Agora dirigente, Maxwell vira escudo dos brasileiros do Paris Saint-Germain

Crédito: Pascal Guyot/AFP Paris Saint-Germain's Brazilian defender Maxwell gives a press conference on the eve of the UEFA Champions League football match between FC Shakhtar Donetsk and PSG on September 29, 2015 at the Arena stadium in Kiev. AFP PHOTO / PASCAL GUYOT ORG XMIT: 089
Maxwell foi lateral do PSG até o final da última temporada, quando virou dirigente

ALEX SABINO
DE SÃO PAULO

"Não dou entrevista. Não sou mais jogador."

Maxwell, 36, dispensa todos os pedidos de entrevista no Paris Saint-Germain com essas frases ou algo parecido. Todas as solicitações da Folha feitas à assessoria de imprensa do clube francês foram negadas dessa forma.

O ex-lateral da seleção brasileira abriu exceção apenas quando surgiu a polêmica sobre a quebra de relacionamento entre Neymar e Cavani. Na zona mista após as partidas, parou apenas para dizer que estava "tudo bem".

Coordenador esportivo do PSG, Maxwell cuida para que o clima seja harmônico.

Frequentador da mansão de Neymar nos arredores de Paris, ele chegou ao cargo durante processo de abrasileiramento do clube. Foi decisivo para que o atacante fosse seduzido a deixar o Barcelona e cuida para que tudo funcione para os atletas do país.

Atualmente, são seis: Thiago Motta, Lucas, Neymar, Daniel Alves, Thiago Silva e Marquinhos. Os quatro últimos deverão estar na lista de Tite para a Copa do Mundo.

As notícias sobre os problemas de relacionamento de Neymar com os companheiros de clube foram o maior desafio para Maxwell na nova função porque o PSG viveu dias de caça às bruxas.

A diretoria tinha certeza de que alguém vazava notícias para os jornalistas. O fisioterapeuta particular de Thiago Silva foi demitido.

O papel de Maxwell é blindar jogadores brasileiros dos problemas fora de campo.

"Ele é fantástico. Uma das melhores pessoas com quem trabalhei", afirma o ex-zagueiro Zoumana Camara.

Após a aposentadoria, Camara continuou no PSG na mesma função hoje desempenhada por Maxwell, mas zelando pelos atletas de língua francesa. Com a predominância sul-americana na equipe atual, o papel do brasileiro ficou mais importante que o do ex-zagueiro francês.

Maxwell é o braço direito do português Antero Henrique, diretor esportivo. A dupla foi responsável pela contratação de Neymar. Henrique convenceu a Oryx Qatar Sports, dona do clube, a pagar 222 milhões de euros (cerca de R$ 867 milhões) para alcançar a multa rescisória do brasileiro na Espanha.

O ex-lateral ficou com o que sabe fazer melhor: o corpo a corpo com Neymar. Bombardeou com mensagens o atacante, que foi seu colega de elenco na Copa de 2014. Gastou horas em conversas para deixar claro a Neymar filho e pai que a transferência para o PSG era uma grande oportunidade. Quando o jogador balançou com o pedido para que ficasse, feito por Messi e demais companheiros de Barcelona, Maxwell voltou a entrar em ação.

Deu certo.

QUERIDO

Ser benquisto no mundo do futebol sempre foi o ponto forte de Maxwell, lateral esquerdo revelado pelo Cruzeiro e que passou por Ajax (HOL), Barcelona (ESP), Inter de Milão (ITA) e PSG. Em 17 anos de carreira, conquistou 37 títulos. Ele fez a carreira na Europa, aonde chegou em 2001 e de onde não saiu mais.

"A presença que ele tem no vestiário não pode ser subestimada", definiu Pep Guardiola, o técnico que o fez ter no currículo o troféu da Liga dos Campeões, em 2011.

Foi o que Antero Henrique percebeu ao chegar ao PSG. Maxwell sabe o que se espera dele, corresponde a isso e tem lealdade canina aos amigos. Era a pessoa certa para administrar os egos de milionários sul-americanos contratados para um projeto de dominação global do futebol.

Um planejamento que já teve Zlatan Ibrahimovic, grande amigo do brasileiro. Recém-chegado da Suécia, o atacante gastou todo o dinheiro que o Ajax havia lhe adiantado e descobriu que o demoraria mais um mês para receber o primeiro salário.

Apelou para Maxwell, que o alimentou e o abrigou em seu apartamento pelo tempo que Ibrahimovic estava em dificuldades financeiras.

"Ele é o melhor cara do mundo", disse o sueco, que atuou com o lateral também no Barcelona, Inter e PSG.

Em Paris, ele também tem tentado evitar o descontentamento com o técnico espanhol Unai Emery e garantir que o clube francês atinja o que, para os seus dirigentes, é o Santo Graal: conquistar a Liga dos Campeões.
Isso vai ser mais fácil se todos estiverem felizes. O que é a especialidade de Maxwell.

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