Descrição de chapéu Copa Libertadores

Rivalidade de River e Fla racha Teresina em final internacional

Clubes festejam "Rivengo" na Libertadores, e cidade do Piauí respira decisão

São Paulo

O dia 23 de novembro, próximo sábado, será uma data especial para o piauiense Paulo Rossi, que mora em Teresina e divide o seu coração em duas paixões: o River, clube local, e o Flamengo de Jorge Jesus.

Apaixonado por futebol, o gerente de um restaurante da capital do Piauí estará em serviço às 17h, horário da final da Libertadores, disputada entre o River Plate da Argentina e o rubro-negro carioca.

Essa será a primeira vez na história do torneio que a decisão acontecerá em jogo único. No caso, em Lima, no Peru.

Rossi tentará acompanhar o jogo pela televisão enquanto trabalha para coordenar o movimento no estabelecimento.

Teresina não tem apenas o seu River, mas também o próprio Flamengo. A rivalidade entre os dois times  ganhou o nome de "Rivengo".

"Aqui na cidade, minha paixão ficou concentrada no River. Mas meu time de coração é o Flamengo [carioca] e o meu ídolo no futebol é o Petkovic. Esse fez história", afirma o gerente.

O gerente de restaurane Paulo Rossi, que torce para o River-PI em Teresina, mas diz ser flamenguista de coração
O gerente de restaurante Paulo Rossi, que torce para o River-PI em Teresina, mas diz ser flamenguista de coração - Paulo Rossi / arquivo pessoal

A definição de Flamengo e River Plate como finalistas da Libertadores de 2019 deu uma nova dimensão ao clássico Rivengo.

"Na cidade, a venda de camisa dos dois times cresceu, e os bares que costumam receber torcedores para os jogos vão fazer promoção", afirmou Genivaldo Campelo, presidente do River.

O restaurante em que Paulo Rossi trabalha, por exemplo, é reduto de torcedores flamenguistas. Segundo ele, os proprietários estudam a possibilidade de dar uma rodada de cerveja grátis a cada gol que os rubro-negros fizerem na decisão.

Bares que costumam receber torcedores "riverinos" também estudam o mesmo tipo de oferta a cada gol argentino.

"A convocação vai ser via rede social, e levaremos charanga, bandeiras, tudo como se fosse um clássico local. A reunião das nossas torcidas vai ser em frente a uma churrascaria tradicional. É como se fosse um Flamengo e Vasco. Rivalidade é muito grande", disse Rubens Gomes, presidente do Flamengo-PI.

Chefe da organizada Esporão do Galo, do River, Fábio Santos também está preparado para torcer. "Somos contra o Flamengo. Seja do Rio, do Amapá, do Ceará, do Acre, ou onde quer se seja. Dizem que o Flamengo é o Brasil. O Flamengo nunca foi Brasil", afirmou.

O clássico mais tradicional da cidade ganhou o nome de Rivengo a partir de 1969. A história do Flamengo-PI começou em 1937, e a inspiração na equipe da Gávea se vê presente no uniforme rubro-negro. "O Flamengo daqui só criou o próprio hino depois de 1980. Antes, usava o do Flamengo do Rio", afirmou o historiador piauiense Severino Filho.

O time rubro-negro é o segundo maior vencedor de títulos do estado, com 17 conquistas, mas atualmente vive a maior crise de sua história. O time não tem sede e nem campo para treinar.

"O Flamengo-PI hoje é um abacaxi muito grande. Nosso departamento jurídico está analisando a legalidade da venda da antiga sede. Não temos nada hoje, vamos começar a montar o time do zero", declarou Gomes.

Em 2019, o clube disputou só dez jogos, pelo Campeonato Piauiense. Num torneio com seis equipes, terminou em quinto lugar.

Enquanto a inspiração do Rio registra jogos que superam os 60 mil pagantes, o rubro-negro de Teresina recebeu pouco mais de 5.000 torcedores somando as dez partidas. Para piorar, os flamenguistas estão sem levantar um título no Piauí desde 2009.

O River-PI, fundado em 1948, também traz no seu uniforme as cores da referência argentina. Com 31 títulos estaduais (inclusive o deste ano), a equipe tricolor vive uma situação bem mais tranquila que a do rival. Nos confrontos diretos deste ano, venceu um e empatou outro.

Além de ter uma base montada para a próxima temporada, o River terá no seu calendário a participação na Copa do Brasil e também na Copa do Nordeste. O clube ainda conta com um centro de treinamento e espera manter a hegemonia local por mais tempo.

"O título estadual tem sempre um peso muito grande, pois nos dá vaga para competições como a Copa do Brasil. Isso aumenta o número de jogos no ano, e as receitas melhoram bastante", afirmou o presidente do clube.

Há dois anos, o time piauiense teve no seu elenco um atleta argentino, o zagueiro Brizuela. Jogador de estilo vigoroso e com boa técnica, ele foi um dos ídolos da torcida durante a passagem pelo clube, apesar de não ter conquistado títulos. Deixou a equipe com 25 partidas e dois gols marcados.

Tanto River-PI quanto Flamengo-PI apostaram em alguns jogadores conhecidos ao longo de suas histórias. Foram os casos do atacante Jardel, que defendeu o rubro-negro, do meia Fábio Augusto e do zagueiro Brito (que atuaram no time tricolor), este último tricampeão com a seleção brasileira em 1970, no México.

O ex-meia Nélio, campeão brasileiro de 1992 pelo rubro-negro carioca, também defendeu o Flamengo-PI em 2010.

"Durante o campeonato o comentário fica em cima do clássico. É uma espécie de campeonato à parte. Quando estive lá no Flamengo, a situação financeira não era muito boa, mas a torcida sempre foi muito fanática pelo time", disse o ex-jogador.

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