Descrição de chapéu Coronavírus STF

Poderes são independentes, mas poder é do povo, diz Bolsonaro um dia após decisão sobre vacina

Em formatura de policiais no Rio, presidente critica a mídia e diz que 'estará ao lado de homens de bem, não de canalhas'

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Rio de Janeiro

Um dia depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) determinar a obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta sexta-feira (19) que os Três Poderes são independentes, mas que o maior poder é do povo, a quem ele e as Forças Armadas devem lealdade absoluta.

“Jamais a nossa democracia e a nossa liberdade será [sic] ameaçada por quem quer que seja. Entendam uma coisa. Os Três Poderes são independentes e harmônicos, mas o maior poder é do povo brasileiro”, disse.

Ao discursar para 845 soldados formandos da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Bolsonaro afirmou que a imprensa sempre estará contra os policiais. O presidente chegou a recomendar que os policiais pensem assim antes de agir.

“Em uma fração de segundos está em risco a sua vida, do cidadão de bem ou de um canalha defendido pela imprensa brasileira. Não se esqueçam disso. Essa imprensa jamais estará ao lado da verdade, da honra e da lei. Sempre estará contra vocês. Pensem dessa forma para poderem agir."

Sem citar o nome de seu amigo e ex-policial aposentado Fabrício Queiroz, investigado operador de um esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio, o presidente disse que a polícia do Rio é uma das melhores do Brasil. “Já tive bons policiais ao meu lado que hoje são massacrados pela mídia”, disse ele.

No dia 15 de dezembro, Bolsonaro afirmou que Fabrício Queiroz, seu amigo e ex-assessor de Flávio Bolsonaro, pagava suas contas e estaria sendo injustiçado na investigação.

O discurso de Bolsonaro aconteceu um dia depois de a ministra Carmen Lúcia, do STF, determinar que a Procuradoria-geral da República investigue se a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) produziu relatórios para orientar a defesa do senador Flávio Bolsonaro, também investigado no caso das "rachadinhas".

Em um discurso de pouco mais de sete minutos, consumido por ataques à imprensa, Bolsonaro afirmou ainda que a mídia não reconhece o êxito de medidas adotadas por ele e pelo governo do Rio.

“Imaginem se a PM tivesse parado, o caos que não seria o Rio de Janeiro. Imagine se o governo federal não tivesse apresentado auxílio emergencial para atender 67 milhões de pessoas, o caos que não teríamos no Brasil. Isso não é reconhecido pela imprensa", disse o presidente.

Em um palanque no qual as autoridades presentes não usavam máscaras de proteção contra o coronavírus, Bolsonaro disse que "estará ao lado de homens de bem, não de canalhas".

"Não esperemos da imprensa a verdade. Jamais estará ao lado dela. Eles sequer sabem o versículo João 8:32, mas nós somos persistentes. Perseguiremos nossos objetivos. Sempre estaremos ao lado da verdade, da lei e de homens de bem, e não de canalhas”, disse.

“Não esperamos com palavras gentis ou com gesto de amizade vencer o inimigo. Nós estamos vencendo. Nós venceremos. O Brasil será uma grande nação. E, para isso, contamos com o povo maravilhoso ao nosso lado. E a liberdade das mídias sociais, que essas sim trazem a verdade para vocês. A maior fábrica de fake news está na grande parte da imprensa brasileira. Isso é uma vergonha para o mundo", completou o presidente.

Minutos antes, Flávio Bolsonaro fez uma breve fala em apoio ao governador em exercício, Cláudio Castro (PSC), e à polícia.

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