Descrição de chapéu Coronavírus

Índia inicia campanha de vacinação contra a Covid-19, a maior do planeta

Governo havia vetado exportação de doses ao Brasil enquanto sua campanha nacional não começasse

Abhaya Srivastava
Nova Déli | AFP

A Índia começou, neste sábado (16), a maior campanha de vacinação contra a Covid-19 do planeta —uma tarefa colossal e complexa em um contexto de medo sobre a segurança da vacina, infraestrutura instável e ceticismo público.

O segundo país mais populoso do mundo espera vacinar 300 milhões dos 1,3 bilhão de habitantes até julho, um número quase igual ao de toda a população dos Estados Unidos.

"Fiquei tão feliz ao ver meu nome na lista", disse à AFP Mohan Ganpat Nikam, 53, segurança em um hospital de Mumbai, a capital econômica do país.

Profissionais da saúde, maiores de 50 anos e as pessoas consideradas de alto risco são os grupos prioritários para receber duas vacinas aprovadas: a da Universidade de Oxford/AstraZeneca e a da farmacêutica indiana Bharat Biotech, cuja eficácia não é conhecida. Ambas são produzidas na Índia.

No primeiro dia, o plano é injetar a primeira de duas doses em 300 mil pessoas, entre elas o primeiro-ministro Narendra Modi.

As autoridades afirmam que as experiências em organizar eleições e campanhas de vacinação infantil da poliomelite e da tuberculose servirão para ajudar na imunização em massa.

Cerca de 150 mil trabalhadores da saúde em 700 distritos foram treinados e realizaram vários testes para o transporte das vacinas.

"Vi pessoas morrerem", disse Santa Roy, funcionário de um hospital de Calcutá (leste). "Agora temos uma luz de esperança."

Mas as dimensões do país e a pobreza, junto a redes muito deficientes de transporte e um dos sistemas de saúde com menos recursos, dificultam a tarefa.

A campanha de vacinação contra a Covid-19 será um "enorme desafio", diz Satyajit Rath do Instituto Nacional de Imunologia.

As duas vacinas aprovadas até agora devem ser mantidas no frio o tempo todo e outras que estão em desenvolvimento também deverão ser conservadas a temperaturas muito baixas.

Para isso, a Índia conta com cerca de 45 mil frigoríficos, 41 mil congeladores de altas temperaturas e 300 refrigeradores de energia solar. Esses itens serão necessários principalmente quando começarem as altas temperaturas do verão indiano.

As autoridades também precisam se assegurar que a vacina não acabará no enorme mercado clandestino de medicamentos do país.

Mais de 150 mil pessoas morreram de Covid-19 na Índia, e a economia é uma das mais afetadas do mundo, com milhões de desempregados.

Os contágios caíram nos últimos meses, mas os especialistas não descartam uma nova onda devido às grandes congregações em massa nas recentes festividades religiosas.

Vacina da Índia para o Brasil

Na sexta (15), o governo da Índia negou a entrega imediata de um lote de imunizantes contra a Covid-19 da Oxford/AstraZeneca ao Brasil, o que frustrou uma operação montada para buscar o material no país asiático ainda neste fim de semana e deve resultar numa derrota política para o Palácio do Planalto.

​O argumento do país asiático era de que não seria possível autorizar a transação enquanto não começasse a campanha de vacinação na sua própria população.

Agora, com o início da vacinação na Índia, é possível que a viagem para buscar as doses seja autorizada.

Na noite de quinta-feira (14), o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ligou para o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, e fez um último apelo pela liberação de 2 milhões de vacinas produzidas pelo Serum Institute.

O lote seria um adiantamento do imunizante que posteriormente será produzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e que é a grande aposta do governo Bolsonaro na "guerra da vacina" travada com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

No entanto, Araújo ouviu de seu homólogo que a situação só seria resolvida "nos próximos dias", o que foi entendido no Itamaraty como uma sinalização de que não haverá liberação no prazo desejado pelo Brasil. Não houve compromisso com uma data específica.​

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