Medalhista olímpico, Hypólito diz estar há sete meses sem receber salário

Ginasta é funcionário da Prefeitura de São Bernardo e compete pela cidade

O ginasta Diego Hypolito beija sua medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de 2016
O ginasta Diego Hypolito beija sua medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de 2016 - Mike Blake/Reuters
São Paulo | UOL

O ginasta Diego Hypólito usou o Instagram para reclamar de atrasos de salário envolvendo a prefeitura de São Bernardo do Campo. O atleta competia pela cidade e afirmou não ter recebido sete rendimentos do seu contrato de 24 meses.

"Foram sete meses sem receber e ainda me submetendo a ficar calado, pois qualquer coisa dita podia espantar novos patrocinadores", afirmou Diego. "Em certo momento cogitei abrir mão de quatro meses, desde que os pagamentos se tornassem pontuais. Nem assim cumpriram o que foi acordado", continuou.

Diego disse que a prefeitura de São Bernardo chegou a pedir que ele reduzisse os valores dos salários para que conseguissem pagar.

"Eles estavam atrasados há muito tempo. Conversaram uma época comigo e perguntaram se eu podia reduzir o valor, pois não teriam como pagar os últimos quatro meses do ano. Eu, com maior das boas intenções, falei que abdicava de quatro meses de salário se eles começassem a me pagar em dia nos próximos meses e no final eles quitariam os atrasados para honrar o contrato comigo. O que eles nunca fizeram", afirmou ao UOL.

De acordo com Hypólito, membros da Secretaria de Esporte de São Bernardo pediam para que o atleta não se manifestasse sobre os atrasos para não atrapalhar o acordo de patrocínio com a Caixa Econômica Federal.

Em nota enviada para o UOL Esporte, a prefeitura de São Bernardo nega que tenha coibido manifestações do atleta e afirma que o problema ocorreu porque a renovação de contrato com a Caixa não foi formalizada.

"O contrato foi encerrado em agosto e houve prorrogação até novembro, com as tratativas para a celebração de uma nova parceria. No entanto, o novo contrato não foi formalizado pelo presidente da Caixa na época, Nelson Antonio de Souza. Em maio de 2018, o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, em agenda oficial em Brasília, recebeu sinalização para a renovação do contrato da Caixa com o Município, incluindo verba também o Atletismo e outras modalidades, em audiência com o então presidente da República, Michel Temer, (cujo documento segue anexo), o qual não foi efetivado. Os valores eram na ordem de R$ 3,3 milhões", diz trecho do comunicado.

"A Secretaria de Esportes e Lazer refuta a afirmação sobre coibir qualquer atleta em sua manifestação. Ressalta que os atletas sempre foram informados de todas as questões relacionadas ao contrato com a Caixa. Inclusive foram chamados a serem comunicados da não renovação do contrato, que a Pasta recebeu a verba da Caixa em 28 de dezembro e que as parcelas dos meses de novembro e dezembro serão acertadas até o início de fevereiro de 2019", afirma a nota.

O imbróglio envolvendo a Caixa e a prefeitura de São Bernardo do Campo vem desde maio do ano passado. O banco decidiu encerrar o patrocínio na época depois de investir R$ 3 milhões no esporte da cidade. O acordo entre as partes terminava em agosto de 2018.

Um dos motivos para o término do acordo seria as acusações de abuso sexual envolvendo o ex-técnico do clube Fernando de Carvalho Lopes. Diego, no entanto, criticou a justificativa apresentada pelo município.

"A gente não sabe o que fazer em uma situação como essa. Eles falaram que a Caixa não renovou com eles e que não teria mais salário. Eles estavam falando que por causa dos absurdos (denúncia de abusos), a Caixa não quis mais renovar pelas questões do processo. Olha que absurdo".

 

"A sensação que dá é que a gente é sempre punido por falar a verdade, por tudo. Não tem muito o que fazer, a gente fica refém de uma sociedade hipócrita e corrupta", disse Diego. "Eu não acredito que isso seja verdade. Sempre que eu conversei com o pessoal da Caixa, o dinheiro tinha sido passado para a prefeitura. O pessoal da Caixa é muito parceiro com a gente. Não sei o que acontece", completou.

Confira o pronunciamento de Diego Hypolito no Instagram:

Alguém sabe o limite de um atleta? Eu quase descobri!

Foram sete meses sem receber e ainda me submetendo a ficar calado, pois qualquer coisa dita podia espantar novos patrocinadores.

Cansei, meus amigos!

Acabou meu vínculo com São Bernardo do Campo, a Caixa terminou o contrato. Eu não sei como a coisa andou, se a Caixa efetuava o pagamento, mas eu não recebi sete dos 24 meses que trabalhei por lá.

Em certo momento cogitei abrir mão de quatro meses, desde que os pagamentos se tornassem pontuais. Nem assim cumpriram o que foi acordado. Sempre me diziam "Diego, não fala nada! A Caixa pode achar ruim!". Aliás, eu sempre respeitei a Caixa, que é uma grande incentivadora do esporte brasileiro.

Estou treinando em alto rendimento, não tirei férias e estou focado para competir no calendário 2019. Uma pena que, mais uma vez, faltou seriedade na gestão esportiva. Talvez o prefeito de São Bernardo, pelo qual eu tenho a maior admiração e estima, não saiba que me devem sete meses de salário. Talvez, do mesmo jeito que me orientavam a não falar nada, o prefeito não soubesse, mas o pessoal da secretaria de esportes deu um show de amadorismo ao receber recursos da Caixa e não repassar ao atleta. Quero apenas receber meus sete meses de salário e a vida segue!

Começo 2019 sem nenhum patrocínio e nenhuma estrutura para treinar literalmente sem salário.

Vejamos a que ponto o esporte brasileiro chegou, sou medalhista olímpico.

Vamos esperar que com o novo rumo que esse país toma possamos encontrar gestores esportivos sérios e que possam nos ajudar a seguir em frente.

Para o Diego é só mais uma adversidade e eu vou me levantar!

A partir de segunda vamos procurar novo lugar para treinar, novos patrocinadores que acreditem no nosso potencial e gestores públicos que sejam sérios em cumprir com seus compromissos.

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