Por briga, 15 corintianos e palmeirenses são proibidos de ir a estádio

Torcedores de Corinthians e Palmeiras se enfrentaram no metrô em 2016

Carlos Petrocilo
São Paulo

O juiz Ulisses Augusto Pascolati Júnior, do Tribunal de Justiça de São Paulo, condenou 15 torcedores de Corinthians e Palmeiras após confronto generalizado na estação Brás do metrô em abril de 2016. Os acusados são integrantes das torcidas organizadas Mancha Alvi Verde e Pavilhão Nove e estão proibidos de frequentar estádios. A sentença foi publicada nesta segunda (4).

Os palmeirenses são Renan Biondi da Silva, Daniel Barros Pires Gomes, Ricardo Ferreira da Cruz, Cristian Araújo Benedito, Thales Giullian Herrera, Leonardo Guerra Tromboni, Robson de Araujo Ferreira, George Miranda de Lima Júnior, Jorge Jesus dos Santos, Leonardo Perini Campanharo, João Antônio Rogaciano dos Santos e Bruno Luiz Palaria, condenados a 2 anos e 4 meses de reclusão.

Os corintianos Phillip Gomes Lima, Wilian da Silva Vieira e Lucas Osório de Oliveira terão que prestar serviço à comunidade por 1 ano e 6 meses e pagar um salário mínimo em favor de entidade pública ou privada que realize trabalhos sociais, indicada pelo juiz. Outra sete pessoas foram absolvidas pelo juiz. A decisão é de 1ª instância e cabe recurso.

Vagão foi depredado por torcedores na estação Brás do metrô, em São Paulo
Vagão foi depredado por torcedores na estação Brás do metrô, em São Paulo - Reprodução Twitter

Apesar da condenação, eles não serão presos porque o juiz decidiu que o cumprimento das penas seja em regime aberto. No entanto, eles estão proibidos de frequentar estádios de futebol em dias de jogo de seus respectivos times pelos próximos dois anos. Duas horas antes de a partida começar, os acusados terão que comparecer a uma unidade da Ceapis (Coordenadoria de Reintegração Social e Cidadania) e serão liberados 15 minutos após o apito final do árbitro.

Os torcedores foram denunciados pelo Ministério Público pelos crimes de “ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem”, “destruir ou inutilizar coisa alheia” e “expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem”, previstos no Código Penal, e também por infringir o artigo 41-B do Estatuto do Torcedor, “promover tumulto, praticar ou incitar a violência”.

Consta nos autos do processo que no dia 3 de abril de 2016, por volta das 11h40, alguns torcedores da Mancha Alvi Verde se encontraram na estação de metrô Brás e “promoveram tumulto e praticaram violência”. Naquele dia, Corinthians e Palmeiras se enfrentaram no Pacaembu pelo Campeonato Paulista. O grupo agrediu um torcedor e depredou vagões. Paralelamente a isso, membros da Pavilhão Nove invadiram a estação Santo Amaro e se recusaram a passar por revista pessoal.

Quando os grupos se encontraram no Brás, começou o tumulto. Membros da Pavilhão Nove dispararam rojões em direção aos palmeirenses –havia cerca de 700 torcedores alviverdes na estação. Em resposta, membros da torcida Macha Alvi Verde partiram para cima dos integrantes da Pavilhão Nove. Alguns indivíduos depredaram portas e janelas dos vagões para utilizar os vidros como arma e também retiraram barras de ferros da própria estação.

Nesse dia, houve uma série de confrontos na Grande São Paulo. Um homem morreu durante uma briga entre palmeirenses e corintianos em frente à estação de trem São Miguel Paulista. A partir de então, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo estabeleceu que os clássicos deveriam ter torcida única. Na época, o tenente-coronel da Polícia Militar Luiz Gonzaga disse que o homem, um idoso, não participava da briga.

“A Mancha Alvi Verde e a Gaviões da Fiel entraram em confronto, houve disparo de arma de fogo antes da chegada do reforço policial. Um senhor, que não é torcedor, foi alvejado no coração”, disse Gonzaga.

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