Descrição de chapéu Financial Times Futebol Internacional

Barcelona registra prejuízo de R$ 657 milhões em meio à pandemia

Dívida do clube catalão dobra no período de um ano e chega a R$ 3,2 bilhões

Murad Ahmed
Financial Times

O Barcelona, um dos clubes de futebol mais ricos do planeta, revelou o impacto maciço da pandemia do coronavírus sobre seus negócios: um prejuízo de 100 milhões de euros (R$ 657 milhões), além de ter anunciado que sua dívida mais que dobrou, para 488 milhões de euros (R$ 3,2 bilhões).

O clube catalão, que sofreu uma crise de liderança nas últimas semanas quando seu astro Lionel Messi exigiu sair, obteve receitas de 855 milhões de euros (R$ 5,6 bilhões) na temporada passada –quando faturou mais que qualquer outro time no mundo. Em comparação com esse número, o período atual teve uma queda de 14%.

O Barcelona, um dos primeiros clubes de elite europeus a anunciar seus resultados financeiros este ano para a temporada 2019-2020, declarou na segunda-feira (5) que a perda de receita causada pelo coronavírus foi de pouco mais de 200 milhões de euros (R$ 1,3 bilhão).

A dívida líquida em 30 de junho de 2020 era de 488 milhões de euros, mais que o dobro dos 217 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão) do ano anterior.

A receita comercial caiu em 9%, para 297 milhões de euros (pouco mais de R$ 1,9 bilhão) porque alguns contratos de patrocínio “que estavam em estágio avançado de negociação antes da pandemia” não se concretizaram, e a venda de mercadorias com a marca do clube também caiu.

O faturamento da equipe com bilheteria e venda de produtos durante os jogos reduziu em 24%, para 162 milhões de euros (cerca de R$ 1 bilhão), dada a ausência de espectadores desde março. A receita gerada por direitos de transmissão caiu em 17%, para 249 milhões de euros (R$ 1,6 bilhão), em parte devido à redução no número de partidas europeias por conta da pandemia.

O clube economizou 74 milhões de euros (R$ 486 mil), o que inclui cortes de salários por acordo com os jogadores, e declarou que “não estamos imunes ao surto da Covid-19, cujas consequências foram enormes para todo o setor de esportes”.

Andrea Agnelli, presidente do conselho da Juventus e presidente da poderosa Associação Europeia de Clubes, disse no mês passado que as equipes de futebol do continente estão diante de uma perda de faturamento de 3,6 bilhões de euros (R$ 23,6 bilhões) nos dois próximos anos.

O Barcelona afirmou que antecipava uma nova queda de receita nesta temporada, para 791 milhões de euros (pouco mais de R$ 5 bilhões), e que essa projeção se baseia em um retorno gradual dos espectadores ao estádio Camp Nou a partir de dezembro.

Lionel Messi após o Barcelona levar um gol do Sevilla no jogo do último final de semana, válido pelo Campeonato Espanhol. O confronto terminou empatado em 1 a 1
Lionel Messi após o Barcelona levar um gol do Sevilla no jogo do último final de semana, válido pelo Campeonato Espanhol. O confronto terminou empatado em 1 a 1 - Lluis Gene - 4.out.20/AFP

Não está claro se as autoridades espanholas permitirão o retorno dos torcedores a eventos esportivos, já que os governos dos países europeus vêm adotando abordagens diferentes quanto ao assunto.

Na Alemanha, os estádios foram parcialmente abertos aos torcedores para que estes acompanhem as partidas da Bundesliga, a primeira divisão do país, mas o governo do Reino Unido afirmou que os grandes arenas esportivas do país devem ficar fechadas por mais seis meses devido ao ressurgimento do vírus.

O Barcelona também iniciou a reforma do Camp Nou, anunciando um “novo plano de financiamento” para arrecadar 815 milhões de euros (R$ 5,3 bilhões) para o projeto. O banco Goldman Sachs administrará um novo veículo de investimento que pagará aos investidores uma parte da receita adicional que deve ser gerada pela expansão do estádio do clube, cuja inauguração está prevista para 2024.

A crise financeira do Barcelona surgiu em um momento em que seus principais dirigentes, entre os quais o presidente Josep Maria Bartomeu, enfrentam pressões por sua renúncia.

Em agosto, o clube sofreu uma humilhante derrota por 8 a 2 diante do Bayern de Munique, da Alemanha, nas quartas de final da Champions League, a principal competição interclubes europeia, uma das piores derrotas na história da equipe. A última vez que o Barcelona ganhou a Champions League foi em 2015.

Como consequência, o time teve de dispensar sua comissão técnica e abriu mão de diversos jogadores. Messi, que exigiu sair em agosto, optou por cumprir seu contrato com o Barcelona, que se encerra em junho de 2021, a fim de evitar uma disputa judicial, mas continua a criticar fortemente a liderança do clube.

Tradução de Paulo Migliacci

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.