Sem sofrer gols, Alisson se torna peça-chave da seleção brasileira

Criticado na Copa, goleiro ganha crédito com bons jogos na Europa e no Brasil

Marcos Guedes
Teresópolis

Depois de vencer um duelo com Messi, um jogador do Brasil foi aclamado por fãs que pediram ao menos sua inclusão entre os finalistas ao prêmio de melhor do mundo. Não muito tempo atrás, alguém que ouvisse essa frase imediatamente identificaria tal atleta como Neymar. Mas agora, a referência da seleção é alguém que nunca fez um gol na carreira.

O goleiro Alisson, 26, não põe a bola na rede, mas também impõe bastante dificuldade para que outros a coloquem. Ele chega à final da Copa América sem ter sido vazado em cinco partidas.
Nos quatro primeiros jogos do Brasil, ele trabalhou bem quando exigido, mas foi pouco requisitado. Já na semifinal, contra a Argentina, o goleiro encontrou Lionel Messi e teve sua melhor apresentação no torneio, com uma defesa que chamou a atenção.

Alisson vem de boa temporada no Liverpool. - Diego Vara/Reuters

Quando os donos da casa venciam por 1 a 0 no Mineirão e os visitantes pressionavam pelo empate, Messi bateu uma falta da meia esquerda, no ângulo direito. Uma batida daquelas em que a defesa geralmente só é possível com a ponta do dedo. Alisson não precisou nem se jogar, segurou a bola com as duas mãos.

“É uma característica minha. Eu gosto muito de simplificar as defesas quando posso. Essa bola foi a prova de que uma defesa simples fica até mais bonita do que um voo, você pode pegar a bola firme. O Messi não estava tão favorecido pelo ângulo, mas conseguiu a bola na gaveta. Eu dei dois passos e cheguei”, disse o arqueiro.

A posição da bola não era exatamente a mesma, mas o lance trouxe à memória outra batida do craque argentino, também em duelo com Alisson. Em maio, pelas semifinais da Liga dos Campeões, o atacante do Barcelona também acertou o ângulo direito do goleiro brasileiro, com uma curva impressionante, e acabou fazendo o gol.

Com a camisa do Brasil, o camisa 1 foi mais esperto. E, mesmo naquele duelo da Champions League, foi o Liverpool que saiu vencedor, rumo ao título europeu. O brasileiro já havia passado com a Roma pelo Barcelona de Messi, na edição anterior do torneio, e mais um triunfo sobre o craque argentino só fez crescer seu moral.

Esse prestígio não estava tão elevado há um ano, sobretudo com a torcida brasileira, que, de maneira geral, não fez boa avaliação de seu desempenho no Mundial.

Logo na estreia, ele foi batido pelo suíço Zuber em cabeceio na pequena área e foi criticado por não ter saído do gol. Nas quartas, os lances que definiram a eliminação da seleção, contra a Bélgica, não foram falhas, mas o goleiro do outro lado, Courtois, fez defesas difíceis e tornou inevitável a comparação: o grande arqueiro em campo não era o do lado brasileiro.

Essa sensação não existe mais. Após o Mundial da Rússia, Alisson fez uma excelente temporada no Liverpool. Campeão da Champions, entrou na seleção do torneio e ganhou também o prêmio Luva de Ouro do Campeonato Inglês. Mesmo quem não acompanha o futebol europeu está vendo na Copa América do que o jogador é capaz.

Para Taffarel, 54, não há dúvida de que o camisa 1 da seleção esteja entre os melhores da posição no mundo. Também pouco afeito a defesas espalhafatosas em seus tempos de guarda-metas e também criticado antes do reconhecimento, o campeão da Copa de 1994 e atual preparador de goleiros do Brasil se vê no pupilo, também gaúcho e cria do Internacional.

“São histórias muito semelhantes. A escola é igual. É uma escola técnica, bem perfeccionista. De repente, veio a chance na seleção. Depois, foi questionado, normal. Mas tem técnica e acabou passando essa barreira”, disse.

Alisson está há nove jogos sem tomar gol, incluídos na conta o final da temporada europeia pelo Liverpool e dois duelos contra Lionel Messi. A última vez em que ele precisou buscar uma bola na rede foi no dia 5 de maio, na vitória por 3 a 2 sobre o Newcastle, pelo Inglês.

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