Descrição de chapéu Copa Libertadores

Ídolo do River, Fillol tem saudade do Maracanã lotado com o Fla

Goleiro foi contratado para substituir Raul e jogou Libertadores de 1984 pelo rubro-negro

São Paulo

O futebol é o mesmo em todos os lugares. O gramado é verde, a bola é redonda, as dimensões das traves são imutáveis.

É um conselho que o coordenador de goleiros das categorias de base do River Plate costuma dar aos garotos. Serve para que não se deixem intimidar pela partida ou ambiente. Ubaldo Fillol, 69, campeão do mundo em 1978 e funcionário do clube argentino, afirma a eles que sempre colocou este pensamento em prática. Não era influenciado pela torcida ou tamanho do jogo.

Havia uma exceção.

“Entrar em campo com o Maracanã lotado foi uma das maiores emoções que tive na carreira. E foi o Flamengo que me proporcionou isso. Não há como esquecer”, afirma o ex-goleiro, um dos mais importantes da história do futebol sul-americano na posição.

O goleiro Fillol em ação pelo Flamengo, contra o Corinthians de Sócrates - Jorge Araújo - 6.mai.84/Folhapress

Ele esteve nos dois lados dos finalistas da Libertadores deste ano. Em 23 de novembro, Flamengo e River Plate decidem o mais importante título sul-americano em Lima.

Fillol era referência e ídolo do clube de Buenos Aires, onde passou dez anos da carreira (entre 1973 e 1983). Até que brigou com a diretoria e foi para o Argentinos Juniors. Ficou poucos meses na agremiação que revelou Maradona. Apareceu proposta do clube carioca.

“Eu estava no vestiário de um jogo do Argentinos quando o presidente do Flamengo apareceu com a camisa para fazer fotos”, lembra.

Para sempre conhecido pelo apelido de “Pato”, Fillol ficou no Rio de Janeiro entre 1984 e 1985, quando foi vendido ao Atlético de Madri (ESP) por US$ 125 mil (R$ 500 mil em valores atuais). Sua passagem pelo Brasil foi boa, mas não espetacular. O único título conquistado foi a Taça Guanabara de 1984, o primeiro turno do Estadual do Rio. Na final do torneio, acabou derrotado pelo Fluminense.

Contratado para substituir Raul Plassman, Fillol era goleiro de três Copas do Mundo (1974, 1978 e 1982) e campeão em 1978. Poderia ter sido bi em 1986, mas, depois de disputar toda a campanha das eliminatórias para o Mundial do México, não entrou na lista do técnico Carlos Bilardo.

“Sobre isso não quero falar. Já passou”, afirma ele, mostrando que passou, mas não tanto assim.

O motivo principal para sua contratação pelo Flamengo foi a disputa da Libertadores de 1984, quando a equipe sonhava voltar a conquistar o título continental pela segunda vez. Havia sido campeão em 1981. A eliminação aconteceu na fase semifinal, em partida desempate diante do Grêmio.

Os filhos aprenderam português, sua mulher Olga adorou morar no Rio de Janeiro.

“Joguei com Zico, um jogador bárbaro. Um craque”, se recorda.

Mas o Flamengo não conseguiu ocupar o lugar que o River Plate tem no coração do goleiro. No Monumental de Nuñez ele conquistou sete títulos e foi a plataforma para que se tornasse um dos maiores goleiros da história do país. No último minuto da final da Copa de 1978, fez defesa em chute de Rensenbrink que evitou a virada da Holanda e levou a partida para a prorrogação. A Argentina venceu por 3 a 1.

“Nosso jogo mais difícil foi contra o Brasil [empate em 0 a 0]. Foi um dos momentos mais tensos da minha carreira porque se perdêssemos, seríamos eliminados. Além da rivalidade, sempre houve também um respeito mútuo. Costumo dizer que a Argentina é uma das raras seleções que o brasileiro respeita”, completa.

Pela história, por trabalhar no clube e pela projeção que lhe deu, Fillol terá um lado no dia 23. Há outro motivo para querer ver a vitória do River Plate: Marcelo Gallardo.

“Guardiola falou que Marcelo é um dos melhores técnicos do mundo e está com a razão. Olhe o que ele fez pelo River. É um treinador muito especial, alguém em quem os jogadores e a torcida confiam cegamente”, finaliza.

Com a camisa do Flamengo, os números de Fillol não foram ruins. Em 71 jogos com ele, o time ganhou 40, empatou 20 e perdeu 11. Mas o goleiro chegou à Gávea em momento de transição do elenco, saída de Zico para a Udinese (ITA) e a reconstrução da equipe que ganharia o módulo verde da Copa União em 1987.

Quando saiu para Madri, a relação do argentino com a diretoria brasileira já não era das melhores. Havia viajado para Buenos Aires e se recusado a voltar porque o clube negara seu pedido para ir treinar com a seleção. Chegou a ensaiar um retorno ao Argentinos Juniors. Foi quando apareceu a proposta do clube espanhol.

Fillol guarda boas recordações do seu tempo no Rio de Janeiro, apesar disso. Mesmo que a memória o traia. Ele cita como um momento inesquecível de sua trajetória no Flamengo a estreia no "Maracanã lotado” contra o Palmeiras, pelo Brasileiro de 1984. Dirigido por Claudio Garcia, o time venceu por 1 a 0. O público foi de 34.649 pagantes—​ a capacidade total na época era para mais de 100.000.

 
Ubaldo Fillol (à esq.) com o goleiro Pablo Carrizo, do River, após jogo contra o San Lorenzo, em 2011
Ubaldo Fillol (à esq.) com o goleiro Pablo Carrizo, do River, após jogo contra o San Lorenzo, em 2011 - Alejandro Pagni/AFP

​​Ubaldo Matildo Fillol, 69
Nascido em 21.jul.1950, na Argentina, Fillol é considerado um dos maiores goleiros da história do país. Além do título de campeão do mundo com a seleção em 1978, conquistou sete campeonatos nacionais pelo River Plate. Revelado pelo Quilmes, passou por Racing, onde ganhou uma Supercopa, Atlético de Madrid, onde conquistou uma Supercopa da Espanha, e defendeu também Argentinos Juniors, Flamengo e Vélez Sarsfield. ​

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