Descrição de chapéu Futebol Internacional

Torcida pede a Lukaku que entenda ato racista e diz que faria igual

Para ultras da Inter de Milão, imitação de macaco faz parte da cultura italiana

São Paulo

Em carta aberta destinada ao atacante Romelu Lukaku, torcedores da Inter de Milão disseram ao belga que os gritos de imitação de macacos ouvidos por ele na partida contra o Cagliari, no último domingo (1º), na Sardenha, não foram racistas.

Ao se preparar para bater um pênalti e depois de convertê-lo, o atleta de 26 anos ouviu o ato de injúria racial vindo das arquibancadas.

Chamados de ultras da Curva Nord, por ocupar esse setor no estádio de San Siro, os torcedores defenderam a manifestação dos rivais no final de semana. De acordo com eles, o jogador, que protestou contra a atitude e encarou a arquibancada na celebração do gol, precisa entender a cultura italiana.

O atacante Lukaku comemora um dos dois gols que anotou no Campeonato Italiano - Miguel Medina - 26.ago.19/AFP

“Lamentamos que você tenha entendido que o que ocorreu em Cagliari foi racista. Você tem que entender que a Itália não é como muitos países do norte da Europa, onde o racismo é um problema real. Nós entendemos que pode ter parecido racista para você, mas não é assim”, diz trecho do texto, publicado em italiano e em inglês.

“Na Itália, usamos certas ‘maneiras’ apenas para ‘ajudar nossos times’ e tentar deixar nossos adversários nervosos, não por racismo, mas para desestabilizá-los”, acrescentam os torcedores na carta. “Somos uma organização multiétnica de torcedores e sempre recebemos bem jogadores de todos os lugares. No entanto, sempre usamos essa ‘maneira’ com jogadores de outros times e provavelmente vamos fazê-lo no futuro.”

Os ultras dizem ainda que “o verdadeiro racismo é uma história completamente diferente, e todos os torcedores do futebol italiano entendem isso muito bem”. Eles vão além e pedem a Lukaku: “Por favor, considere essa atitude dos torcedores italianos como uma forma de respeito pelo fato de que eles o temem pelos gols que pode marcar, não porque o odeiam ou são racistas”.

Não foi como forma de respeito que a manifestação na Sardegna Arena foi entendida pelo belga, contratado pela Inter por 74 milhões de libras (R$ 354 milhões) no mês passado. Após a vitória por 2 a 1 fora de casa, definida justamente em sua cobrança de pênalti, o atacante se posicionou sobre a questão, protestando contra a atitude dos torcedores do Cagliari.

“Muitos jogadores no último mês sofreram injúria racial. Eu também sofri. O futebol é um jogo a ser aproveitado por todos, e não devemos aceitar nenhuma forma de discriminação. Espero que as federações de todo o mundo reajam fortemente em todos os casos de discriminação”, escreveu, pedindo também maior rigor nas políticas das plataformas de redes sociais. “Senhoras e senhoras, estamos em 2019.”

O técnico da Inter, Antonio Conte, pediu mais respeito com quem está trabalhando. Já o Cagliari publicou uma nota oficial dizendo que “rejeita firmemente” o ocorrido e “sublinha, uma vez mais, sua intenção de identificar e banir os indivíduos ignorantes cujas atitudes vergonhosas são completamente contrárias aos valores do clube”.

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