Tite se rende a Everton Ribeiro depois de dispensá-lo do Corinthians

Meia do Flamengo ficou de lado no time alvinegro em 2011, mas agora está na seleção

São Paulo

Aos 21 anos, Everton Ribeiro não conseguiu convencer Tite de sua qualidade. Aos 31, é uma das armas do treinador no caminho da seleção brasileira rumo à Copa do Mundo de 2022, no Qatar.

O meia do Flamengo está entre os convocados do time nacional para as partidas contra Bolívia e Peru, pelas rodadas inaugurais das Eliminatórias, sexta-feira (9) e terça-feira (13), respectivamente.

Ele já havia sido chamado pelo técnico na lista de março, data inicialmente prevista para o início da competição, mas com a paralisação do futebol pela pandemia o reencontro não se concretizou.

Mantido no grupo, o paulista de Arujá espera enfim ter uma chance de atuar sob comando do gaúcho.

No Corinthians, ele não alcançou o objetivo. No breve período em que conviveu com o técnico no clube alvinegro, esteve no máximo no banco de reservas, sem que seu aproveitamento fosse efetivamente considerado.

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Tite conversa com Everton Ribeiro em treino - Daniel Augusto jr. - 7.jan.11/Ag. Corinthians

Àquela altura, em 2011, ainda jovem, o meia já acumulava alguma experiência. Depois de ser revelado pelo próprio Corinthians e ter participado como lateral esquerdo da campanha do rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2007, ele teve seguidos empréstimos ao São Caetano, clube pelo qual se saiu bem na Série B de 2010.

Foi como destaque da segunda divisão que Everton voltou ao Parque São Jorge para a temporada 2011. Os dirigentes apostavam que ele ganharia espaço, porém Tite, que havia chegado no final de 2010 e apressava a formação da equipe para o que seria um histórico fracasso na fase prévia da Copa Libertadores, não considerou dar oportunidades ao atleta.

Havia dois grandes empecilhos. O treinador mostrava resistência a atletas de baixa estatura e também tinha clara desconfiança em relação aos mais jovens.

Everton Ribeiro em ação no primeiro treino da seleção brasileira para a estreia nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022
Everton Ribeiro em ação no primeiro treino da seleção brasileira para a estreia nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022 - Lucas Figueiredo/CBF

Everton, 1,74 m, observou o chefe fazer vários testes. Bruno César, Cachito Ramírez, Danilo (após um 2010 ruim, bem longe de conquistar a torcida) e Morais se revezaram na função de meia central. Pelos lados, onde o garoto também poderia atuar, além dos titulares Jorge Henrique e Dentinho, Edno foi usado com frequência.

O jovem percebeu que não teria vez e acabou sendo liberado, no final de fevereiro, ao Coritiba. Lá, encontrou o técnico Marcelo Oliveira, que o transformou em maestro do time e o levou para ser bicampeão brasileiro no Cruzeiro.

Everton, aos 18, em ação no rebaixamento do Corinthians - Almeida Rocha - 2.dez.07/Folhapress

Depois de ganhar seu primeiro título nacional vestindo azul, em 2013, o paulista foi aclamado como o melhor jogador de sua posição e também o grande nome do campeonato no tradicional prêmio Bola de Prata, da Revista Placar. Tite lhe entregou o troféu de melhor meia e observou: “Como é bom ver a evolução de um jogador”.

O gaúcho elogiou o trabalho do atleta e fez questão de aclamá-lo como o craque da competição também em sua opinião, não só na do júri. Nem fazia tanto tempo que ele tivera o baixinho à sua disposição, mas a memória, segundo o técnico, era turva.

“Eu nem sabia se ele era do clube”, disse, referindo-se aos direitos econômicos. “Era? Bom, não tive tempo. Se ele jogou, foi pouco. Não foi considerável para eu fazer a avaliação. Se o tempo de análise tivesse sido maior...”, acrescentou, na ocasião.

Everton foi do Cruzeiro ao Al-Ahli e retornou dos Emirados Árabes Unidos ao Brasil para se tornar peça-chave do vitorioso Flamengo de 2019. Neste ano, continua como um dos destaques do time rubro-negro.

Agora, espera enfim ter uma chance —e agarrá-la– sob o comando de Tite.

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