Brasileiros fazem ato pró-Lula e Dilma no Festival de Berlim

Manifestação coincide com primeira sessão de documentário sobre impeachment

Brasileiros fazem pró-Lula e Dilma em Potsdamer Platz, em Berlim
Brasileiros fazem manifestação pró-Lula e Dilma na Potsdamer Platz, em Berlim - Guilherme Genestreti/Folhapress
Guilherme Genestreti
Berlim

Sob o frio de 4ºC na capital alemã, cerca de 20 brasileiros e outros entusiastas se reuniram em uma manifestação pró-Lula e Dilma em Potsdamer Platz, praça que sedia o Festival de Berlim, na tarde desta quarta (21).

O ato foi marcado nas redes sociais e agendado para coincidir com o dia da primeira sessão de "O Processo", documentário da brasiliense Maria Augusta Ramos que fala dos bastidores do impeachment de Dilma Rousseff. Eles empunhavam cartazes de apoio aos ex-presidentes e pedindo a anulação do impeachment.

"Acho que devia fazer um paredão assim", propunha a arquiteta paulista Maristela Alves, 58, enquanto estendia uma manta com estampa da bandeira do Brasil entre duas caixas de som.

Ela é uma das figuras mais ativas no grupo em que o protesto foi organizado numa rede social. Alves também criou o "SOS Lula", que nas suas contas reúne 40 brasileiros espalhados na Europa, "engajados na resistência".

Ao seu lado, o artista plástico paraibano Flauberto de Medeiros, 50 anos, 16 deles na Alemanha, testava o som: "Volta, Dilma, volta, Dilma, volta, Dilma", entre ruídos de microfonia.

"É tudo com dinheiro nosso, não tem dinheiro do PT", disse Flauberto à Folha, apontando para as faixas no chão da Potsdamer Platz: "Pare o golpe no Brasil".

Na trilha sonora, o samba-enredo da escola de samba Paraíso do Tuiuti, que protestou contra Temer na Sapucaí, Geraldo Vandré Chico Buarque: "Apesar de Você".

A diretora afirma não ter envolvimento com o ato. Com sessão marcada para as 18h30 locais, "O Processo" é calcado nas observações da diretora sobre políticos e anônimos envolvidos no calor do impeachment, em 2016. A diretora diz que ouviu todos os lados envolvidos, mas que não fez uma obra imparcial.

Alves assumiu o microfone e fez um discurso, denunciando "a perseguição jurídica e midiática contra Lula" e pedindo apoio da comunidade internacional.

A produtora cultural Rebeca Lang, 51, veio de Paris, onde mora há 30 anos, para participar do protesto. "Daqui de fora nós não vamos nos calar. Nosso papel como brasileiros expatriados é denunciar."

Ela comemorava o fato de ser das poucas que conseguiram ingresso para o filme. Além dela, outras duas brasileiras tinham vindo de Zurique. O diretor Kiko Goifman, que tem o filme "Bixa Travesty", também ajudou a segurar uma das faixas.

Enquanto Rebeca discursava, um casal de turistas brasileiros interrompeu: "Lula ladrão." O coro respondeu: "coxinhaaaaa".

Curiosos, alemães liam as faixas e tiravam fotos quando passavam pela Potsdamer Platz, praça que na Guerra Fria foi cortada pelo Muro de Berlim.

A cantora lírica Sylvia Klein, 50, tomou a iniciativa de pegar o microfone e cantou "Roda Viva", enquanto um bailarino rodava empunhando o cartaz: "Das Volk  möchte Lula" (O povo gosta de Lula, em tradução livre).

No fim do protesto, parte dos manifestantes foram impedidos de entrar para a sessão do filme. A polícia alemã achou que o protesto era contra a obra. O impasse foi resolvido alguns minutos depois. "Deve ter sido algum coxinha do Brasil", queixava-se uma das participantes do ato. 

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