Brasileiro da 2ª divisão russa vai inaugurar último estádio da Copa

Desconhecido no Brasil, Nadson defende o Krilia Sovetov e estará em jogo-teste

Fábio Aleixo
Moscou

A 50 dias do início da Copa do Mundo, em 14 de junho, a Rússia ainda tem um de seus 12 estádios a inaugurar: o da cidade de Samara, que consumiu cerca de US$ 320 milhões (R$ 1,1 bilhão) em obras.

A arena, que tem capacidade para 45 mil torcedores, deveria ter sido entregue até o fim do ano passado. Porém foram vários os atrasos durante a construção e ela só recebeu o aval final para utilização na última segunda-feira (23), a cinco dias do primeiro jogo-teste, no sábado (28).

Profissionais trabalham no gramado do estádio de Samara
Estádio de Samara será o último a ser inaugurado para a Copa da Rússia - Divulgação/Anar Movsumov/LOC 2018

O gramado, entretanto, ainda está sendo finalizado. Ele foi plantado há pouco menos de duas semanas após chegar de caminhão da Alemanha, onde foi cultivado durante o rigoroso inverno russo. Agora ainda passa por trabalhos de irrigação e corte.

E a inauguração terá em campo um atleta brasileiro que atua na segunda divisão russa, Nadson, 33.

Ele defende o Krilia Sovetov (asas soviéticas) que enfrentará o Fakel em jogo para o qual os 10 mil bilhetes que foram colocados à venda já se esgotaram. Ainda serão mais dois jogos-teste até o Mundial. Em nenhum deles, há previsão de se liberar o estádio por completo.

Pouco conhecido no Brasil -de onde saiu em 2006 após defender o Bragantino- o baiano Nadson vive um momento especial e único em sua carreira mesmo não atuando na elite da Rússia.

Zagueiro brasileiro Nadson defende o Krilia Sovetov
Zagueiro brasileiro Nadson defende o Krilia Sovetov - Divulgação/Krilia Sovetov

O estádio de Samara é o segundo no qual estará presente na abertura.

O primeiro foi em Kaliningrado, em 11 de abril, quando sua equipe perdeu de 1 a 0 para o Baltika.

"Está sendo um momento maravilhoso né? São poucos os brasileiros que poderão jogar em um estádio de Copa do Mundo na Rússia. Estou gostando muito. Sem falar que os estádios são maravilhosos, coisa de primeiro mundo. É difícil encontrar tanta qualidade na segunda divisão", disse à Folha.

Além de participar da abertura destas duas arenas, ele atuará em outro palco de Mundial. No dia 2 de maio, o Krilia jogará em Volgogrado contra o Rotor no segundo jogo-teste da arena.

"Todos os jogadores do time estão muito felizes com esta oportunidade", contou o jogador que na temporada passada atuou em outros dois estádios de Copa, o do Spartak e a Arena Kazan.

Nadson defende o Krilia há cinco temporadas. Antes, atuou por três anos no Genk (BEL) e por cinco no Sheriff (MOL).

No Brasil, além do Bragantino, esteve no time B do Santos por três anos. Na equipe principal, só teve a oportunidade de atuar uma vez, em jogo contra o Palmeiras, em 2005.

"Eu penso em ficar ainda muito tempo na Rússia, não tenho na cabeça voltar para o Brasil. Gosto muito daqui. Me sinto em casa. Jamais tive algum tipo de problema", afirmou.

Além de inaugurar estádios do Mundial, Nadson vive momentos decisivos com o Krilia.

A quatro jogos do fim do campeonato, sua equipe ocupa a terceira posição, com 73 pontos a um do líder e vice-líder: Ienisei e Orenburg, respectivamente.

Os dois primeiros garantem o acesso, enquanto o terceiro e o quarto jogam um playoff de ida e volta contra o 13º e o 14º da primeira divisão.

"O Krilia sempre foi um time de meio de tabela da primeira divisão, mas infelizmente nos últimos anos fomos rebaixados duas vezes. Aqui temos a obrigação de subir", disse.

"O povo de Samara é apaixonado por futebol. Para você ter uma ideia, na segunda divisão colocamos em vários jogos umas 20 mil pessoas no estádio. Na primeira, chega fácil a uns 30, 35 mil", disse.

Samara poderá receber a seleção brasileira nas oitavas de final se ela for primeira em seu grupo. Se for segunda, só jogará lá nas quartas de final.

"Infelizmente não conseguirei acompanhar a Copa aqui. Estarei de férias no Brasil, lá na minha cidade de Gongogi", disse.

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