Arquitetos lançam canal no YouTube em repúdio à candidatura de Bolsonaro

Grupo conta com Paulo Mendes da Rocha , Guilherme Wisnik, Marcio Kogan e Ermínia Maricato

Eduardo Moura
São Paulo

Um grupo de arquitetos lançou o canal de Youtube “Arquitetxs pela Democracia”, além de um perfil no Instagram.

Em vídeos curtos, profissionais se posicionam contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

 
O arquiteto Paulo Mendes da Rocha em seu escritório em São Paulo - Eduardo Knapp/Folhapress

"Estamos diante de uma questão que envolve todos os brasileiros", diz o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, responsável, entre outros projetos, pela reforma da Pinacoteca e pelo Sesc 24 de Maio.

Segundo ele, a opinião sobre a questão arquitetônica nunca deve ser individual, "envolve a ideia de todos". 

Ele diz que é preciso pensar para além do segundo turno. "A graça de uma eleição é depois dela."

Guilherme Wisnik, professor da FAU-USP, diz que a campanha de Bolsonaro “é estruturada em cima do medo e do ódio, para gerar a fuga”. Segundo ele, isso leva a um pensamento individualista, de “tentar se livrar do outro”, diz.

Marcelo Rosembaum faz apelo a comunidades tradicionais e à preservação do meio ambiente.

Ermínia Maricato, figura importante na criação do Ministério das Cidades, do qual foi secretária-executiva, e ex-secretária de Habitação e Desenvolvimento Urbano durante a gestão de Luiza Erundina, diz em um vídeo que há uma contradição no cenário atual: “quem defende a pátria está pensando em vender e privatizá-la”.

Os vídeos também contam com nomes como Angelo Bucci, Guto Requena, Marcio Kogan, Stephanie Ribeiro e Paulo Mendes da Rocha.

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU) não tem ligação com o movimento, pois não pode se envolver em debates de cunho partidário. Somente pode se manifestar sob o ponto de vista técnico sobre políticas urbanas e de habitação.

Em carta aberta aos presidenciáveis, lançada em agosto, o CAU/BR, junto com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), pediram comprometimento dos candidatos e apresentaram 53 propostas para questões urbanas.

Apesar de não se posicionar a favor de nenhum dos candidatos, critica as privatizações e fala de grupos sociais excluídos.

A reforma urbana, diz a carta, “deve se contrapor ao urbanismo que privatiza e fecha as nossas cidades”.​

Entre as propostas, sugere-se um plano de ação de acolhimento de refugiados e imigrantes, a retomada de programas de urbanização de favelas, democratização do acesso ao crédito imobiliário e implantação de projetos que tenham com ênfase no “protagonismo comunitário”.

O documento também sugere "preservar territórios tradicionais, fortalecendo políticas públicas voltadas para a recuperação da cultura de povos historicamente marginalizados nas políticas de preservação e valorização cultural".

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