Descrição de chapéu Coronavírus

Eficácia de 100% da Coronavac contra casos graves ainda não tem significância estatística, diz diretor do Butantan

Ricardo Palacios confirmou que resultado ainda carece de poder estatístico, mas é preciso acompanhar casos por mais tempo

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São Paulo

O resultado de 100% de eficácia da Coronavac contra casos graves de Covid-19, divulgado na semana passada, ainda precisa de mais acompanhamento porque esse número não é estatisticamente significativo, afirmou Ricardo Palacios, diretor médico de pesquisa do Instituto Butantan e responsável pelos testes, em entrevista coletiva nesta terça (12).

Para ter significância estatística, é preciso ter um sinal claro de que os casos graves impedidos supostamente pela vacinação são decorrentes do efeito do imunizante, e não do acaso –esses casos não seriam graves de toda forma, sem a aplicação ou não da vacina.

No caso dos dados divulgados pelo Instituto Butantan nesta terça-feira (12), não foi reportado nenhum caso de Covid grave no grupo que recebeu a vacina em comparação com o grupo que recebeu placebo, com sete casos reportados. Estatisticamente, isso não atribui à vacina, ainda, a proteção em 100% dos casos graves de Covid-19.

A vacina contra a Covid-19 teve ainda eficácia geral de 50,4%. Essa eficácia corresponde a todos os infectados por Sars-CoV-2 no estudo que desenvolveram, tanto de casos leves quanto de moderados e graves de Covid-19. Nesse caso, o poder estatístico corroborou a eficácia, assim como para proteção nos casos leves e moderados, de 78%.

Apesar de mais baixa do que inicialmente anunciada, a vacina se mostrou segura e com uma eficácia acima do limiar determinado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para aprovação de um imunizante.

Palacios reafirmou a importância do desenho do estudo, que seguiu extremo rigor científico, e disse que os dados continuam sendo acompanhados. A avaliação a longo prazo, além de importante para continuar verificando a segurança e proteção da vacina, pode apontar ainda uma tendência da Coronavac em proteger contra as hospitalizações.

Questionado se esse dado ainda sem significância estatística pode mudar no futuro, o diretor de pesquisa enfatizou a observação dessa tendência. "O que a gente tem que interpretar é a tendência, e existe uma tendência clara de proteção dos casos graves, o que corresponde a um efeito biológico esperado [da vacina]. Dentro de um estudo clínico, os cientistas trabalham com hipóteses, e não com certezas. Nenhuma pessoa ousaria fazer uma afirmação [de que vai atingir essa taxa de 100% de proteção] absoluta. Sempre pode ter um caso que escapa por diferentes causas. Por isso colocamos dentro de um contexto que há uma tendência da vacina em diminuir a intensidade clínica da doença. Esse é o dado que deve ser salientado", completou.

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