Quase palmeirense, Sánchez vive redenção no Santos

Uruguaio é um dos mais presentes na equipe de Jorge Sampaoli

Klaus Richmond
Santos

​Carlos Sánchez, 34, vive neste ano o que considera uma redenção completa após um início conturbado no Brasil.

Anunciado com pompa pelo Santos após a Copa do Mundo da Rússia, em julho de 2018, o uruguaio virou em pouco tempo pivô de uma polêmica eliminação na última Libertadores.

Sem ter conhecimento de que ainda precisaria cumprir suspensão por uma expulsão pela Copa Sul-Americana de 2015, quando atuava pelo River Plate, acabou escalado de forma irregular pelo clube. De salvação, passou a problema.

Desde a chegada do argentino Jorge Sampaoli, tudo mudou para ele. O uruguaio, agora, ostenta marcas que jamais havia atingido na carreira. Ganhou a braçadeira de capitão em uma partida e virou o principal artilheiro da equipe na temporada, com 14 gols.

O meia Carlos Sánchez passou a ser peça-chave do Santos - Ivan Storti - 8.out.19/Santos FC

Além disso, apesar a idade mais avançada, foi quem mais jogou pelo clube na temporada, ao lado de Diego Pituca, presente em 45 dos 50 jogos até aqui, ou seja, 90% das partidas no ano.

No clássico contra o Palmeiras nesta quarta-feira (9), às 21h30, na Vila Belmiro, válido pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, Sánchez põe à prova o novo protagonismo para ajudar o Santos a superar uma série de desfalques e manter vivo o sonho de título na competição.

"É uma decisão porque ainda sonhamos com algo grande neste ano. A briga pelo título não é uma ilusão, é um objetivo possível. E isso passa muito por esse jogo”, disse o jogador à Folha.

Para a partida, Sampaoli não contará com o venezuelano Soteldo, o paraguaio Derlis González e o peruano Cueva, além de Felipe Jonatan e Kaio Jorge, todos convocados para seleções. Evandro está suspenso.

Curiosamente, Sánchez poderia estar do outro lado não fosse o fato de ter rejeitado uma proposta superior do rival, escancarada pelo presidente do clube, José Carlos Peres, logo em sua apresentação.

“O Palmeiras fez uma proposta muito grande. Quero enaltecer o jogador e o empresário, que foram conscientes pelo que já havíamos combinado. Ele aceitou o Santos até o fim”, afirmou Peres na ocasião.

“Meu empresário se sentou comigo após a Copa do Mundo [de 2018, na Rússia]. Ele me falou que o Santos havia feito a proposta primeiro. Falei para ele: ‘Então, vamos para o Santos’”, contou Sánchez. Ele tem contrato com o clube até julho de 2021.

O meia Carlos Sánchez foi cobiçado pelo Palmeiras antes do sucesso em branco e preto - Ivan Storti - 8.set.19/Santos FC

A redenção do uruguaio na Vila Belmiro foi acompanhada, também, de um ajuste na relação com Jorge Sampaoli. O jogador desabafou publicamente pelo fato de receber críticas após atuações pouco convincentes no início do trabalho. Ele considerava atuar longe do posicionamento ideal, aberto pelo lado direito do campo.

“Prefiro esperar uma oportunidade. Eu me sinto mal de ser criticado em uma posição que não é a minha”, desabafou Sánchez à época.

“Antes de ir à imprensa, tive uma conversa importante com Sampaoli e com a sua comissão. Fui sincero, expliquei que não poderia jogar assim. Ele me disse que acreditava que poderia fazer a função, mas entendeu”, explicou o uruguaio.

Após uma partida neste ano, questionado sobre o rodízio adotado pelo treinador, o uruguaio demonstrou uma sinceridade pouco vista em jogadores. “Óbvio que me incomoda. Não gosto de ver o jogo de fora.”

“É que sou fominha mesmo. Os médicos do clube me falam para segurar um pouco, mas não quero nem saber. Custou muito para mim virar um profissional, então quero jogar”, explicou.

A conversa fez com que o camisa 7 passasse a jogar mais centralizado no meio de campo, com a função de um armador, posição considerada a mais carente do clube e frustrada por não ter sido preenchida pelo costarriquenho Bryan Ruiz, contratação de peso da diretoria no último ano, jamais utilizada por Sampaoli.

No Brasileiro, de acordo com números do Footstats, Sánchez é o líder da equipe em assistências. Além disso, é quem mais cria para os companheiros finalizarem, 41 vezes até aqui, quem mais arrisca cruzamentos e tem um dos melhores aproveitamentos em finalizações, 52,8%.

O Santos, porém, caiu de produção. Após a sequência de sete vitórias, somou apenas três triunfos nos últimos dez jogos, dois deles nas últimas duas rodadas, contra CSA e Vasco.

Recentemente, o capitão do time, o lateral direito Victor Ferraz, veio a público criticar boatos de que o elenco tentou derrubar o treinador argentino do cargo. Sánchez, um dos líderes do elenco, também se posicionou.

“Estão falando da gente, que eu e outros jogadores estamos jogando mal para derrubar Sampaoli. Não sou assim, meu caráter não permite. Posso jogar mal, mas, definitivamente, não sou assim. Não vou fazer isso porque Sampaoli fez algo ou não fez. Não gosto de perder”, afirmou.

Este será o reencontro do Santos com o rival após a goleada por 4 a 0 sofrida no primeiro turno, em 18 de maio, no Pacaembu, uma das piores jornadas da era Sampaoli.

Com Sánchez de volta, após ser poupado do último jogo por conta de dores na coxa direita, o Santos espera ter motivos para acreditar. O time é o terceiro colocado, com 44, a três pontos do rival, o vice-líder.

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