Descrição de chapéu Copa do Mundo DeltaFolha

Presentes em 1 a cada 3 jogos, retrancas pesadas falham na Copa da Rússia

Na maioria dos casos, retranqueiros perderam da seleção mais ofensiva

Fábio Takahashi Guilherme Garcia Leonardo Diegues
São Paulo

Presente em quase um terço dos jogos da Copa até agora, a tática conhecida como retranca tem dado trabalho para seleções tradicionais como Brasil, Alemanha e Argentina. No geral, porém, essa estratégia defensiva vem se mostrando pouco efetiva em termos de resultados.

A Folha analisou todas as 32 partidas da primeira e da segunda rodada, encerrada neste domingo (24). Em nove delas, a maior parte do jogo ficou concentrada na defesa e na intermediária defensiva de uma das equipes. 

Nesses times retrancados, de sete a oito atletas passaram a maior parte do jogo em seu campo defensivo.

Messi tenta se desvincilhar de três marcadores islandeses na primeira rodada da Copa
Messi tenta se desvincilhar de três marcadores islandeses na primeira rodada da Copa - Wang Yuguo/Xinhua

Nos demais jogos, houve um equilíbrio em termos de toques na bola e distribuição dos jogadores no campo.

Entre os times que jogaram retrancados, apenas três conseguiram vencer ou empatar.

Duas dessas partidas ocorreram na primeira rodada. Na primeira, a estreante em Copas Islândia (22ª do ranking da Fifa) arrancou um empate da Argentina, bicampeã mundial (5ª colocada).

Foi no seu próprio campo defensivo que 8 dos 11 jogadores do time europeu mais tocaram na bola. Entre os argentinos, apenas 4 atletas ficaram mais na defesa (os dados são da empresa Opta, tabulados pela reportagem).

"Jogamos contra uma equipe que se estruturou muito bem na defesa, com grande densidade de gente", afirmou o técnico Jorge Sampaoli, da seleção argentina.

Atual campeã, a Alemanha também parou em um sistema defensivo, o do México. Os latinos, com contra-ataques bem armados, ainda fizeram um gol e venceram.

Os mesmos alemães parecem ter entendido como vencer bloqueios desse tipo e, na segunda rodada, conseguiram bater a retranca da Suécia.

Considerando todos os toques dados na bola na partida, a grande área sueca é onde mais houve eventos. Ou seja, eram os suecos defendendo, e os alemães, atacando.

Apesar de terem somado poucos pontos até aqui, os times mais defensivos têm dado muito trabalho. A Alemanha conseguiu bater a Suécia com gol apenas aos 50 minutos do segundo tempo (o empate dificultaria muito sua classificação às oitavas de final).

A seleção brasileira também enfrentou uma equipe que pode ser considerada como retrancada, a Costa Rica. Os gols brasileiros saíram apenas nos acréscimos da etapa final.

Philippe Coutinho chutou de bico dentro da área, e Neymar aproveitou cruzamento do lado direito, marcando pela primeira vez no Mundial.

"[A Costa Rica] tem muita qualidade, se defende muito bem. Tivemos paciência até o fim do jogo e fomos recompensados", afirmou Coutinho.

Na segunda rodada, apenas Portugal conseguiu ganhar pontos com retranca (para entrar nessa categoria, ao menos metade dos passes do jogo inteiro foram feitos entre seu próprio gol e cinco metros antes do meio de campo).

Cristiano Ronaldo fez de cabeça aos quatro minutos contra o Marrocos, que é apenas o 41º no ranking da Fifa; Portugal é 4º.

No restante da partida, os europeus concentraram seus jogadores em seu próprio campo para garantir a magra vitória. "A equipe [do Marrocos] tem muita intensidade, jogadores rápidos no ataque", disse o técnico de Portugal, Fernando Santos, explicando por que a equipe levou sufoco. Ele lamentou que seu time não tivesse ficado mais com a posse de bola.

O fato de as retrancas feitas por seleções com menos tradição não terem funcionado na segunda rodada fez com que resultados considerados como zebras diminuíssem neste Mundial na Rússia.

A reportagem analisou todos os jogos das duas primeiras rodadas de Copas em que uma seleção tinha ao menos dez posições acima da adversária no ranking da Fifa, no início da competição (o ranking é atualizado ao menos uma vez por ano).

Se o time favorito (com melhor ranking) empatou ou perdeu, foi considerado como resultado inesperado.
Até a primeira rodada, este Mundial só tinha tido mais zebras do que o de 2010, considerando as últimas sete edições. 

Comparando agora as competições até a segunda rodada, outras duas Copas tiveram mais zebras que na Rússia, que empatou com a de 2014.

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