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Porta dos Fundos vai ganhar filial no México depois de acordos no exterior

Fábio Porchat, um dos fundadores do canal, afirma que uma seleção de atores já está em curso

O ator Fábio Porchat, um dos fundadores do canal Porta dos Fundos  Rafael Roncato/Folhapress

Gustavo Fioratti
São Paulo

Canal de humor criado no YouTube e que tem hoje 15,5 milhões de inscritos e vídeos que chegaram neste início de ano a 4,6 bilhões de visualizações, o Porta dos Fundos está prestes a ganhar uma filial no México.

Segundo Fábio Porchat, um dos fundadores do canal junto com Gregorio Duvivier, o grupo está aplicando workshops naquele país para fazer a seleção de um novo elenco e de roteiristas. A ideia é levar os textos escritos pelo próprio grupo, que atua desde 2012, para que sejam regravados lá, traduzidos com tempero local.

"O Gregorio está lá agora [no início de março] fazendo workshop com atores mexicanos, que a gente escolheu", disse o humorista. A contratação de roteiristas foi pensada porque, na comédia, "não adianta ter um texto 100 % traduzido", diz. "Temos que botar embocadura mexicana, colocar piadas locais."

A produção estrangeira ainda não tem data de estreia.

Em processo de internacionalização, o Porta dos Fundos, no ano passado, assumiu parceria com o grupo americano Viacom —dono de canais como Comedy Central e MTV.

Neste ano, estrearam seu já tradicional "Especial de Natal" na Netflix, com uma versão bastante ousada da história de Jesus, colocando-o como um tipo marginal de seu tempo, algo que seria próximo a um traficante de favelas, porém revolucionário e com poderes sobrenaturais.

Porchat lembra que o Porta dos Fundos sofreu resistência quando tentou emplacar seu conteúdo na TV aberta. "A gente foi para a internet porque disseram que era um humor de nicho, que não ia funcionar na TV aberta. Se estavam certos ou não", ele pausa, sem citar qual emissora foi procurada pelo grupo.

O humorista conta que a Netflix os procurou mais recentemente. "Aí propus: por que a gente não faz o 'Especial de Natal'?", conta, sobre uma reunião que teve com a gigante de streaming, no ano passado, em Los Angeles.

"Eles já sabiam como a gente funcionava, já sabiam o que era o Porta dos Fundos, o que era o 'Especial de Natal'. Eles gostaram da ideia, e fizemos mais ou menos como se faz em qualquer emissora. Apresentamos o resumo, cena por cena, eles aprovaram."

Porchat vê na expansão das plataformas de audiovisual uma grande aliada dos humoristas nos últimos anos.

"Existem coisas que não são para a TV aberta. Cada projeto tem uma cara diferente. 'Meu Passado me Condena'? Vamos fazer uma série na Globo? Genial, vamos fazer", diz, sobre a comédia romântica da Globo Filmes. "Vamos fazer uma série sobre um pinto que fala na faixa do meio-dia? Não, não vamos fazer", prossegue.

"Toda emissora tem uma questão. A TV aberta tem uma questão, a TV fechada já é um pouco mais liberal; o streaming é mais liberal ainda."

Segundo o humorista, "há 30 anos, se você não estava na Globo, você estava arruinado, não tinha mais nada para fazer". O cenário mudou quando a TV paga começou a "crescer muito", afirma, mencionando a Lei da TV Paga, que determinou que os canais do país exibissem uma cota de produções nacionais.

A expansão do audiovisual ocorreu no momento em que também surgia em capitais brasileiras um cenário de stand-up. "O movimento da internet deu liberdade para a gente falar o que a gente quer falar, e o stand-up é isso, o cara que dá a opinião dele, que fala sobre o que quer. A comédia se transformou", diz.

No ano passado, Porchat saiu do time da TV Record, onde apresentava um talk show. Diz que a decisão não foi tomada por causa da guinada da emissora a favor de Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência e que já vinha sendo criticado por ele no programa Papo de Segunda, que apresenta na GNT. Porchat diz que simplesmente não via mais potencial criativo para o trabalho na Record.

Nesta semana, o humorista apresentou a cerimônia do Prêmio do Humor, que contempla sua classe. No fim do ano, lança ainda um filme chamado "O Palestrante", com Dani Calabresa. E, com o Porta dos Fundos, grava a série "Guiana", em que faz o presidente americano, um "careca bigodudo". "Tentei fugir do Trump", brinca, explicando que o papel não tem a ver com o atual líder do país.

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