Casos de Covid no torneio de Djokovic ampliam tensão na volta do tênis

Dimitrov e Coric, que disputaram jogo na Croácia, recebem diagnóstico da doença

São Paulo

O tenista búlgaro Grigor Dimitrov, 29, anunciou neste domingo (21) que recebeu diagnóstico positivo de Covid-19.

A notícia tem potencial para agitar os bastidores do circuito profissional de tênis, já tumultuados em meio à definição sobre a volta das competições oficiais do calendário, prevista para agosto.

O comunicado do número 19 do ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) ocorre um dia após ele ter participado de torneio exibição na Croácia promovido por Novak Djokovic, que contou com a presença de público nas arquibancadas e acabou cancelado antes da sua final.

O Adria Tour, sequência de torneios encabeçada pelo líder do ranking em países da antiga Iugoslávia, recebeu cerca de 4.000 pessoas na sua primeira etapa, realizada em Belgrado, na academia de Djokovic, no último fim de semana. O evento na Croácia seguia o mesmo roteiro.

A presença de público foi liberada pelos governos sérvio e croata, mas chamou a atenção da imprensa internacional a falta de preocupação com aglomerações nas arquibancadas e a pequena quantidade de presentes usando máscaras de proteção.

Um cenário bem diferente, por exemplo, do retorno das ligas de futebol e basquete em outros países da Europa, sem a presença de espectadores e com rígidos protocolos de segurança.

Quadra lotada para assistir a jogo de Novak Djokovic na Croácia
Quadra lotada para assistir a jogo de Novak Djokovic na Croácia - Antonio Bronic/Reuters

Dimitrov participou das duas etapas do evento, assim como Djokovic. O búlgaro chegou a jogar em Zadar, na Croácia, neste sábado (20), mesmo se sentindo mal.

Ao fim do seu confronto com o tenista da casa Borna Coric, Dimitrov orientou o colega para que o cumprimentasse com as mãos fechadas, mas não deixou de falar com ele a uma distância próxima.

Depois de ter participado de vários eventos promocionais e entrado em quadra, o búlgaro decidiu voltar para Mônaco, onde mora, e lá recebeu a confirmação de que está com a doença.

"Quero garantir que qualquer pessoa que tenha estado em contato comigo nos últimos dias seja testada e tome as precauções necessárias. Sinto muito por qualquer dano que possa ter causado. Estou de volta para casa agora e me recuperando. Obrigado pelo seu apoio e fique seguro e saudável", escreveu no Instagram.

Em comunicado no qual destacou que "a segurança e a saúde de todos vêm em primeiro lugar", a organização do Adria Tour afirmou que recomenda a qualquer pessoa que tenha estado em contato próximo por mais de dez minutos com Dimitrov se isole por 14 dias e entre em contato com um médico. Também disse que as submeteria a testes ainda na noite de domingo.

Nesta segunda, Coric anunciou que também está com a Covid-19 e publicou texto parecido com o do búlgaro nas redes sociais.

Durante a semana, após críticas à realização dos eventos nessas condições, Djokovic saiu em sua defesa. "É difícil explicar que a situação é realmente diferente tanto na Sérvia como nos países vizinhos, pois seguimos as recomendações das autoridades sanitárias e do governo desde o primeiro dia”, afirmou em entrevista ao Eurosport.

Na ocasião, ele também disse que o torneio é muito positivo para a imagem não só do tênis, mas do esporte em geral.

Na última semana, foi divulgado o calendário para retomada do tênis masculino profissional, a partir do meio de agosto, nos Estados Unidos. Estão confirmadas as realizações dos torneios do Grand Slam US Open, com início em 31 de agosto, em Nova York, e Roland Garros, em 27 de setembro, em Paris.

Grigor Dimitrov em ação na etapa do Adria Tour na Croácia
Grigor Dimitrov em ação na etapa do Adria Tour na Croácia - Antonio Bronic /Reuters

Por mais que esse retorno esteja previsto inicialmente sem a presença de público e sob condições bem mais rigorosas do que as do torneio promovido pelo sérvio, ele passa longe de ser unanimidade nos circuitos masculino e feminino pelas condições que foram estabelecidas.

O US Open, por exemplo, não terá a fase de qualificação, impedindo tenistas com posições inferiores no ranking de tentar vaga no torneio. Também diminuiu as chaves de duplas e excluiu os atletas que jogam em cadeira de rodas.

Esses fatos repercutiram negativamente no circuito. O tenista australiano Nick Kyrgios, sempre na linha de frente dos protestos, chamou a organização do Slam americano de egoísta e ofendeu o presidente da ATP nas redes sociais, ao ironizar mensagem em que Andrea Gaudenzi falava sobre um esforço colaborativo para a volta do esporte.

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