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Com resultados iniciais da vacina de Oxford, Fiocruz prevê vacinar cerca de 130 milhões em 2021

Para vice-presidente de inovação da entidade, que mantém parceria com a AstraZeneca, dados apontam possibilidade de vacinar em torno de 30% a mais do que o previsto

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Brasília

Os resultados preliminares sobre a eficácia da vacina contra a Covid-19 da Universidade de Oxford indicam que o Brasil pode vacinar, com esse imunizante, cerca de 130 milhões de pessoas em 2021.

A estimativa é 30% maior do que a prevista pela Fiocruz, disse à Folha Marco Krieger, vice-presidente de inovações da entidade, nesta segunda-feira (23).

Atualmente, a fundação, que é vinculada ao Ministério da Saúde, mantém um acordo de transferência de tecnologia com a AstraZeneca e Universidade de Oxford para produção e oferta da vacina no país.

A previsão da Fiocruz era obter 100,4 milhões de doses por meio de insumos enviados pela AstraZeneca logo após a conclusão da última etapa de testes. Quantidade equivalente era prevista para o segundo semestre, quando a produção deve ser nacional.

Com as mesmas doses, porém, mais pessoas devem ser vacinadas, estima Krieger.

Isso ocorre porque dados iniciais divulgados pela AstraZeneca apontam eficácia de até 90% com uso de uma dose inicial mais baixa do imunizante seguida por uma segunda dose completa 30 dias depois. Até então, a previsão era que fossem usadas duas doses completas.

"Isso nos traz um ganho adicional de 30% de cidadãos que vão poder ser vacinados com a mesma quantidade de vacinas que já está na nossa capacidade de produção. É um conjunto de boas notícias."

"Tínhamos planejado 100 milhões de doses no primeiro semestre, pensando em [vacinar] 50 milhões de brasileiros. E agora serão cerca de 65 milhões que vão receber as duas doses", diz. "E no segundo semestre, mais cerca de 65 milhões."

Além do modelo que apontou resultado preliminar de até 90% de eficácia, a AstraZeneca também testou outros protocolos de aplicação de doses. Neste outro caso, um grupo recebeu as duas doses completas, com 30 dias de diferença, e a eficácia encontrada foi de apenas 62%. No agregado dos dados dos dois estudos, a eficácia média da vacina foi de 70%.

Segundo Krieger, a análise de diferentes protocolos de uso de doses é padrão em testes de vacinas. Empresas costumam adotar o modelo que tiver maior eficácia --neste caso, possivelmente o que considera uma espécie de primeira dose menor seguida de dose completa.

"Isso vai permitir uma economia de doses e que tenha um desfecho de 30% maior nas doses do que estávamos planejando", diz.

O estudo completo com os resultados da fase 3 dos testes ainda não foi publicado. Apesar de altos, os dados preliminares da vacina de Oxford indicam uma eficácia menor que a de outras vacinas concorrentes --que chegam a até 95%, caso da Moderna.

Para Krieger, porém, a vacina tem outras vantagens, como o custo considerado baixo (inicialmente, planejado em US$ 3,16 a dose), a facilidade de armazenamento e a previsão de produção no Brasil.

"É uma vacina que é mais barata do mercado e que pode ser estocada e transportada de 2ºC a 8ºC, o que permite que seja incorporada quase que imediatamente no SUS", afirma.

De acordo com Krieger, até o momento, não há previsão de mudança nos prazos previstos no cronograma. A expectativa da instituição é que as primeiras doses estejam disponíveis até março.

O uso ficará condicionado ao registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Mais cedo, a AstraZeneca anunciou que irá entrar com o pedido de aprovação emergencial ou condicional para as agências regulatórias em todos os países onde desenvolve seus testes clínicos imediatamente.

A farmacêutica deve ainda buscar um pedido de uso emergencial pela Organização Mundial da Saúde (OMS), visando acelerar os trâmites para disponibilizar a vacina em países de baixa renda.

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