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Charles Cosac pede demissão da Biblioteca Mário de Andrade

Decisão foi tomada após saída de André Sturm da Secretaria Municipal de Cultura; 'É com amargura que ora me despeço', disse editor

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Charles Cosac em seu gabinete na Biblioteca Mário de Andrade
Charles Cosac em seu gabinete na Biblioteca Mário de Andrade - Marcus Leoni/Folhapress
São Paulo

O editor Charles Cosac pediu demissão do posto de diretor da Biblioteca Mário de Andrade, função que ocupava desde janeiro de 2017, nesta terça-feira (15). A decisão foi informada em uma mensagem aos funcionários.

O pedido vem depois da notícia de que André Sturm, que o havia convidado para a direção da Mário, foi demitido do cargo de secretário municipal de Cultura pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) —o posto agora será ocupado pelo produtor cultural Alê Youssef.

"Infelizmente, ante os fatos recentemente divulgados, mais particularmente o que tange à saída do querido secretário Sturm da SMC, não me é humanamente possível continuar a ocupar o cargo ", diz Cosac na mensagem. "Portanto, peço que vejam não se tratar de uma iniciativa minha, e sim, como Francis Bacon diria, da 'brutalidade do fato'."

O ex-editor assumiu a direção cerca de um ano depois do fechamento da Cosac  Naify. Sob sua gestão, a Mário de Andrade deixou de funcionar 24 horas, projeto que era uma das vitrines da gestão anterior. Em vez disso, a instituição passou a abrir de 8h às 22h em dias úteis e até as 20h nos demais.

À época, Cosac defendia que a medida representava uma economia de R$ 805 mil em um orçamento previsto de R$ 10 milhões.

Quando foi convidado, o editor decidiu trabalhar gratuitamente —e colocou dinheiro do próprio bolso a criação de uma sala infantil, com uma doação de R$ 350 mil.

"Nunca me impressionei, mas lhes confesso que me apaixonei, não de súbito, paulatinamente, paulistanamente. E é com amargura que ora me despeço", diz o agora ex-diretor.

 

Leia abaixo a mensagem de despedida que Cosac enviou aos funcionários:

Queridos Amigos,

Para não falarem, mais uma vez, que tudo que se sabe de mim, ou nada, decisões, fechamentos e lançamentos, e a vida, é oriundo da imprensa, faço a participação que se segue.

Infelizmente, ante os fatos recentemente divulgados, mais particularmente o que tange à saída do querido secretário Sturm da SMC, não me é humanamente possível continuar a ocupar o cargo de diretor da Biblioteca Mário de Andrade. Portanto, peço que vejam não se tratar de uma iniciativa minha, e sim, como Francis Bacon diria, da “brutalidade do fato”.

Cargo muito mal remunerado, porém disputado, pela pompa que ele confere. Nunca me impressionei, mas lhes confesso que me apaixonei, não de súbito, paulatinamente, paulistanamente. E é com amargura que ora me despeço.

Certamente, além desta participação, orientações, sugestões e pedidos serão encaminhados às cinco Supervisões. Entrementes, tenho fé que, neste ínterim, todos os senhores, sabidamente competentes, darão continuidade às suas atividades diárias até a entrada do novo diretor.

Comprometo-me também a fechar as duas revistas da Biblioteca Mário de Andrade, ora no prelo.

Como já dito dia 8, em minhas palavras de boas-vindas, ratifico aqui minha eterna gratidão a todos os senhores, principalmente ao secretário André Sturm, por ter conferido a mim tamanha confiança.

Afinal, o Pai não quis!

Com sinceridade,

Charles Cosac

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