Descrição de chapéu Maradona (1960-2020) racismo

Após crise com Maradona, rúgbi da Argentina vive escândalo de racismo

Publicações antigas de jogadores da seleção mostram frases preconceituosas

Buenos Aires

Três jogadores da seleção argentina de rúgbi, incluindo o capitão Pablo Matera, 27, viram-se envoltos num escândalo nesta segunda-feira (30), após terem seus históricos do Twitter expostos na internet.

Em postagens antigas que vieram à tona agora, eles fizeram comentários racistas, sexistas e xenófobos. A repercussão foi tamanha que Matera, Guido Petti e Santiago Socino apagaram suas contas na rede social.

Em 2012, quando defendia a seleção juvenil, Matera escreveu após disputar um torneio na África do Sul: "Por fim me vou deste país cheio de negros".

Os Pumas, como a seleção é conhecida, já vinham sendo criticados no país porque, em partida contra os All Blacks, da Nova Zelândia, no último sábado (28), não fizeram uma homenagem a Diego Maradona considerada à altura da dos rivais.

Os neozelandeses estenderam uma camiseta com o nome do craque argentino no chão antes de sua famosa coreografia haka. Os argentinos apenas usaram faixas negras nos braços e não reagiram à atitude dos adversários.

Nesta segunda-feira pela manhã, a equipe nacional postou nas redes sociais um vídeo pedindo desculpas e celebrando Maradona. Nele, Matera aparece dizendo: "Diego para nós sempre foi uma pessoa sumamente importante, uma pessoa que sempre nos apoiou e nos acompanhou".

Ele também deu entrevista ao jornal Clarín. “Sem dar muitas voltas, pedimos desculpas. À família do Diego, principalmente. E ao resto das pessoas que se sentiram mal. Nossa homenagem foi jogar a partida mais importante da história desse grupo pela camisa. E nosso legado como equipe é seguir o legado de Diego. Que fique sabendo que queremos continuar seu legado de unir os argentinos."

Horas mais tarde, porém, estourou o escândalo das ofensas discriminatórias.

A UAR (União Argentina de Rúgbi), que cuida do esporte no país, anunciou na noite desta segunda que Matera, Guido Petti e Santiago Socino estão suspensos da seleção até que saia a definição de um processo disciplinar que será instaurado.

Pablo Matera, capitão da seleção argentina de rúgbi
Pablo Matera, capitão da seleção argentina de rúgbi - Charly Triballeau - 9.out.19/AFP

A entidade ainda escreveu em uma postagem no Twitter que, "embora as mensagens tenham sido expressas entre 2011 e 2013 e não representem a integridade das pessoas que os três demonstraram ser durante este tempo em Los Pumas, condenamos qualquer expressão de ódio e a consideramos inaceitável".

Em perfis ainda ativos, em outras redes sociais, o trio falou sobre as acusações. "Estou muito envergonhado. Peço desculpas pelas barbaridades que disse", postou Matera no Instagram. "Hoje preciso assumir o que disse há nove anos. Peço deculpas também para minha equipe e família."

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