Violência sexual é usada como estratégia de terror, afirma Denis Mukwege

Nobel da paz, médico congolês é fundador de hospital que já atendeu mais de cem mil vítimas

São Paulo

Cem mil pacientes, sendo 55 mil sobreviventes de violências sexuais –entre idosos e bebês— foram atendidos no Hospital de Panzi, na República Democrática do Congo, fundado pelo médico congolês Denis Mukwege para recuperar a saúde física e mental das vítimas.

“Os estupros não pouparam senhoras nem bebês. Imaginem alguém capaz de estuprar um bebê de seis meses, é a ruína de toda humanidade”, diz o médico Nobel da Paz 2018, que já atendeu num mesmo caso neta e avó, conforme relata no vídeo abaixo.

“Que barbárie, que banalidade do mal nós assistimos nos conflitos modernos na República Democrática do Congo, na Colômbia, no Sudão do Sul, no Iraque ou em Mianmar. Os estupros e as violências sexuais são cada vez mais usados como estratégia de guerra, de dominação e de terror”, afirma Mukwege.
O médico reflete sobre o que fazer diante de todas essas formas de violência física, psicológica e social: “Não temos escolha a não responder com o amor, o atendimento médico, psicológico, jurídico, econômico, e a reinserção socioeconômica das vítimas”.
Ele ressalta que a autonomização e liderança das mulheres continuam sendo as únicas armas para transformar sua vitimização em vitória, seu sofrimento em força e poder para encontrar o caminho da dignidade ultrajada por tais atrocidades e reforça essa missão em sua profissão e vida.
“O sentido da minha vida é, além de salvar a vida das mulheres através da minha vocação médica, a luta contra o flagelo das violências sexuais para restaurar a dignidade delas. Mas essa luta é menor do que a coragem e a resiliência das mulheres para renascerem de suas cinzas para continuarem o longo caminho de liberdade e justiça. (...) A gravidade da situação ultrapassa de longe a crise humanitária para se confundir com a crise da nossa humanidade”, conclui Mukwege.
Médico congolês Denis Mukwege em encontro em Bogotá, em agosto de 2019
Médico congolês Denis Mukwege em encontro em Bogotá, em agosto de 2019 - Raul Arboleda/AFP

Denis Mukewege participou do fronteiras do Pensamento em 2010. Além do Nobel, foi contemplado com o prêmio Olof Palme, a distinção de Cavaleiro da Legião da Honra e o prêmio das Nações Unidas no Campo dos Direitos Humanos, entre outros.

Em 2020, o Fronteiras do Pensamento muda o formato e será digital pela primeira vez em 14 anos de projeto. As conferências serão proferidas em língua estrangeira e com tradução simultânea. Cada inscrito poderá assistir à transmissão ao vivo e reprisar a conferência apenas mais uma vez. Os ingressos estão à venda no site www.fronteiras.com. Confira abaixo as datas e conferencistas da temporada.

09 de setembro – Andrew Solomon

16 de setembro – Mia Couto

30 de setembro – Jonathan Haidt

07 de outubro – Paul Collier

21 de outubro – Timothy Snyder

04 de novembro – Alain Mabanckou

18 de novembro – Fritjof Capra

09 de dezembro – Isabela Figueiredo

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.