Descrição de chapéu Campeonato Paulista

Paulista vê média de público crescer sem atrair mais torcedores ao estádio

Total de pagantes do torneio muda pouco, mas redução de datas aumenta a média

São Paulo

Com os 46.481 pagantes em Itaquera no domingo (21), na vitória do Corinthians sobre o São Paulo por 2 a 1, na segunda partida da final do Campeonato Paulista, o Estadual terminou com um público médio de 10.689 torcedores por jogo.

Esse é o terceiro ano consecutivo em que o torneio ultrapassa a média de 10 mil espectadores por duelo.

O crescimento do público médio nos estádios paulistas coincide com a diminuição do calendário da competição, que passou a ter 110 partidas desde 2016, número que se manteve constante até o campeonato deste ano.

No início da década, a competição tinha um total de 198 jogos. Por isso, apesar do crescimento da média de público, o número total de torcedores que compareceram aos estádios sofreu pouca alteração, o que pode indicar que o interesse no torneio não aumentou de uma forma geral.

Em 2011, por exemplo, quando a média de público foi de 5.767 pagantes por jogo, o público total do torneio foi de cerca de 1,14 milhão.

Neste ano, com média de 10.689 pagantes, o total de ingressos vendidos para jogos do Paulista foi de aproximadamente 1,17 milhão.

Ao longo do período, o público total sofreu pouca variação. O menor foi em 2014, ano em que Ituano e Santos fizeram a final, com 904 mil torcedores, e o maior foi em 2013, último ano em que o torneio teve 198 partidas, com 1,25 milhão de ingressos vendidos.

 

No ano que vem, o número de jogos deve sofrer nova diminuição. No início do mês, o presidente da CBF, Rogério Caboclo, afirmou que pretende limitar todos os torneios estaduais a até 16 datas —atualmente são 18.

“Vamos enfrentar com determinação essa questão. Assumo o compromisso: a partir de 2020 as datas-Fifa estarão livres no calendário nacional de competições. As datas dos campeonatos estaduais serão reduzidas a 16. Não são decisões fáceis, mas são inevitáveis”, disse Rogério Caboclo ao assumir o cargo.

Neste ano, as datas-Fifa coincidiram com as quartas de final do Estadual de São Paulo. Assim, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos perderam jogadores brasileiros e estrangeiros que fazem parte dos seus elencos.

O time alviverde, por exemplo, que jogou nos dias 23 e 26 de março—mesmo dia dos amistosos da seleção brasileira contra Panamá e República Tcheca, respectivamente —, ficou sem o goleiro Weverton e o zagueiro paraguaio Gustavo Gómez contra o Novorizontino.

O Santos não contou com o também paraguaio Derlis González, o peruano Cueva e o venezuelano Soteldo diante do Red Bull. Já o Corinthians ficou sem o lateral Fagner, enquanto o São Paulo não teve o equatoriano Arboleda.

Os quatro clubes são os responsáveis por impulsionar a média de público do torneio. O Corinthians teve média de 35.910, enquanto o Palmeiras veio logo atrás, com 28.089. O São Paulo teve 22.142, seguido do Santos, com 16.269.

Considerado o principal Estadual do país, o Paulista tem contrato com a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão, até 2021.

No início do ano, a emissora não exerceu o direito de transmitir uma partida por rodada, como acontecia geralmente. Nas duas primeiras rodadas realizadas às quartas-feiras, em janeiro, a Globo abriu mão de exibir os jogos em TV aberta.

Assim, a FPF (Federação Paulista de Futebol) antecipou os jogos que a emissora transmitiria das 21h30 para 21h. Em reposta à Folha, a emissora afirmou que define o horário das transmissões dos jogos em parceria com a federação tentando atender às demandas do público. 

“Como detentora de direitos da competição, a Globo entra em acordo com as federações sobre a tabela dos campeonatos, incluindo dias e horários das partidas que serão transmitidas nas diferentes plataformas. É importante haver um equilíbrio entre as diversas janelas, de modo que todas atendam seu mercado e público, permitindo inclusive maiores receitas aos clubes”, disse em nota

No ano passado, Fernando Manuel, diretor de direitos esportivos do Grupo Globo, afirmou ao UOL que o calendário do futebol brasileiro deveria ser revisto em função do número de partidas. 

A emissora afirmou que não comentaria a diminuição de datas dos estaduais. 

O Palmeiras, por exemplo, que chegou à semifinal ou final de todas as competições que disputou em 2018 —vice-campeão paulista, semifinalista da Copa do Brasil e da Copa Libertadores e campeão brasileiro—, entrou em campo 74 vezes. Se chegasse à decisão da Copa do Brasil e da Libertadores, atuaria 78 vezes no ano passado.

A reportagem questionou a FPF sobre a possível redução no número de datas do Campeonato Paulista, mas a entidade não respondeu.

No ano passado, o Paulista foi responsável pelas três maiores audiências da Globo em jogos de clubes no estado. A final vencida pelo Corinthians diante do Palmeiras rendeu 43 pontos e superou o triunfo corintiano nos pênaltis contra o São Paulo, pela semifinal, em um ponto.

O Paulista é visto como vantajoso para os clubes em razão da cota de televisão. Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos, os quatro principais clubes do estado, recebem R$ 18 milhões cada um por três meses de competição.

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