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17/06/2005 - 18h03

Jefferson volta a atacar Dirceu e pede afastamento do PTB

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FELIPE RECONDO
da Folha Online, em Brasília

O deputado Roberto Jefferson (RJ) fez novos ataques a José Dirceu, que deixou ontem a Casa Civil, e pediu afastamento temporário da presidência da sigla. Segundo Jefferson, Dirceu foi o "chefe do maior esquema de corrupção" que ele viu nos "últimos anos".

O pedido de afastamento aconteceu mesmo depois que o Diretório Nacional descartou discutir uma eventual mudança na direção do partido. Assume interinamente Flávio Martinez, irmão de José Carlos Martinez (presidente do PTB que morreu em acidente de avião em outubro de 2003), homem próximo a Jefferson.

Com isso, além de ter conseguido convencer os correligionários a não articular sua saída, Jefferson se afasta fortalecido do PTB. Na avaliação do partido, Jefferson se saiu bem nas seis horas de depoimento, na última terça, à Comissão de Ética da Câmara.

Mais uma vez, Jefferson poupou de críticas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O presidente Lula mostrou que é um homem que está acima de qualquer erro. O presidente sai fortalecido", disse ele.

"Ontem à noite ele estava muito inspirado em Getúlio [Vargas]. Chegou a dizer que o presidente passou por diversos problemas, mas conseguiu dar a volta por cima", comentou o deputado federal Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP).

O pedido de afastamento de Jefferson causou surpresa aos integrantes da reunião, inclusive os petebistas mais próximos que estiveram reunidos em sua casa durante a madrugada desta sexta-feira. "Não estávamos esperando por isso. Estamos todos atônitos e surpresos", disse o líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE).

Depois do anúncio, os petebistas começaram a unir peças para entender a manobra.

Primeiramente, a reunião de hoje do diretório era para ser fechada à imprensa. Logo que começaram a discussões, no entanto, os jornalistas foram autorizados a acompanhar o encontro.

Depois, perceberam que a indicação de Martinez por Jefferson contradizia o que deveria ocorrer. De acordo com o regimento do partido, a licença de Jefferson levaria ao cargo o petebista mais velho --Martinez é o mais novo.

Na avaliação de primeira hora, portanto, Jefferson teria tomado todas as atitudes para garantir o controle, ainda que indireto, da direção da legenda. A explicação de Jefferson foi outra. "Era o PTB que estava sendo processo, não o Roberto Jefferson", disse, em referência às investigações no Correios. "Cada processo machuca o PTB e eu não posso repartir os meus erros, minhas culpas e meu calvário com a bandeira que amo", acrescentou, em fala emocionada.

Encontro

O encontro do Diretório Nacional do PTB desta manhã havia sido marcada por Jefferson e o principal assunto da pauta era sua permanência no cargo. No entanto, logo no início da reunião, os petebistas decidiram por aclamação retirar o assunto do encontro.

Na semana passada, a bancada do PTB insistia para que o deputado se afastasse da presidência da legenda por causa das denúncias de corrupção nos Correios envolvendo seu nome. A tendência foi reforçada depois que Jefferson relatou à Folha a existência de um suposto pagamento de mesada aos deputados do PP e do PL em troca de apoio político ao governo federal.

Na semana passada, quando a reunião havia sido convocada, estava certo que Jefferson entregaria uma carta-renúncia por pressão do partido, que queria vê-lo afastado. O deputado convenceu os petebistas de que o seu afastamento significaria uma saída desonrosa do cargo.

O cenário mudou, no entanto, depois que Jefferson prestou depoimento no Conselho de Ética da Câmara, na última terça-feira. Os petebistas avaliaram que o desempenho do deputado reverteu a situação de falta de credibilidade que o partido se encontrava. Além disso, acreditaram que o PTB ficou em situação menos desconfortável.

Dirceu

Jefferson disse que não comemorou a demissão de Dirceu, mas fez questão de dizer que a decisão foi acertada para proteger o governo.

Com o retorno de Dirceu à Câmara, os dois deputados devem travar um duelo em torno das acusações do suposto pagamento de mesada pelo PT para deputados do PP e do PL.

"Será um duelo democrático e respeitoso, como dois parlamentares, mas nós nos enfrentaremos. Não tenho nenhum problema de ser perseguido por José Dirceu. Vou enfrentá-lo", afirmou.

Ontem, depois da demissão de Dirceu, os deputados do PT, como o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), disseram que o retorno do ex-chefe da Casa Civil ao Congresso servirá para que ele tenha mais liberdade para se defender das acusações e, por conseqüência, para defender o próprio governo.

O PTB decidiu ainda votar com o governo e recomendou entregar os cargos nas estatais.

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