Descrição de chapéu

Christina Aguilera retorna com nova identidade, hits, excessos e erros básicos

Primeiro disco da cantora em seis anos, é marcado por um misto de bons momentos e erros primários

LUISA JUBILUT
São Paulo

Liberation

  • Preço R$ 32,90 (CD) e plataformas digitais
  • Gravadora RCA Records

Christina Aguilera demorou seis anos para se despedir do passado e encontrar uma nova voz.

O hiato representa o maior período de tempo em que passou sem lançar uma coletânea de inéditas.

Se levarmos em consideração que a carreira da cantora americana teve início há quase 20 anos, o intervalo deixa de parecer excessivo. E, com o lançamento de "Liberation", ele se prova necessário.

No novo disco, não há traços das personas que marcaram a trajetória de Christina: a garota angelical de "Genie in a Bottle", a versão provocativa de "Dirrty" ou a musa vintage de "Candyman".

No lugar delas, somos introduzidos a Maria. A nova identidade, que leva o nome do meio da artista, rejeita excessos e não faz questão de esconder suas cicatrizes nas 15 faixas do projeto.

"Onde você está?", a pergunta, acompanhada por risos de crianças, é respondida logo em seguida. "Eu estou bem aqui". É a deixa para o primeiro e maior hit do álbum. "Maria" atualiza a música de mesmo nome lançada por um jovem Michael Jackson no início dos anos 70.

O vozeirão de Christina combinado às batidas produzidas por Kanye West e a samples vocais do rei do pop revelam a intenção de um retorno triunfal e uma forte inspiração vinda do hip-hop.

Enquanto "Fall in Line" mantém a energia em alta, com uma letra que fala sobre poder feminino e uma melodia impulsionada pelos vocais intensos de Demi Lovato, as faixas seguintes quebram o ritmo do álbum e colocam sua coesão em risco.

Christina Aguilera performs "Fall In Line" no show de durante o Billboard Music Awards
Christina Aguilera canta ''Fall In Line' em maio, no Billboard Music Awards, em Las Vegas - Chris Pizzello/Invision/Associated Press

Em um momento confuso do disco, o excesso de inspirações cultivadas durante o hiato fica claro, assim como uma edição pouco rigorosa.

"Sick of Sittin'" evoca uivos de um lado roqueiro até então desconhecido de Christina. "Right Moves", cantada ao lado da dupla jamaicana Shenseea & Keida, tenta mesclar o pop ao reggae de maneira pouco memorável.

As incoerências não tiram o mérito dos pontos altos do álbum, como a suave dobradinha composta por "Like I Do", em que Christina domina o R&B com apoio do rapper GoldLink e do produtor Anderson .Paak, e "Deserve", em que o vocal impecável da cantora vai ao encontro da envolvência do inglês MNEK.

O último respiro do disco é dado em "Accelerate", single lançado no início de maio.

Em um mundo ideal, a parceria com Ty Dolla Sign e 2 Chainz seria perfeita para terminar o disco ainda em alta, mas, na realidade, a oportunidade é deixada de lado.

O disco se estende por mais três faixas repetitivas, tanto em produção como em tema, excedendo a duração e dando um tom cansativo ao resultado final.

Não restam dúvidas de que "Liberation" se posiciona como o melhor lançamento de Christina Aguilera em 12 anos, desde o aclamado "Back to Basics".

Mas, em seu retorno, uma das princesas do pop comete erros básicos que não condizem com a bagagem da artista. A essa altura do campeonato, Christina Aguilera já deveria saber neutralizá-los de longe.

Ouça o novo álbum de Christina Aguilera

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