NBA recomeça com atletas ajoelhados durante hino e camisas de protesto

Jogadores da liga de basquete se unem em atos antirracistas na 'bolha' da Disney

São Paulo

Com todos os jogadores de Utah Jazz e New Orleans Pelicans ajoelhados durante a execução do hino americano e usando camisetas com a frase "Black lives matter" (vidas negras importam), a temporada da NBA recomeçou nesta quinta-feira (30).

O jogo de retomada foi parte de uma rodada dupla, completada com o confronto entre Los Angeles Lakers e Los Angeles Clippers, em que atletas, técnicos e árbitros repetiram o gesto.

A NBA preparou um clipe para a abertura da transmissão pela TV com depoimentos de jogadores, que falaram sobre igualdade racial e necessidade de mudanças nos Estados Unidos. Os atletas das duas equipes, comissão técnica e árbitros ficaram perfilados à beira da quadra enquanto a mensagem era exibida.

O reinício da temporada acontece em meio à pandemia da Covid-19 e aos protestos por igualdade racial e contra a brutalidade policial que têm acontecido em várias cidades do país.

"Estou feliz que [os jogadores] estejam unidos, mas quero deixar claro que, se alguém não quiser se ajoelhar porque o hino significa algo para ele, essa pessoa não deve ser vista como uma vilã", disse Charles Barkley, nome histórico da NBA e que hoje é comentarista.

Apesar de as regras da liga preverem que o hino deve ser ouvido em pé pelos atletas, houve um entendimento de que a situação atual seria tratada de forma diferente.

Técnicos e outros funcionários das equipes usaram nas suas camisas adesivos com pedidos de justiça social. Os jogadores também foram autorizados pela liga a trocarem seus nomes nos uniformes de jogo por palavras de homenagem, protesto ou outras que foram pré-determinadas, por exemplo "vidas negras importam", "paz" e "igualdade".

Por causa da pandemia, todas as partidas acontecerão no ESPN Wide World of Sports Complex, dentro da Disney World, na Flórida.

Jogadores se ajoelharam durante a execução do hino americano
Jogadores se ajoelharam durante a execução do hino americano - AFP

Os jogadores de 22 equipes entraram em uma espécie de "bolha" social e esportiva para tentar evitar o contágio do coronavírus. Eles são testados diariamente e não poderão sair do local sem autorização prévia até o fim da temporada. Alguns que já descumpriram as normas precisaram cumprir novas quarentenas.

Os times que chegarem às finais da NBA, marcadas para outubro, permanecerão no complexo da Disney por 98 dias.

A temporada recomeçou com uma partida do Utah Jazz, justamente a equipe que catapultou o adiamento da liga, em março, quando o pivô Rudy Gobert teve teste positivo para Covid-19 pouco antes de um jogo.

Isso após o atleta ter debochado da doença e tocado propositalmente microfones e gravadores de jornalistas, sem saber que estava infectado. Curiosamente, foram do francês os dois primeiros pontos na retomada da liga e também os dois últimos do jogo de reestreia, que teve vitória apertada do Utah Jazz por 106 a 104.

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