Ministério da Saúde agora diz que vacina contra Covid da Pfizer e Coronavac estão nas mesmas condições

Segundo número 2 da pasta, ambas são objeto de memorandos de entendimento assinados e aguardam apenas Anvisa

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Brasília

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, afirmou nesta quinta-feira (10) que as vacinas da americana Pfizer e do Instituto Butantan "estão nas mesmas condições”.

​O número 2 do ministério foi questionado em entrevista coletiva sobre as condições atuais de cada imunizante, se o governo federal pretendia incluir a Coronavac no plano de vacinação e os motivos de a pasta dar mais destaque para suas tratativas com o laboratório americano.

“Butantan e Pfizer estão nas mesmas condições. Tem os memorandos de entendimento e, em havendo o registro, ou autorização para uso emergencial, poderão ser inseridas no plano nacional de imunização”, afirmou.

Em seguida, Franco corrigiu parte de sua declaração, afirmando que as vacinas liberadas para uso emergencial não integrarão o plano nacional enquanto estiverem nessa condição, sendo usadas em públicos restritos, seguindo norma da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Apesar de afirmar que as vacinas estão no mesmo nível, o governo brasileiro tem divulgado apenas números de doses referentes à AstraZeneca, ao consórcio Covax Facility e agora à Pfizer.

“O Brasil possui atualmente mais de 300 milhões de doses de vacinas garantidas por meio dos acordos internacionais e nacionais, esperando a aprovação por parte da Anvisa", disse Franco.

"São 142,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 que estão sendo produzidas pela Fiocruz/AstraZeneca 100,4 milhões de doses no primeiro semestre e mais 160 milhões no segundo semestre, Covax Facility [consórcio que reúne várias candidatas a vacina para produzir as primeiras a terem aprovação], 42,5 milhões de doses”, disse o ministro Eduardo Pazuello, nesta terça-feira, em pronunciamento no Palácio do Planalto.

Cada pessoa que recebe vacina contra Covid-19 precisa de duas doses para que ela faça efeito.

“Além da Pfizer, que hoje começou a vacinar os grupos prioritários na Inglaterra. E nós do governo federal atentos as primeiras soluções que ocorrem no mundo, já assinamos a carta de intenções garantindo mais de 70 milhões de doses dessa vacina para o Brasil”, disse na ocasião.

Em nenhum momento recente o governo federal informou contar com as doses da Coronavac, especificando qual seria o número. Em outubro, o presidente Jair Bolsonaro esvaziou o protocolo de intenções anunciado por Pazuello com o governo paulista, encabeçado por seu desafeto e provável rival nas eleições de 2022 João Doria.

O governo federal, no entanto, tem sido cada vez mais pressionado para incluir todas as vacinas aprovadas em seu plano de vacinação –até agora não apresentado. Para vacinar toda a população, são necessárias mais de 400 milhões de doses de vacina.

Franco voltou a falar sobre a assinatura de um memorando de entendimento com a Pfizer, para a entrega das 70 milhões de doses.

Desse total, a previsão é de que 8,5 milhões cheguem no primeiro semestre de 2021. O secretário-executivo informou que a empresa americana se comprometeu a providenciar as caixas térmicas para garantir a conservação das doses por 30 dias. Cada uma dessas caixas tem capacidade para armazenar 5.000 doses.

A vacina da Pfizer, em parceria com a alemã BioNTech, obteve autorização para uso emergencial das autoridades do Reino Unido e começou a ser aplicada na população daquele país nesta semana.

Um dia após o ministro Pazuello afirmar que poderia começar a vacinação de forma emergencial neste mês ou em janeiro, dependendo da entrega das doses e da autorização da Anvisa, Élcio Franco afirmou que seria leviano estabelecer uma data correta para iniciar a imunização.

"Seria leviano de nossa parte transmitir a qualquer brasileiro uma data correta que vai se iniciar a vacinação, uma vez que nenhuma delas têm o registro ou foi disponibilizada", afirmou o secretário-executivo. Tendo autorização emergencial ou o registro, aí sim poderemos iniciar a imunização da população brasileira", completou.

Franco, no entanto, amenizou as declarações do próprio Pazuello, afirmando que o ministro transmitiu uma possibilidade, sempre destacando as variáveis existentes —no caso, entrega das doses e autorização pela Anvisa.

Assim como Pazuello já havia feito, Franco criticou indiretamente o governador João Doria (PSDB) por ter anunciado um plano de vacinação para São Paulo, a partir do dia 25 de janeiro. Afirmou que é indesejável, quando perguntado sobre a iniciativa paulista.

Ao analisar o risco de que uma pessoa tome mais de uma vacina, o secretário-executivo afirmou que existe risco de vida caso as imunizações não sejam compatíveis e afirmou que o ministério vai tentar evitar esses casos através da rastreabilidade, identificando quem já foi vacinado a partir da carteira de vacinação.

Franco também comentou a exclusão da população carcerária dos grupos prioritários para receber a vacina, de acordo com o plano preliminar de vacinação do Ministério da Saúde. O plano prevê quatro fases, iniciando com idosos, indígenas e profissionais da Saúde.

Na quarta e última fase estava a população privada de liberdade, mas ontem a pasta confirmou a exclusão desse grupo.

O secretário-executivo afirmou que não há "evidências científicas sobre a maior taxa de contaminação e taxa de letalidade" desse grupo. Franco completou que países como os Estados Unidos e Reino Unido não consideram a população carcerária como grupo prioritário.

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