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Tóquio 2020 Coronavírus

Com adiamento à vista, prazo do COI vira eternidade para atletas

Comitê quer 4 semanas para decidir sobre Jogos, mas pressão continuará crescendo

São Paulo

Admitido como possibilidade pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), no domingo (22), e pelo governo japonês, nesta segunda (23), o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio parece ser cada vez mais uma questão de quando ocorrerá.

Ainda que os interesses das principais partes envolvidas comecem a se encaminhar para a concordância com o fato de que não será possível iniciar o evento em 24 de julho, está claro como a noção de tempo em que vivem atletas e entidades organizadoras é completamente diferente.

A quatro meses do evento, as grandes estrelas dos Jogos estão impedidas de se preparar adequadamente para o momento com o qual sonharam e pelo qual se dedicaram durante quatro anos.

Para elas, o ideal seria que o COI batesse o martelo o mais brevemente possível, indicando com qual nova data deverão se reprogramar. Poderiam, assim, tirar um peso enorme do corpo e da mente, naturalmente vivendo num turbilhão de ansiedade em meio a tantas indefinições.

Nesse cenário, as quatro semanas prometidas pelo comitê para a tomada de decisão soam como eternidade. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pediu celeridade ao COI nesta segunda para "trazer clareza a todos os envolvidos".

Caso alguém já tenha ser perdido na noção de tempo e queira dimensionar quanto são quatro semanas, basta lembrar que no dia 23 de fevereiro a Itália registrava menos de 200 casos e três mortes por coronavírus.

Já pela ótica do comitê, que precisará mover uma estrutura gigantesca como os Jogos Olímpicos, com 11 mil atletas de 206 nações, cerca de um mês para se debruçar sobre toda a logística que envolve a mudança (direitos de transmissão, calendário das modalidades, hospedagem, passagens aéreas, para ficar apenas em alguns exemplos) se mostra um prazo razoável.

Ainda assim, fica o questionamento de por que esses cenários não começaram a ser traçados há dez dias, quando os principais eventos esportivos em todo o mundo já pararavam.

Cada vez mais pressionado por atletas e importantes comitês olímpicos nacionais pelo adiamento, o COI pode ter pensado que o prazo anunciado no domingo também serviria para ganhar tempo em busca da melhor resposta para todos os envolvidos.

Não foi o que ocorreu. Mesmo após a carta enviada pelo presidente Thomas Bach aos atletas numa tentativa de acalmá-los, os comitês canadense, norueguês e australiano informaram que não há nenhuma chance de enviar seus representantes para uma Olimpíada em julho deste ano.

Pôster da Olimpíada sobreposto por sinal de tráfego (pare) em rua de Tóquio
Pôster da Olimpíada sobreposto por sinal de tráfego em rua de Tóquio - Issei Kato/Reuters

A Austrália já trata a mudança para 2021 como realidade e orientou seus atletas a se prepararem para uma edição excepcional dos Jogos fora dos tradicionais anos olímpicos.

O comitê suíço, país onde está localizada a sede do COI, apoiou o adiamento. Representantes da Alemanha e da Grã-Bretanha seguiram o mesmo caminho.

O Japão sinaliza que deve rever o revezamento da tocha olímpica pelo país, marcado para começar na quinta-feira (26).

Neste momento, a opção que aparece com mais força é o adiamento do evento em um ano, para o verão (no hemisfério norte) de 2021. Mas há quem defenda tentar realizá-lo ainda em 2020 (isso atenderia à Carta Olímpica, documento que guia a atuação do COI e afirma que os Jogos devem ocorrer de quatro em quatro anos) ou em 2022 (ano dos Jogos de Inverno e da Copa do Mundo de futebol), entendendo que o mundo precisará de bem mais tempo para voltar à normalidade.

As alternativas estão na mesa, porém há diferentes interesses em jogo e nenhuma solução será perfeita. No momento, o mais improvável é imaginar que o COI tenha quatro semanas de paz para tomar sua decisão.

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