Ministério da Saúde anuncia que distribuirá vacina do Butantan a todos estados

Segundo comunicado, imunização deve começar 'tão logo os imunizantes recebam autorização da Anvisa'

Brasília

O Ministério da Saúde anunciou neste sábado (9) que fechou acordo com o Instituto Butantan de exclusividade na distribuição da Coronavac pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A vacina será disponibilizada simultaneamente a todos os estados.

Segundo a pasta, o contrato de exclusividade centraliza compra e distribuição da vacina contra o novo coronavírus pelo Ministério da Saúde. Dessa forma, impede que o imunizante seja comercializado entre o Instituto Butantan e estados.

Com a medida, a ideia do governo é que brasileiros de todo o país recebam a vacina simultaneamente.

De acordo com o ministério, a distribuição será feita dentro da logística integrada e tripartite. A estratégia envolverá governo federal e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.

Os estados receberão as doses em quantidade proporcional à população e farão a distribuição aos 5.570 municípios brasileiros, de forma que todas as salas de vacinação do país recebam as vacinas.

O acordo foi firmado em reunião nesta sexta-feira (8), na qual representantes do Ministério da Saúde e do Instituto Butantan trataram da estratégia do governo federal.

Serão adquiridas pelo ministério 100 milhões de doses da Coronavac. O imunizante, após embates abertos entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e governador João Doria (PSDB), será incorporado ao Plano de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19.

Na quinta-feira (7), a pasta e o Butantan, ligado ao governo paulista, já haviam assinado contrato para a aquisição de 46 milhões de doses da vacina fabricada pelo instituto.

A primeira remessa está com entrega prevista, segundo o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, até abril. Mais 54 milhões de doses serão distribuídas até o fim deste ano.

Além da vacina fabricada pelo Butantan, outros imunizantes adquiridos ou em negociação pelo Ministério da Saúde, que tenham aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), deverão ser incorporados e distribuídos a toda a população, ao mesmo tempo, segundo a pasta.

"A campanha deve começar tão logo os imunizantes recebam autorização da Anvisa --para uso emergencial ou o registro definitivo--, e a vacinação será disponibilizada a todos de forma gratuita", disse o ministério, em nota.

Na reunião deste sábado, foi acertado um novo encontro para os próximos dias com o Instituto Butantan, do qual participarão Pazuello e representantes do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde).

Na sexta, o Instituto Butantan e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), entraram com pedido de uso emergencial das suas vacinas na Anvisa, e o resultado deve ser divulgado no prazo máximo de dez dias.

O Brasil assiste a uma corrida pelo início da imunização contra a Covid-19.

A primeira solicitação pelo uso emergencial foi feita ainda pela manhã de sexta pelo Butantan. O instituto paulista tem uma parceria com a empresa chinesa Sinovac para produzir, no Brasil, a Coronavac.

Horas depois, no início da tarde, pedido semelhante foi registrado pela Fiocruz. A instituição representa, no Brasil, a vacina de Oxford –desenvolvida pela farmacêutica e AstraZeneca e Universidade de Oxford.

Hoje, tanto a vacina da Fiocruz quanto a do Butantan são tidas como as principais apostas para iniciar a vacinação no Brasil.

A vacina de Oxford, no entanto, foi a primeira a ter um acordo fechado com o governo federal, enquanto a Coronavac esteve no centro de uma guerra política entre Bolsonaro e Doria nos últimos meses.

As doses da Coronav que serão obtidas pelo governo federal serão no incorporadas ao PNI (Programa Nacional de Imunizações). O governo paulista, porém, ainda afirma que, mesmo com essa inclusão, mantém a previsão de iniciar uma campanha de imunização no estado com a vacina no dia 25 de janeiro.

Independentemente dos prazos, o uso emergencial das vacinas, caso concedido pela Anvisa, deve envolver um número menor de doses em relação ao previsto para ser produzido pelos dois laboratórios para os próximos meses.

No caso do Butantan, o pedido de uso emergencial vale para 6 milhões de doses vindas da China e que estão sob guarda do instituto desde 2020.

Já o pedido feito pela Fiocruz vale para 2 milhões de doses que devem ser importadas do Serum Institute, na Índia, um dos centros de produção da vacina de Oxford para outros países. Ainda não há previsão de data para entrega dessas doses. A Fiocruz diz esperar que isso ocorra "nos próximos dias". Nos bastidores, porém, representantes do Ministério da Saúde correm para tentar obter o material até a próxima semana.

A tentativa de importação começou a ser negociada pela pasta ainda em dezembro. Inicialmente, Fiocruz previa entregar as primeiras doses previstas em acordo com a AstraZeneca a partir de 8 de fevereiro –no total, são 100 milhões de doses no primeiro semestre, e 110 milhões no segundo.

Alvo de críticas pela demora em iniciar a vacinação, o ministério pretende usar as doses importadas para iniciar a vacinação no dia 20 de janeiro –cinco dias antes da data prevista pelo governo paulista.

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