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Campeonato Brasileiro

Do jeito que está, o VAR é um desastre e mexe com o gol, essência do futebol

Para ex-árbitro e comentarista, auxiliares perderam a função em campo

Arnaldo Cezar Coelho

​Com o tratamento atual, o VAR é um desastre.

Mexeram com a essência do futebol, que é o gol. O cara não vibra como poderia vibrar ou vibra depois de seis minutos. Isso é o principal.

Mudou o comportamento dos jogadores. Criou-se o hábito de reclamar sempre porque, com as reclamações acintosas, o VAR pensa: "Será que tem alguma coisa que não vi?". Aí, vai pesquisar e gasta 6, 7, 10 minutos para ver o lance. A França foi campeã do mundo usando esse recurso da estreia à final.

O árbitro Raphael Claus checa o VAR durante partida entre Botafogo e Atlético-MG, realizada no estádio Nílton Santos
O árbitro Raphael Claus checa o VAR durante partida entre Botafogo e Atlético-MG, realizada no estádio Nílton Santos - Mauro Pimentel-24.jul.19/AFP

Os árbitros perderam sua função. Você pode botar um gandula de bandeirinha. Ele entra ali para marcar lateral e fica com a bandeira para baixo nos lances de impedimento. Se sair o gol, vão revisar. Se vão revisar de qualquer maneira, para que levantar? 

A marcação do impedimento não se resume àquela linha que traçam no gramado. A imagem tem de ser pausada no exato momento do passe. Já houve lances em que a imagem usada não era a do momento do passe.

Também não pode ser ignorado o negócio VAR. Os mesmos dirigentes que estão hoje na Fifa e decidiram implantar a arbitragem de vídeo eram contra quando estavam na Uefa. Agora, a entidade ministra cursos no mundo todo por uma grana alta. Sem falar nas empresas responsáveis pela operação.

Por isso e por não concordar com essa intolerância com o erro humano, sou cético. Da forma que está, o VAR é um desastre.

Arnaldo Cezar Coelho foi árbitro da Fifa por 6 anos e apitou a final da Copa do Mundo de 1982

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