Descrição de chapéu Coronavírus

Fabricação de vacina de Oxford na Índia gera questionamento na Anvisa

Dos 18 itens gerais checados, 4 estão pendentes por causa da origem asiática do imunizante

São Paulo

A origem indiana da vacina da AstraZeneca/Universidade de Oxford pode ser um entrave de última hora contra sua aprovação para uso emergencial no Brasil.

Como o laboratório anglo-sueco está comprometida com os programas de vacinação do Reino Unido e do continente, foi indicado que os 2 milhões de doses da vacina que o Ministério da Saúde pediu tal fim seriam entregues pela farmacêutica Serum, parceira no projeto.

Avião da Azul que iria buscar vacinas na Índia no aeroporto de Viracopos, em Campinas
Avião da Azul que iria buscar vacinas na Índia no aeroporto de Viracopos, em Campinas - Tony Winston - 14.jan.2020/Ministério da Saúde/AFP

No Brasil, a produção local da vacina de Oxford, como é chamada, será tocada pela Fiocruz. O governo federal contratou a produção de 100 milhões de doses, entre importação e fabricação própria.

Dos 18 itens de verificação geral que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disponibiliza em seu site para verificar o status da aprovação dos imunizantes, 4 estão pendentes devido a problemas relativos à fabricação do produto na Índia.

São basicamente pontos em que os dados de pesquisa da chamada vacina de Oxford precisam ser comparados com a vacina do laboratório indiano.

Há também a falta de indicação sobre as condições do transporte do lote para uso emergencial no Brasil, algo que parece mais simples de sanar e menor perto da dificuldade em conseguir liberar o lote para entrega.

Pessoas com conhecimento do processo afirmam que a Anvisa terá de fazer vista grossa para as questões, que não teriam como ser respondidas em prazos exíguos, se pretender aprovar de forma expedita o uso.

A agência define no domingo (17) se aprova a vacina e o imunizante do Butantan/Sinovac, a Coronavac.

Mais cedo, o governo da Índia indicou ao do Brasil que não poderia entregar as 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca antes do início da campanha de imunização no país do sul da Ásia.

Segundo um integrante do Ministério da Saúde disse a autoridades estaduais, seria impossível fazer o despacho sem um dano político irreversível ao governo do premiê Narendra Modi. O próprio presidente Jair Bolsonaro, em entrevista, sugeriu que esse seria o problema.

Os indianos creditaram a um açodamento do Brasil o anúncio do envio de um avião fretado para recolher as doses da vacina, feita localmente pelo laboratório Serum.

A expectativa mais realista é de que o lote seja liberado no começo da semana que vem. O governo federal queria começar a vacinação no país na quarta (20), mas tudo indica que o prazo é inexequível.

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