Descrição de chapéu Flip

'Me Chame pelo seu Nome' virou Manifesto Comunista: todo mundo lê, diz escritor

André Aciman está na Flip para divulgar seu novo romance 'Variações Enigma'

Guilherme Genestreti
Paraty

O escritor André Aciman veio à Flip lançar seu novo romance, “Variações Enigma”, mas seu debate na festa literária foi monopolizado por seu título mais famoso, “Me Chame pelo Seu Nome”. Embora lançado em 2007, o livro ganhou fôlego após o lançamento do filme de mesmo nome no ano passado.
 
“De repente, é como se ‘Me Chame pelo Seu Nome’ tivesse virado ‘O Manifesto Comunista’: todo mundo estava lendo”, disse Aciman, egípcio radicado nos Estados Unidos.
 
Ele debateu com a também escritora franco-marroquina Leila Slimani (autora de “Canção de Ninar”) sobre a natureza do desejo na tarde desta sexta (27) na festa literária de Paraty.
 
“Me Chame...” narra o florescimento sexual de um adolescente europeu que se apaixona por um estudante americano alguns anos mais velho.

O romancista foi indagado sobre um dos trechos mais conhecidos do livro, que também aparece no filme. Nele, o pai do protagonista tem uma conversa compassiva com o filho sobre a relação que o jovem teve com o americano.
 
“Desde que o livro foi publicado recebo cartas de leitores dizendo que queriam ter tido um pai assim”, disse Aciman. “Outros tiveram coragem de dizer aos pais que são gays e os levaram para ver o filme.”
 
O desejo também esteve presente na fala de Slimani, que falou sobre seu romance “Canção de Ninar”, sobre uma babá que mata os filhos dos patrões.
 
“Meus livros giram em torno da vida doméstica, esse local ambíguo. Sempre tive a sensação de que viver em família me protegia, mas também me impedia de ser quem sou”, disse a autora de 36 anos. “Não se pode crer que a casa seja um ambiente tranquilo. O espaço doméstico é um espaço político.”
 
Já a literatura, disse, seria o espaço onde não é julgada, “o que na vida cotidiana é um pouco difícil.”


 

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