Lesão de Lanzini amplia lista de problemas de Sampaoli na Argentina

Meia rompeu o ligamento cruzado do joelho direito no treino desta sexta

Manuel Lanzini
Manuel Lanzini, em jogo da Argentina contra o Haiti, em Buenos Aires - Agustin Marcarian - 29.mai.2018/Reuters
Alex Sabino
Moscou

Bronnitsi (55 km de Moscou) dá os últimos retoques para receber a seleção argentina. Não é muita coisa, na verdade. As ruas estão mais limpas do que de costume.

Cartazes foram colocados nas proximidades do centro de treinamento que vai receber os jogadores. Dão as boas vindas. São para todos os integrantes da delegação que disputará a Copa do Mundo, mas especialmente para Lionel Messi.

Na pequena cidade de 21 mil habitantes o técnico Jorge Sampaoli espera ter a paz que não encontrou desde que assumiu o comando da equipe, em julho do ano passado.

Quando ele achou que o pior havia passado, após a confusão do amistoso não realizado com Israel em Jerusalém, teve de realizar uma reunião de emergência com sua comissão técnica para decidir o que fazer para substituir Manuel Lanzini, 25.

O meia sofreu ruptura do ligamento cruzado do joelho direito no treino desta sexta (8) pela manhã, em Barcelona e foi cortado.

Lanzini passou a tarde desta sexta chorando, inconsolável. Seria seu primeiro Mundial.

A Argentina chega a Bronnitsy neste sábado (9), por volta das 21 horas, segundo a assessoria de imprensa da AFA (Associação de Futbol Argentino).

O prazo de recuperação é de no mínimo seis meses. Uma das opções para o treinador seria chamar Ricardo Centurión, do Racing (ARG) e ex-São Paulo. Mas o meia-atacante passou por cirurgia para retirada do apêndice na semana passada.

O principal favorito passa a ser Diego Perotti, da Roma (ITA). Mas há outros candidatos: Enzo Perez (River Plate-ARG), Leandro Paredes (Zenit-RUS) Guido Pizarro (Sevilla-ESP), Pablo Perez (Boca Juniors-ARG) e Joaquim Correa (Atlético de Madri-ESP).

Sampaoli foi contratado para estabilizar o barco depois da passagem fracassada de Edgardo Bauza e dos problemas políticos da AFA. Foi tudo o que não conseguiu.

Seus 11 meses à frente da seleção têm sido marcados por uma confusão atrás da outra.

“Ele tem de tomar as decisões por ele mesmo e esquecer todo o resto. Espero que ele tenha definido o que deseja e qual é a equipe para a Copa”, afirma Cesar Luis Menotti, treinador campeão mundial de 1978 e amigo de Sampaoli.

Um dos jogadores que o atual técnico da seleção mais confiava, Lanzini faria parte de um trio de meias que jogariam logo atrás do atacante mais avançado, Higuaín ou Aguero. Atuaria ao lado de Messi e Di María.

Mas ele não é o primeiro titular que Sampaoli perde. Nos treinos em Buenos Aires, teve de cortar o goleiro Sergio Romero também por causa de lesão no joelho. Chamou Nahuel Guzmán, do Tigres (MEX).

A saída fez com que a mulher do goleiro, a modelo Eliana Guercio, se queixasse no Twitter que seu marido poderia ter se recuperado a tempo de jogar o torneio. Insinuou que ele foi excluído do elenco para favorecer outros jogadores.

O treinador Jorge Sampaoli caminha no gramado durante o treinamento da Argentina desta sexta-feira, no CT do Barcelona
O treinador Jorge Sampaoli caminha no gramado durante o treinamento da Argentina desta sexta-feira, no CT do Barcelona - Josep LAGO/AFP

Lesões são fatalidades, mas algumas das turbulências que Sampaoli enfrentou foram causadas por ele mesmo. Ao ser parado em uma blitz policial em Casilda, sua cidade natal, em dezembro do ano passado, o técnico insultou um policial.

Chamou-o de “idiota” que ganhava 100 pesos (R$ 15) por mês. Ao perceber a repercussão negativa, pediu desculpas.

Quando a polêmica aconteceu, a seleção havia conseguido se classificar para a Copa da Rússia apenas porque Lionel Messi resolveu a partida contra o Equador, em Quito, no momento mais dramático. A equipe necessitava vencer para obter a qualificação.

Em conversas com o presidente da AFA, Claudio Tapia, Sampaoli disse que gostaria de adversários qualificados até a Copa. Era melhor não enfrentar rivais mais fracos, como era a ideia inicial da cartolagem.

Foram marcados amistosos contra Itália e Espanha. Deste último, a Argentina perdeu por 6 a 1, abalando a confiança dos próprios jogadores.

“Não somos favoritos ao Mundial”, disse o próprio Messi após o jogo.

Para a despedida em Buenos Aires antes da viagem para treinos na Espanha houve a mudança. O rival foi o Haiti, com vitória argentina por 4 a 0.

Sampaoli atraiu críticas por ter visitado o presidente Mauricio Macri, enquanto os dois enfrentavam crises técnica (o treinador) e administrativa (o político). A AFA não ajudou quando insistiu que os jogadores fossem à Roma para uma audiência antes da ida à Rússia.

Com pouco tempo antes do torneio, o técnico preferia usar o dia para treinar. O Vaticano chegou a confirmar a visita, mas depois voltou atrás.

Da mesma forma que a Associação fez com relação ao amistoso com Israel, que causou furor na Palestina por ter sido marcado para Jersusalém. Sampaoli não queria a partida, assim como os jogadores. Foi cancelada.

O treinador tem evitado comentar todos os problemas ou minimizá-los. Adota a frase que tem tatuada em seu antebraço direito: “No escucho y sigo” (não escuto e sigo).

Em Bronnitsy, a Argentina não vai encontrar clima de Copa do Mundo. Os moradores da cidade têm curiosidade em ver Messi apenas.

Para o treinador, é melhor assim. O que ele espera é que o centro de treinamento lhe ofereça a paz que não encontrou até hoje, a oito dias da estreia no torneio, contra a Islândia, em Moscou.

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