Thaisa supera 'joelho de 80 anos' para seguir na seleção de vôlei

Jogadora é única remanescente da equipe campeã em Pequim-2008 no grupo que disputará Mundial

Thaisa durante entrevista em treino da seleção em Saquarema (RJ)
Thaisa durante entrevista em treino da seleção em Saquarema (RJ) - Antônio Carlos/Futura Press/Folhapress
Daniel E. de Castro
São Paulo

Única remanescente da seleção brasileira de vôlei que conquistou a medalha de ouro nos Jogos de Pequim-2008, Thaisa Daher, 31, não sente nas costas o peso de ser bicampeã olímpica em meio a um grupo que passa por momento de renovação.

Se a atleta de 1,96 m sofre algum tipo de sobrecarga, ela está concentrada no seu joelho esquerdo. No ano passado, após romper parcialmente um ligamento, a central passou por cirurgia e ficou sem atuar por dez meses.

A jogadora, que já tinha dores no local antes da operação, optou pelo procedimento após sofrer outra lesão, esta no tornozelo direito, quando atuava por um clube da Turquia em abril do ano passado.

Thaisa classifica a segunda lesão como “providência divina” para não continuar forçando o joelho, que já estava destruído e não teria recuperação sem a cirurgia.

Em novembro, ainda parada, ela voltou ao voleibol brasileiro e assinou contrato com o Hinode Barueri, time comandado pelo treinador da seleção feminina, José Roberto Guimarães.

Seu retorno às quadras ocorreu em fevereiro, e a temporada da equipe paulista acabou um mês depois, com a eliminação nas quartas de final da Superliga 2017/18.

Desde maio, ela vem treinando na preparação para o Campeonato Mundial, que terá início em 29 de setembro, no Japão. Em julho, participou da Copa Pan-Americana, seu primeiro torneio pelo país desde os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

Thaisa afirma que ainda tem condições e vontade de defender o time nacional, mas reconhece que as recentes lesões mudaram sua rotina.

“Meus treinos são controlados e terão que ser sempre. Infelizmente, eu tenho um joelho de ‘80 anos’ [risos], sinto um pouco de dor ainda, mas paciência. Só de poder estar jogando já é uma vitória. Pode-se dizer que um milagre”, afirma a central à Folha.

De acordo com a bicampeã olímpica, sua carreira esteve em risco ao seguir a primeira opinião médica, de que o quadro não era tão grave.

O currículo extenso e vitorioso com a seleção, segundo ela, não faz com que reivindique posição de liderança no atual grupo de jogadoras.

“Eu estou mais preocupada em conseguir voltar a jogar em alto nível do que em pensar em liderar ou qualquer coisa do tipo. Espero poder ajudar, voltar e conseguir chegar ao nível das meninas novamente”, diz.

Desde a eliminação na Olimpíada do Rio, na derrota para a China nas quartas de final do torneio, o treinador Zé Roberto busca renovar o elenco. Nos últimos meses, porém, ele voltou a chamar atletas que estiveram na última edição dos Jogos.

Além de Thaisa, outras cinco participantes do evento no Rio estão na preparação para o Mundial deste ano.

A levantadora Dani Lins, 33, também voltou recentemente à seleção, após o nascimento de sua filha. As outras são a central Adenízia, 31, e as ponteiras Natália, 29, Gabi, 24, e Fernanda Garay, 31, esta última recém-chamada após inicialmente ter pedido para não estar na lista de convocadas.

De todas as remanescentes de 2016, apenas Gabi não participou também do segundo ouro olímpico do time feminino, nos Jogos de Londres-2012.

Com os retornos de Thaisa, Fê Garay e Dani Lins, o técnico passa a ter um grupo mais experiente para buscar o título mundial. Mas para chegar lá ele sabe que ainda precisa formar uma equipe mais estável.

Desde a derrota precoce no Rio, o Brasil alternou altos e baixos. Foi campeão do Grand Prix, competição mais importante do ano passado, depois de quase ter não ter avançado à etapa decisiva, com a participação de seis seleções.

Neste ano, voltou a oscilar e acabou apenas na quarta colocação da Liga das Nações, torneio anual que substituiu o Grand Prix no calendário.

Em maio, no início da liga, Zé Roberto traçou previsão realista para o ciclo olímpico até Tóquio-2020. “Eu espero que, apesar do caminho árduo, das dificuldades que vamos passar, de crises que vão acontecer, a gente consiga superar sempre”, disse à Folha.

O Mundial será uma nova oportunidade de a seleção conquistar um título inédito.

Até hoje, foram três vice-campeonatos (1994, 2006 e 2010) e um terceiro lugar (2014). Também seria a chance de a equipe voltar a brilhar, após a decepção em casa.

Ainda que a derrota para a China seja o resultado mais recente em torneio de primeiro nível, Thaisa nega que o grupo estará pressionado no Japão. “A equipe está completamente diferente. Pressão sempre terá, por ser Brasil, mas não em referência à Rio-2016”, diz.

Thaisa Daher de Menezes, 31

Nascida no Rio de Janeiro em 15.mai.1987, a central de 1,96 m é bicampeã olímpica (Pequim-2008 e Londres-2012) e já defendeu os times Tijuca Tênis Clube, MRV/Minas, Rexona/Ades, Osasco, Eczacibasi Vitra (TUR) e Hinode Barueri

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