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Fifa apresenta projeto bilionário aos sete times mais ricos do mundo

Reunião aconteceu após a Uefa questionar a expansão do Mundial de Clubes

Tariq Panja
Londres | The New York Times

Representantes de sete dos mais ricos clubes de futebol do planeta, entre os quais Manchester United, Barcelona e Real Madrid, visitaram a Fifa na quarta-feira (9) para uma reunião particular cujo objetivo era conquistar a adesão dos clubes, na batalha cada vez mais acirrada para criar um novo e multibilionário campeonato mundial interclubes.

O grupo também incluía representantes do campeão inglês Manchester City; da Juventus, da Itália; do Paris Saint-Germain, da França; e do perene campeão alemão Bayern de Munique.

Os sete clubes convidados para a reunião tiveram receitas combinadas de mais de US$ 4 bilhões em 2017 e controlam uma base maciça de torcedores em todo o mundo, que pode ser crítica para garantir sucesso nas sigilosas discussões da Fifa sobre o novo torneio, que tem o codinome "Projeto Troféu".

A reunião aconteceu um dia depois que o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, escreveu a Gianni Infantino, o presidente da Fifa, questionando a sabedoria de vender uma versão expandida da atual Copa do Mundo de Clubes, realizada anualmente pela Fifa, a um consórcio liderado pelo SoftBank, do Japão, que controla o maior fundo mundial de investimento em tecnologia. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU) estão entre os principais participantes do consórcio.

Infantino e a Fifa mantiveram sigilo sobre aspectos cruciais das negociações. Invocando um acordo de confidencialidade, Infantino não revelou a identidade dos participantes do consórcio nem mesmo ao conselho governante da Fifa. Ele revelou pouco, limitando-se a dizer que o grupo estava entre "os mais sólidos" do mundo. O consórcio disse a Infantino que está disposto a investir até US$ 25 bilhões pelo direito de ser proprietário de um torneio mundial entre 24 clubes, e de uma liga mundial de seleções nacionais que teria organização separada.

Os detalhes sobre o envolvimento do SoftBank não foram confirmados pela Fifa, e a empresa não comentou sobre seu possível envolvimento. Mas a simples proposta de um novo torneio envolvendo os principais clubes do planeta exacerbou a discórdia persistente entre a Fifa e a Uefa, a organização que comanda o futebol europeu, sobre a primazia no esporte.

A Fifa controla a Copa do Mundo, o torneio de futebol mais visto do planeta, mas a Uefa é consideravelmente mais rica graças ao seu controle da imensamente popular Liga dos Campeões. Essa competição anual interclubes permite que a Uefa arrecade US$ 15 bilhões em receita, em um ciclo de quatro anos, ou quase três vezes o que a Fifa fatura no mesmo período.

As conversações entre a Fifa e um grupo de clubes de elite ameaçam a harmonia entre os membros da Associação Europeia de Clubes (AEC), que tem mais de 200 integrantes. O Liverpool, finalista da Liga dos Campeões este ano; a Roma, equipe que o Liverpool venceu nas semifinais do torneio; e o Arsenal, cujo presidente do conselho, Ivan Gazidis, faz parte do conselho da AEC, estavam entre os clubes poderosos que não participaram das discussões da quarta-feira.

A Fifa afirmou em comunicado que a AEC continua a ser parte do processo de consulta, embora tivesse admitido que está se reunindo com diferentes interessados, entre os quais clubes individuais, federações e jogadores, para "obter os diferentes pontos de vista dos envolvidos e alargar o debate".

"A reunião de hoje nos permitiu observar um interesse real pela reforma da Copa do Mundo de Clubes e pelo desenvolvimento de um novo modelo de competição que beneficiaria toda a comunidade do futebol ao redor do planeta", disse a Fifa.

O lado financeiro do projeto, no entanto, pode não produzir os US$ 25 bilhões que as manchetes e notícias de ampla circulação atribuem como quinhão da Fifa.

Nas conversações iniciais, o consórcio que fez a oferta, e inclui a Centricus Partners, uma companhia de investimentos de Londres, anunciou que o valor máximo só seria desembolsado se uma série de metas de receita fossem atingidas ao longo de períodos de quatro anos entre 2021 e 2033. Os investidores teriam o direito de abandonar a parceria ao final de cada período, caso os retornos não fiquem à altura das expectativas.

Por outro lado, o consórcio, no qual a Fifa deteria 51% de participação, teria o direito de renovar o acordo perpetuamente, por valor equivalente a 120% do montante dos contratos anteriores, caso os torneios tenham sucesso.

Sob a proposta atual, os investidores garantiriam à Fifa US$ 3 bilhões a cada edição da Copa do Mundo de Clubes, em torneios realizados a cada quatro anos. O pagamento pela liga mundial de seleções, cujos torneios seriam realizados a cada dois anos, seria de US$ 2 bilhões, com exceção da primeira dessas competições, que seria realizada com pagamento de apenas US$ 1 bilhão.

Em sua carta a Infantino, com cópia para diversos outros dirigentes do futebol europeu, Ceferin expressou diversas preocupações sobre o conceito, entre as quais o sigilo continuado sobre as identidades dos envolvidos no consórcio. Ele também questionou o impacto das mudanças sobre o calendário já lotado do futebol mundial, e o aspecto econômico da oferta. A carta de Ceferin também alertou a Fifa, significativamente, sobre o risco de perder o controle do esporte para uma entidade comercial.

Quando Infantino revelou a proposta, em uma reunião do conselho da Fifa em março, ele disse que o acordo precisaria ser fechado em 60 dias. Mas os membros da entidade se recusaram a apoiar a proposta, mencionando a natureza misteriosa da oferta e outros preocupações. A oposição deles só cresceu, de lá para cá.

Na terça-feira, uma organização que congrega federações de futebol, chamada World Leagues Forum, liderada pelo chairman executivo da Premier League inglesa, Richard Scudamore, fez um alerta à Fifa, afirmando que o comitê de orientação do fórum "havia concordado em que os planos para estender quaisquer competições que tenham impacto negativo sobre o calendário de jogos já congestionado serão alvo de vigorosa oposição".

A organização também afirmou que resistiria a qualquer mudança que afete o equilíbrio nas competições nacionais. Sob as propostas para a Copa do Mundo de Clubes expandida, 75% da receita total, mais de US$ 2 bilhões por torneio, seria distribuída aos clubes participantes. Os críticos dizem que isso tornaria os clubes já ricos ainda mais poderosos no mercado de contratação de jogadores, e solidificaria seu domínio diante dos rivais nacionais.

Tradução de Paulo Migliacci

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