Demitidos da Fnac fazem protesto na Livraria Cultura por dívidas trabalhistas

De acordo com sindicato, a empresa não pagou as verbas indenizatórias e não fez depósitos do fundo de garantia

Eduardo Moura
São Paulo

Cerca de trinta ex-funcionários da Fnac protestaram dentro da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, nesta terça (16), a partir das 13h.

Sem fazer muito barulho e sem atrapalhar o funcionamento da loja, entraram empunhando cartazes que pediam o pagamento das verbas rescisórias. Alguns poucos tentaram engatar palavras de ordem, sem muito sucesso.

A Cultura comprou a operação brasileira da Fnac, originária da França, em junho de 2017. Na época, havia 12 lojas em sete estados do país. 

Desde então, as unidades foram encerrando as atividades. A loja da Fnac da avenida Paulista, última de São Paulo, fechou no início de setembro.

A última Fnac brasileira foi fechada na segunda (15), em Goiânia, e dará lugar a uma unidade da Livraria Cultura no mesmo espaço —a ser reconfigurado—, diz a empresa.

De acordo com os manifestantes e com o Sindicato dos Comerciários de São Paulo, a empresa não pagou as verbas indenizatórias e não fez depósitos do fundo de garantia.

Segundo o sindicato, a Cultura apresentou uma tentativa de negociação. Propôs-se a parcelar o valor em 12 vezes, mas sem pagar multa por atraso.

Ricardo Patah, presidente do sindicato, diz que, após o recebimento da proposta, tentou convocar uma assembleia com os trabalhadores, para que eles chegassem a uma decisão. No entanto, ainda segundo Patah, os ex-funcionários da Fnac “não entraram mais em contato”.

A reportagem conversou com quatro ex-funcionários. Todos disseram desconhecer o acordo referido.
Procurada, a empresa afirma que “está tomando ciência dos fatos e, por enquanto, não vai se manifestar”.

O funcionário da Livraria Cultura que recebeu os manifestantes disse ao grupo que uma “pessoa da sede” estava no prédio para uma conversa, mas que só aceitaria falar se todos entrassem numa sala sem portar celulares.

O grupo não aceitou de início, mas acabou cedendo. Eles foram direcionados a uma sala no subsolo. Para entrar, tiveram que entregar seus celulares a um segurança.

Segundo Vinicius Alves, 23, ex-funcionário que esteve na reunião, a representante da empresa disse que “tudo vai ser tratado individualmente”. Segundo ele, a conversa não resultou em um comprometimento da Cultura em relação a prazos para os pagamentos. “Só disse que a empresa não vai pagar nesta semana nem semana que vem”, diz o ex-funcionário da Fnac.

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