Descrição de chapéu Copa do Mundo

Com agenda mais calma, Pelé faz tratamento para viajar ao Mundial

Ex-camisa 10 da seleção, assim como Neymar, o atual, passa por fisioterapia para ir à Rússia

Pelé ganha beijo de Maradona ao chegar de cadeira de rodas para o sorteio dos grupos da Copa do Mundo da Rússia
Pelé ganha beijo de Maradona ao chegar de cadeira de rodas para o sorteio dos grupos da Copa do Mundo da Rússia - Michael Regan - 1º.dez.2017/Fifa via Getty Images
Alex Sabino
São Paulo

Chegou o momento em que os médicos tiveram de tratar Pelé como Edson. Ele precisava de um chacoalhão no tratamento da fisioterapia. “Se você não melhorar, não vai para a Copa na Rússia.”

Bastou para Pelé voltar a ser Pelé. Ele está em tratamento para se recuperar de mal sucedida cirurgia de implante de prótese no quadril, em 2012. Depois disso, passou por mais duas operações.

Ainda reclama de dores, mas mostra significativa melhora na capacidade de locomoção. Em entrevista à Folha, em 2016, chegou a dizer ter sido vítima de erro médico, algo que foi descartado.

É irônico que o maior camisa 10 da história da seleção brasileira esteja em fisioterapia para ir à Rússia assim como o atual, Neymar, que se recupera de fratura no pé.

Pelé dá o máximo de si para poder viajar porque considera ser a hora de tirar o pé do acelerador. Seus compromissos comerciais estão em queda, mas não por falta de convites —recebe centenas a cada ano.

Aos 77 anos e com restrições físicas, ele sabe que se aproxima a hora de parar. 

Pelé iria a Moscou na semana passada para acompanhar o amistoso da seleção brasileira, mas torceu o joelho na véspera da viagem.

A recomendação médica foi que ficasse descansando e evitasse um voo de 14 horas. Ele continua com as sessões de fisioterapia quase diárias. Só não as faz quando está fora de casa.

Pelé usa andador para participar do lançamento do Estadual do Rio, em janeiro, na Barra da Tijuca
Pelé usa andador para participar do lançamento do Estadual do Rio, em janeiro, na Barra da Tijuca - Rudy Trindade - 15.jan.2018/FramePhoto/Folhapress

A Folha apurou com pessoas próximas a Pelé que ele não quer passar a mesma imagem do sorteio dos grupos para o Mundial, em dezembro do ano passado.

Na ocasião, entrou no auditório do Palácio do Kremlin, em Moscou, de cadeira de rodas. Recebeu carinho até do antigo desafeto Maradona. Mas não faz parte da imagem de super-homem que o jogador eleito o atleta do século em 1981 gosta de passar. 

Ele poderia ter chegado ao auditório em um andador, segundo pessoas presentes ao sorteio. Apenas não fez isso porque a distância entre a entrada do palácio e o auditório era grande, levaria tempo demais e ele teria de fazer muito esforço para percorrê-la.

Por causa do problema no quadril e dificuldades renais (ele afirma ter retirado um rim quando ainda era atleta profissional), o ritmo de compromissos como garoto-propaganda tem sido menor.

Se puder comparecer ao evento de carro, até pode aceitar. Foi o que aconteceu na cerimônia de lançamento do Estadual do Rio deste ano, quando fez o trajeto por terra, tendo como motorista Pepito Fornos, seu fiel escudeiro.

MARCA REGISTRADA

A marca Pelé é administrada pela Legends 10 desde 2012, quando a agência americana comprou a Prime, empresa que tinha os direitos sobre a imagem do ex-jogador.

A Legends pertence ao empresário inglês Paul Kemsley, dono do New York Cosmos, onde o brasileiro jogou de 1977 a 1979. A companhia cuida da agenda de Pelé que, até anos atrás, era frenética. Ele chegava a ter dez compromissos publicitários por mês.

Pelé cumprimenta o prefeito paulistano, João Doria, e o presidente Michel Temer durante participação no Fórum Econômico Mundial para a América Latina, em São Paulo
Pelé cumprimenta o prefeito paulistano, João Doria, e o presidente Michel Temer durante participação no Fórum Econômico Mundial para a América Latina, em São Paulo - Beto Barata - 14.mar.2018/Associated Press

Era um negócio altamente lucrativo porque tê-lo como garoto-propaganda pode custar à empresa interessada entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões. Sem contar o valor com aparições remuneradas em festas e eventos especiais.

Aos poucos, a agenda vai sendo reduzida para acomodar as restrições físicas. Atualmente são dois compromissos por mês. Dependendo da situação, três, no máximo. 

O que Pelé gostaria agora é de se aproximar à nova diretoria do Santos. Ele se reuniu no início de fevereiro com o presidente José Carlos Peres para falar do assunto.

A ideia é que o ex-jogador seja uma espécie de presidente de honra do clube. Os dois já haviam conversado por telefone logo após Peres ter sido eleito, em dezembro do ano passado.

No encontro, Pelé falou que gostaria de conhecer o técnico Jair Ventura, algo que repetiu várias vezes a pessoas próximas desde o início do ano. Lembra sempre que Ventura é filho do seu amigo Jairzinho, com quem foi campeão mundial em 1970.

A diretoria santista e a assessoria de Pelé combinaram de tentar agendar uma data para esse encontro.

Desde que não comprometa a fisioterapia e a urgência que o maior jogador de todos os tempos sente de ir à Copa do Mundo da Rússia, que começa em 14 de junho deste ano.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.