste caso, a ideia é aplicar na população em locais com alto número de casos, para recomendar isolamento

Em negociação: Teste PCR mais rápido para população em geral, em cidades com mais de 500 mil habitantes

Quem fornece: ainda não definido;

Quantidade: previsão de 10 milhões;

Quem financiará: Ministério da Saúde, além de possível doação de empresas;

Valor: não divulgado; custo estimado é de R$ 2 milhões por máquina;

Técnica: PCR, por meio de máquinas automatizadas e semiautomatizadas para diminuir o tempo de análise de amostras coletadas;

Objetivo: aplicar em estruturas no modelo de “drive-thru” para teste de população com sintomas, em cidades acima de 500 mil habitantes. Resultado seria informado no dia seguinte por meio de mensagem

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