Brasil vence Itália com gol de Marta e vai às oitavas na Copa

Atacante marca pela 17ª vez em Mundiais e torna-se a maior goleadora do torneio

Lucas Neves
Valenciennes (França)

Com um gol histórico de Marta, que a isolou na liderança da artilharia em Copas (17 gols), o Brasil venceu a Itália por 1 a 0 nesta terça (18) e garantiu sua passagem para as oitavas de final da Copa do Mundo da França.

Mas a notícia da lesão da atacante Andressa Alves, na coxa esquerda, a apenas algumas horas desse jogo decisivo levanta dúvidas sobre o condicionamento físico da seleção como um todo –e a capacidade de responder a exigências crescentes na fase de mata-mata, em que o time estreará enfrentando França ou Alemanha.

A atleta do Barcelona é a quarta a se machucar desde o começo da preparação do grupo, no fim de maio, em Portugal. Antes dela, Marta (já recuperada), Fabiana e Érika (ambas cortadas) se lesionaram durante os treinos.

Marta comemora gol contra a Itália ao lado de Thaisa
Marta comemora gol contra a Itália ao lado de Thaisa - Phil Noble/Reuters

Além delas, a centroavante Cristiane vem de uma série de passagens pela enfermaria e ainda não jogou nenhuma partida até o fim neste Mundial.

Após o duelo de terça, o técnico Vadão disse que a atacante Ludmila (que substituiu Andressa Alves) e a zagueira Kathellen haviam pedido em momentos distintos para sair de campo, por causa de câimbras ou simples cansaço.

“Sempre dissemos que o desafio era alinhar a parte física, porque cada uma joga numa parte do mundo, com um calendário diferente. Há atletas na China, na Coreia, nos EUA e na Europa”, afirmou. “No masculino, a maioria segue o calendário europeu. Você recebe todos os atletas no mesmo patamar".

Antes do jogo, no meio do gramado, Andressa Alves levou a mão à boca e chorou vendo as colegas se aquecerem.

Em sua apresentação mais consistente na França, a seleção criou boas oportunidades, sobretudo pelos pés de Marta e Debinha, que por pouco não emplacou um gol de letra no primeiro tempo.

A falta da meia Formiga, âncora brasileira, foi bastante sentida, sobretudo no combate defensivo, temerário em alguns momentos da primeira etapa.

A boa notícia é que a dor que ela sentiu no pé esquerdo no embate com a Austrália não se traduziu em lesão, o que a dá condições de voltar a campo nas oitavas.

O jogo começou com pressão do time europeu. Aos 5 minutos, a meia Bonansea (dois gols no Mundial) já levou perigo ao gol de Bárbara.

Jogadoras da seleção se reúnem junto com Marta para comemorar o gol da camisa 10 sobre a Itália na Copa do Mundo
Jogadoras da seleção se reúnem junto com Marta para comemorar o gol da camisa 10 sobre a Itália na Copa do Mundo - Bernadett Szabo/REUTERS

As brasileiras acordaram na marca dos 15 minutos, com o toque de letra de Debinha —na jogada seguinte, Marta quase fez um gol olímpico.
 
Aos 27, Girelli abriria o placar para a Itália, mas estava em posição irregular e o gol foi anulado. As europeias voltaram a dominar o jogo nos minutos finais da primeira etapa, marcados por uma defesa espetacular da goleira brasileira após chute à queima-roupa de Bonansea.

O Brasil voltou mais forte após o intervalo e, pela primeira vez nesta Copa, com Marta numa segunda etapa. Andressinha, que substituiu Formiga, achou a trave em bela cobrança de falta aos 6.
 
Pouco depois, Kathellen cabeceou rente à trave. Marta converteu pênalti sofrido por Debinha aos 29 e tornou-se a maior artilheira da história das Copas, femininas ou masculinas. Até aqui, estava empatada com o alemão Miroslav Klose.
     
Com o resultado, a seleção chegou a 6 pontos e assegurou vaga entre as quatro melhores terceiras colocadas da fase de grupos –em duas das três chaves ainda em aberto, as terceiras alcançarão no máximo 3 pontos.

Apesar de acumular duas vitórias na primeira fase e saldo três, o Brasil foi superado no número de gols marcados pela Austrália, que venceu a Jamaica por 4 a 1 (os quatro do time da Oceania assinados por Sam Kerr) e também chegou a seis pontos, na segunda posição.
 
As australianas balançaram as redes oito vezes na primeira fase, contra seis do Brasil.

O adversário da próxima etapa pode ser definido já nesta quarta (19). Se a Argentina vencer a Escócia, selando seu avanço no torneio em terceiro lugar no grupo D, o cruzamento coloca a França no caminho do Brasil.

O duelo com as anfitriãs aconteceria no domingo (23), no Havre (norte do país). Se as argentinas não seguirem na disputa, as oitavas ainda poderão assistir a uma queda de braço entre brasileiras e alemãs.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.