Descrição de chapéu Copa do Mundo messi

Após protestos, Argentina suspende amistoso contra Israel em Jerusalém

Partida seria no sábado e seria a última preparação da equipe antes da estreia na Copa

Alex Sabino
São Paulo

Para Jorge Sampaoli, técnico da seleção argentina, foi um cancelamento que veio em boa hora. Ele nunca quis ir a Jerusalém disputar amistoso contra Israel no próximo sábado (9), a uma semana da estreia na Copa do Mundo. Nesta terça (5), a partida foi suspensa por decisão da AFA (Associação de Futebol Argentino).

Os protestos e a reação internacional à realização do amistoso falaram mais alto. A entidade também recebeu ameaças e temeu pela segurança dos jogadores. Eles também não morriam de amores com a ideia da viagem. Estava programada uma visita deles ao Muro das Lamentações. Nesta terça, 30 manifestantes da causa palestina foram à porta do centro de treinamento do Barcelona, onde a seleção faz uma semana de treinos antes do torneio. Levaram uniformes pintados de vermelho, simbolizando que a camisa argentina estaria manchada de sangue. 

Militante da causa palestina protesta e mostra camisa da seleção pintada de vermelho em frente ao CT do Barcelona,  durante treino da seleção argentina
Militante da causa palestina protesta e mostra camisa da seleção pintada de vermelho em frente ao CT do Barcelona, durante treino da seleção argentina - Albert Gea/Reuters

A partida aconteceria em momento sensível nas relações entre israelenses e palestinos, dois povos que consideram Jerusalém sua capital. O governo dos Estados Unidos decidiu levar a embaixada em Israel para a cidade, o que causou indignação na Palestina. 

"Messi, não vá!", gritavam manifestantes na entrada do CT em Barcelona.

A ideia de Sampaoli era fazer uma partida nesta semana na cidade espanhola, última preparação antes do Mundial. Não achava conveniente embarcar em uma viagem de avião e chegar em Bronnitsy (55 km de Moscou), onde será o bunker da equipe durante a Copa, apenas no próximo dia 10. A AFA agora buscará um adversário para satisfazer a vontade do treinador.  Malta e San Marino são duas opções de adversários. 

Desde que foi marcado, o amistoso era um problema de logística. Foi confirmada para Jerusalém, Tel Aviv, Haifa, Barcelona e voltou para Jerusalém. Seria disputada no Teddy Kollek Stadium.

A AFA ainda deixa aberta a possibilidade de mudar a partida mais uma vez de local e pensa em Haifa. Mas os jogadores se reuniram com o presidente da entidade, Claudio Tapia, e disseram não quererem viajar. 

Trata-se de perda sentida no caixa da entidade que comanda o futebol argentino, além da impossibilidade de cumprir uma superstição.  O jogo seria usado pelo governo como parte das comemorações dos 70 anos do Estado de Israel. A Federação do país pagaria à AFA US$ 2 milhões (R$ 7,6 milhões). 

“A partida será importante porque precisamos dos recursos”, disse Tapia, que alega ter assumido o comando de uma entidade sem dinheiro em caixa.

Tapia lembrou que antes da campanha do título mundial de 1986, no México, a seleção argentina foi à Israel jogar. Venceu por 7 a 2 e antes do jogo Diego Maradona e outros integrantes da delegação visitaram o Muro das Lamentações. Passeio que não será repetido neste mês.

Com pouco tempo para treinar desde que assumiu a seleção, em julho do ano passado, Sampaoli quer usar todos os dias disponíveis para acertar o estilo de jogo para o Mundial. Isso inviabilizou até mesmo uma visita ao papa Francisco, em Roma, que aconteceria nesta semana. A assessoria do Vaticano chegou a confirmar a audiência papal, mas depois desmentiu.

A questão dos amistosos foi um ponto em que Tapia e Sampaoli tiveram de acertar os ponteiros. O treinador não gostou do nível técnico dos rivais para partidas imaginadas pela AFA quando foi escolhido para o cargo. Pediu adversários de maior peso para preparar a equipe. Tapia conseguiu fechar datas contra Itália e Espanha. Desta última, a Argentina sofreu goleada por 6 a 1

Embora afirme não se deixar levar pela superstição, a administração de Tapia na AFA ficou marcada pela ida do místico Brujo Manuel ao Equador, para o confronto decisivo pelas eliminatórias. A Argentina precisava vencer para se classificar. Messi fez três gols e a equipe ganhou por 3 a 1. Antes da partida, o “convidado” caminhou ao redor do campo para espantar as energias negativas. Recebeu elogio do presidente, de que sua presença foi muito importante.

 
O amistoso com Israel antes do torneio é a retomada de uma tradição. Aconteceu entre 1974 e 1994. 
A ideia não agradou à Associação de Futebol da Palestina, que enviou uma carta de protesto à AFA. A entidade não condena a realização do amistoso, mas a escolha do estádio em Jerusalém. “É uma decisão que no contexto atual a associação rechaça e condena. O campo obrigatório para esta partida era Haifa”, diz o texto.
 
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