Lesões variadas atormentam os principais tenistas do circuito mundial

Federer, Nadal, Djokovic e Murray machucaram diferentes partes do corpo nos últimos anos

Daniel E. de Castro
São Paulo

Entre os quatro tenistas que dominaram o cenário do esporte nos últimos anos, não há um que tenha ficado imune a lesões complexas em temporadas recentes.

Joelho, quadril, cotovelo, abdômen, punho... A lista de partes do corpo afetadas em um esporte como o tênis, exigente com os membros inferiores e superiores, é extensa.

"O tênis é um esporte difícil para se programar porque os jogos não têm tempo para acabar. O excesso de repetições provoca desgaste e desequilíbrio corporal. Dizemos que é um esporte assimétrico, que entorta o corpo", afirma Eduardo Faria, preparador físico do Brasil na Copa Davis.

Desde 2016, Roger Federer, 37, Rafael Nadal, 32, Novak Djokovic, 31, e Andy Murray, 31, os únicos que lideraram o ranking a partir de 2004, estiveram um período considerável fora das quadras. Dos últimos 12 Grand Slams, apenas 4 reuniram todos esses nomes.

Em 2016, o suíço, que passou a maior parte da carreira sem grandes problemas físicos, abriu mão da temporada após perder nas semifinais de Wimbledon. Federer optou por tirar o segundo semestre para se recuperar de cirurgia no joelho esquerdo feita meses antes. Deu certo, e no ano seguinte ele voltou a vencer dois títulos de Grand Slam.

Em 2017 foi a vez de Djokovic e Murray saírem de ação após Wimbledon. O sérvio com lesão no cotovelo direito, e o britânico, no quadril.

Djokovic retornou no início de 2018 sem confiança e ritmo. Em fevereiro, decidiu se submeter a uma operação no cotovelo e demorou a se recuperar, acumulando derrotas contra adversários mais fracos. O sérvio deslanchou a partir da temporada de grama. Venceu Wimbledon, US Open e reassumiu a ponta do ranking.

Murray, que também passou por cirurgia, ainda não reencontrou seus dias vitoriosos. O britânico voltou às quadras em junho, após quase um ano parado, e disputou apenas 12 jogos desde então.

Nadal não precisou se afastar por um período mais longo nos últimos anos, mas várias vezes foi obrigado a desistir de torneios importantes.

Neste ano, ele abandonou a semifinal do US Open contra Juan Martín Del Potro após sentir dor no joelho direito.

Quando essa parte do corpo deu trégua, no entanto, uma lesão no abdômen o impediu de voltar a jogar. O espanhol, então, aproveitou a pausa forçada para fazer uma cirurgia no tornozelo, que segundo sua equipe já estava prevista.

Também é emblemático o histórico do argentino Del Potro, quinto colocado do ranking, que já passou por quatro cirurgias nos punhos (três no esquerdo e uma no direito), a última delas em 2015. Em outubro, ele anunciou que não jogaria mais no ano após sofrer uma fratura no joelho.

"É um golpe muito duro, que me deixa sem forças. É muito difícil estar em recuperação novamente, eu não esperava", disse o tenista de 30 anos.

Mesmo com os avanços da medicina esportiva e dos métodos de treinamento, nem mesmo os atletas com mais recursos para se preparar podem ficar tranquilos.

"Todo mundo está sujeito a passar por lesão em algum momento. Os caras põem tanto estresse no corpo deles que não tem equipe que vai salvar. Vai fazer com que ocorra o mínimo possível, como é o caso do Federer, mas ninguém está ileso", diz Cassiano Costa, diretor de preparação física da Evert Tennis Academy.

Para exemplificar os danos que o tênis pode provocar ao corpo, Costa cita o movimento de saque. "Toda vez que você imprime força no chão, ele devolve a força para o corpo. Num salto, ela pode chegar a nove vezes o peso corporal. Imagine que toda vez que o atleta saca, ele salta, às vezes em uma perna só", explica.

Faria diz que o calendário de 11 meses de torneios dá pouca margem para uma boa preparação. "O alto rendimento não é saudável para o corpo. A pré-temporada é o único momento em que você consegue construir a base do jogador."

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