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'Mané Garrincha russo', estádio repete indefinição pós-Copa

Parecida com o estádio de Brasília, arena russa não sabe como será usada após o Mundial

Fábio Aleixo
Ninji Novgorod

Onde há três anos não havia nada na confluência dos rios Oka e Volga, hoje se destaca um gigante de pouco mais de 46 m de altura: o estádio de Nijni Novgorod, sede de seis jogos da Copa do Mundo da Rússia, incluindo um das oitavas e um das quartas de final.

Quem olhar de relance a fachada da arena vai pensar estar diante do estádio Mané Garrincha, em Brasília. 
O formato redondo e as 88 colunas do lado externo dando sustentação ao teto —do lado interno são mais 44 — fazem deste palco russo praticamente uma réplica do brasileiro. E não à toa. 

Vista aérea do estádio de Nijni Novgorod, uma das sedes da Copa do Mundo da Rússia
Vista aérea do estádio de Nijni Novgorod, uma das sedes da Copa do Mundo da Rússia - 26.ago.2017 - Maxim Shemetov/Reuters

A companhia de arquitetura responsável por desenhar os dois foi a mesma, a GMP-Architekten, da Alemanha.

A diferença é que em Nijni os pilares externos são em formato triangular e não redondos. A capacidade é bem menor. São 45 mil espectadores, contra 72.800 de Brasília.

Os custos de construção também diferem. O estádio russo foi erguido por cerca de 17,9 bilhões de rublos (R$ 1 bilhão) enquanto o de Brasília custou R$ 1,8 bilhão.

O que pode unir os dois mais uma vez no futuro é a utilização pós-Copa.

Quatro anos após o Mundial do Brasil, o Mané Garrincha raramente recebe jogos de futebol, que deixou de ser sua principal atividade. Em todo o Campeonato Brasiliense de 2018 foram só sete partidas.

Se transformou em um local majoritariamente para shows e outras festividades, em uma cidade em que não há times nas três primeiras divisões do futebol nacional. O grupo Arena BSB —formado pela RNGD e Amsterdam Arena— quer fazer desta uma prática ainda mais comum de agora em diante caso assuma a administração do estádio.

Em Nijni, a Copa do Mundo nem começou, mas a discussão é sobre a forma de utilizá-lo e como fazer a manutenção, que custará cerca de 300 milhões de rublos por ano (R$ 16,5 milhões).

Único time da cidade, o Olimpiets tem apenas três anos de existência, joga na segunda divisão e corre grande risco de ser rebaixado para a terceira. A duas rodadas do fim, está somente um ponto fora da zona de descenso. Em seus jogos como mandante, leva, em média, 1,7 mil torcedores por jogo.

Os 28 mil que estiveram presentes no sábado (28) para o segundo jogo-teste da arena —entre o Olimpiets e o Rotor Volgogrado — foram uma exceção, e não à toa estabeleceram um recorde para eventos esportivos no município.

“O nosso projeto é para que alguma companhia assuma o estádio por pelo menos cinco anos e cuide destes gastos. Estamos trabalhando junto com o Ministério do Esporte da Rússia para encontrar uma solução. Hoje, a responsável pelo estádio é a administração municipal”, disse Dimitri Svatkosvski, vice-governador da região de Nijni Novgorod. 

 

A ideia é que o local não receba apenas partidas de futebol, mas também possa sediar congressos, espetáculos musicais e outros eventos esportivos como provas de motocross e partidas de hóquei no gelo.

O aluguel de camarotes para que empresas montem escritórios, academias, entre outras atividades, também faz parte dos desejos das administrações municipal e regional.

Estádio Mané Garrincha, em Brasília, que tem arquitetura parecida com a do estádio de Nijni Novgorod, na Rússia
Estádio Mané Garrincha, em Brasília, que tem arquitetura parecida com a do estádio de Nijni Novgorod, na Rússia - Marcelo D. Sants/Framephoto/Folhapress

“Para este estádio justificar os gastos apenas com futebol, precisamos ter ao menos 20 jogos por ano aqui”, disse o governador Gleb Nikitin.

Criar esta cultura futebolística é vista como um desafio. E muito vai depender do sucesso que alcançará o Olimpiets dentro de campo ao longo dos próximos anos.

A equipe não conta com nenhum tipo de financiamento público, mas há incentivos fiscais para empresas da região que queiram investir no clube.

“Esperamos que o Olimpiets jogue bem, haja partidas de alto nível e as pessoas se empolguem. Que sejam 30 mil torcedores por jogo”, disse Serguei Panov, ministro do Esporte da região de Nijni Novgorod.

A aposta também é pelo desenvolvimento urbano e comercial da região do estádio que a partir de meados de maio será servida por uma nova estação de metrô.

Pesquisa divulgada em 2014 por uma agência independente apontava que 68,1% dos entrevistados na cidade apoiavam o lugar escolhido para construção do estádio.

O jornalista viajou a convite do Comitê Organizador da Copa do Mundo

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