Descrição de chapéu Televisão

Corrida pelo mercado de vídeo sob demanda multiplica serviços no Brasil

Concorrência inclui grupos vindos da TV aberta e da TV paga, tanto no país como no exterior

Cena do filme 'Roma', que estreia na semana que vem na Netflix - Carlos Somonte/Netflix via AP
Nelson de Sá
São Paulo

Nesta semana a Netflix estreou a terceira temporada da série "Rick and Morty" e na próxima estreia o filme "Roma". Também nesta semana a Amazon lançou a segunda temporada da premiada "Maravilhosa Sra. Maisel".

Por outro lado, no final de novembro, com ampla campanha, a Globoplay já havia estreado sua "série exclusiva", nacional, "Ilha de Ferro". E agora anunciou ter comprado as premiadas "The Handmaid's Tale" e "The Big Bang Theory" para exibir nos próximos meses.

 
Rachel Brosnahan em cena da premiada 'Maravilhosa Sra. Maisel', lançada pela Amazon - Nicole Rivelli/Amazon via AP

Os três serviços chamam mais a atenção, mas a corrida para o streaming, para o vídeo sob demanda por assinatura (SVOD, na sigla em inglês), é um atropelo de grupos, muitos deles vindo da TV aberta e da TV paga, tanto no país como no exterior.

O resultado para o espectador brasileiro é uma oferta imensa que vai da pioneira Netflix, que chegou há sete anos, até os recém-liberados Telecine e Premiere, que já podem ser assinados de forma avulsa, sem passar pelas operadoras de TV paga.

Ainda que se limitasse aos dez principais serviços oferecidos no Brasil, listados abaixo, o assinante teria hoje um gasto mensal de R$ 335. Nos EUA, segundo a consultoria Ampere Analytics, a média de serviços assinados por residência com SVOD chegou a três.

No Brasil, o chamado "empilhamento" (stacking) está em 1,3 serviço por residência, mas a Netflix ocupa o mercado com um mínimo de concorrência —que só foi começar, mesmo assim aos poucos, depois da chegada da Amazon há dois anos.

A Ampere avalia que o setor ainda tem muito o que crescer por aqui, diferentemente de países nórdicos, por exemplo, onde os gastos acumulados com streaming já se aproximam ou até ultrapassam os gastos com a assinatura de TV paga —e o crescimento parou por saturação.

A expectativa de Guy Bisson, diretor da consultoria britânica, é que se repita agora no Brasil o que foi observado na Alemanha e na Itália, onde um concorrente local, vindo da TV aberta, conseguiu se estabelecer e enfrentar as gigantes Netflix e Amazon.

A Globoplay quer mais do que isso. "Eu acredito muito nos combos", afirmou nesta semana seu presidente-executivo, João Mesquita, ao anunciar que Telecine e Premiere, também ligados ao Grupo Globo, podem agora ser adquiridos diretamente via internet.

Os três serviços têm assinaturas separadas, mas também em pacotes que barateiam o custo (veja tabela abaixo). E aí o grupo acredita poder enfrentar as gigantes americanas com a amplitude maior do conteúdo que consegue oferecer.

"O grupo tem produtos que podem concorrer com outros players de forma mais completa", diz Bianca Serra, diretora de conteúdo da Globoplay. "Você pode escolher se quer um produto só ou se quer vários. Consegue montar aquilo ao seu gosto."

A Globoplay, além do catálogo da Globo, passou nos últimos meses a contar com séries exclusivas nacionais e internacionais. O Telecine traz produções para cinema de estúdios como Disney, Fox e Universal. O Premiere, transmissões ao vivo do Campeonato Brasileiro.

"O nosso posicionamento é único, nessa capacidade de ter literalmente tudo junto: filmes em primeira janela, futebol, o Big Brother Brasil, 500 mil coisas", disse Mesquita, acrescentando que ainda estão para chegar o acervo da Globosat e os documentários do Philos.

Após uma hora evitando comparações com a líder, ele deixou escapar: "A Netflix não consegue. Não tem os campeonatos brasileiros, a maioria esmagadora dos blockbusters internacionais e todos os nacionais, mais as séries, as novelas. Não tem preço do mundo que pague. E nós temos tudo".

A Netflix, que fez do Brasil um campo de testes, como primeiro mercado fora de EUA e Canadá, não esconde mais o incômodo com a Globo. Em visita a Cingapura, no início de novembro, seu presidente-executivo, Reed Hastings, falou do início difícil no país.

"Nós fomos contidos no Brasil porque a Globo não nos licenciava conteúdo", afirmou ele. "[A série da Netflix] 'House of Cards' não significava nada para os brasileiros. Aqui [na Ásia] não tem uma empresa que monopoliza."

De sua parte, ainda que medindo as palavras, Mesquita fala agora da líder como "monopólio".

Na verdade, hoje, nem uma nem outra. Na TV aberta, a Globo vem perdendo horários e praças para SBT e Record. E no streaming a Netflix vê se aproximarem as garras não só da Globo e da Amazon, esta com a assinatura mais barata, mas outros grandes grupos.

A Record estreou em streaming há quatro meses, com o PlayPlus. Antonio Guerreiro, superintendente de estratégia multiplataforma do grupo, diz que o objetivo é ser "uma única porta de entrada, com preço acessível, para múltiplos cenários".

O modelo é inspirado em parte no streaming americano Hulu, que tem como sócios e oferece produções de Disney, Fox e outros. No caso brasileiro, além do catálogo e da transmissão dos sinais da Record, o serviço fornece os canais de Disney, ESPN e outros, como "mais uma plataforma de distribuição".

Por outro lado, a Disney prepara SVOD próprio, a ser lançado no final do ano que vem nos EUA e depois pelo mundo. O Disney+ terá atrações como uma série derivada de "Guerra nas Estrelas" e outra de "Thor", respectivamente da LucasFilm e da Marvel, estúdios que comprou.

Considerada a maior corporação de mídia e entretenimento no mundo, a chegada da Disney ao streaming já produz efeitos sobre a Neflix, que vai perder todo o conteúdo licenciado por ela, e pode ter impacto também sobre outras operações, como o próprio Telecine.

O que já repercute no Brasil é o projeto de streaming de outro gigante americano, também previsto para o final de 2019, a WarnerMedia. Entre seus ativos brasileiros estão a HBO e o Esporte Interativo, que já partiram para o SVOD neste ano.


Atrações e preços dos serviços de streaming

Netflix

A partir de R$ 19,90 por mês

Séries como 'Stranger Things' e filmes como 'Roma'

netflix.com

Amazon Prime Video

R$ 14,90

Séries como 'Maravilhosa Sra. Maisel'

primevideo.com

HBO Go

R$ 34,90

Séries como 'Game of Thrones'

hbogo.com.br

MUBI

US$ 8,99 (cerca de R$ 35)

Filmes clássicos e independentes de diversos países

mubi.com

Fox Play

R$ 34,90

Séries como 'The Walking Dead' e transmissões do Fox Sports

foxplay.com

Esporte Interativo Plus

R$ 19,90 (com assinatura anual: R$ 13,90 por mês)

Campeonatos como a Liga dos Campeões

eiplus.com.br

PlayPlus

a partir de R$ 12,90

Transmissão e catálogos de Record e Disney/ESPN

playplus.tv

Globoplay

R$ 24,90

Séries como 'Ilha de Ferro' e 'The Handmaid's Tale'

globoplay.globo.com

Telecine Play

Cena do filme 'A Forma da Água'
Cena do filme 'A Forma da Água' - Divulgação

R$ 37,90

Filmes como 'A Forma da Água' e 'Pantera Negra'

telecineplay.com.br

Premiere

R$ 79,90

Campeonato Brasileiro e estaduais

globosatplay.globo.com/premierefc/

Globoplay + Telecine Play

R$ 49,90

Globoplay + Premiere

R$ 99,90

Telecine Play + Premiere

R$ 109,90

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