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Cinema

Roteiro faz cair o nível da brincadeira de 'Uma Aventura Lego 2'

Bonecos continuam bonitinhos, mas trama insiste em números musicais chatos e transforma Batman em um personagem banal

Thales de Menezes

UMA AVENTURA LEGO 2

  • Quando Estreia nesta quinta (7)
  • Produção EUA, 2019
  • Direção Mike Mitchell

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Em 2014, deu tudo certo em "Uma Aventura Lego". A ideia de uma animação usando bonequinhos Lego gerou um filme superfofo, divertido e inteligente. Além de um herói tímido, covardão e simpático, o boa-praça Emmet, a trama soube utilizar bem Batman, personagem originalmente sombrio, mas sempre disponível a versões brincalhonas.

Em 2019, nem tudo agrada em "Uma Aventura Lego 2". Os bonecos continuam bonitinhos, e os cenários são de novo incríveis, aproveitando bem as possibilidades visuais de um enredo que joga os pequenos heróis em outro planeta.

O que pega nesta continuação é o roteiro. Cinco anos depois, Emmet e a destemida Lucy não desatam o nó de seu namoro. Para complicar a vidinha deles, seres alienígenas visitam constantemente a Terra com missão de destruição. Enquanto em outros filmes de sci-fi o objetivo dos vilões é a aniquilação, num mundo Lego a tragédia é a desmontagem total.

Depois da Terra arrasada, a população leva algum tempo para reconstruir tudo com seus blocos de plástico. Mas basta o cotidiano entrar nos eixos para que os aliens voltem e arrasem tudo de novo.

Essa rotina segue até o dia em que os invasores capturam Lucy e Batman. Deixado para trás, Emmet precisa atravessar o espaço para resgatá-los. E faz isso com ajuda de Rex Perigoso, aventureiro sideral com nítida inspiração no Han Solo de "Star Wars".

Uma vez no planeta inimigo, Emmet encontra seus amigos aprisionados, à espera do casamento da maldosa rainha local com um Batman que, vítima de uma espécie de lavagem cerebral, está prestes a perder o status de solteirão.

O roteiro poderia ser essa maluquice toda e ainda ser divertido, mas tudo se perde com a insistência em números musicais chatinhos e a batida incessante na tecla de que Emmett precisa amadurecer e criar coragem para ser um herói de verdade.

Os fãs de Batman vão amargar uma decepção maior. O primeiro filme tinha piadas geniais com o personagem, como a fala "eu só uso roupa preta, no mínimo cinza escuro" e um perfil egocêntrico do herói.

Agora, nem chega perto. Sem explorar as características de um tipo tão icônico, seria possível até nem utilizar o Batman na trama. Poderia ser qualquer amigo de Emmett o personagem destinado a se casar com a rainha malévola.

Pais destinados a levar os filhos pequenos ao cinema vão encarar uma dublagem brasileira sem o menor charme. Melhor sorte seria assistir ao filme com som original. Chris Pratt, das sagas "Jurassic World", "Guardiões da Galáxia" e "Vingadores", empresta voz ao tímido Emmet e ao falastrão Rex, com resultados muito engraçados.

"Uma Aventura Lego 2" deixa cair demais o nível da brincadeira. Se insistir dessa maneira numa terceira investida nas telas, a franquia vai passar de bom cinema de entretenimento para um simples comercial de duas horas de seus brinquedinhos de montar.

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