Descrição de chapéu Crítica Televisão

Show de comédia e longa dramático mostram as diferentes faces de Ray Romano

Comediante trabalha em 'Paddleton' e em 'Right Here, Around the Corner', ambos na Netflix

Teté Ribeiro

Right Here, Around the Corner

  • Onde Na Netflix
  • Elenco Ray Romano
  • Produção Estados Unidos, 2019
  • Direção Michael Showalter

Paddleton

  • Onde Na Netflix
  • Elenco Christine Woods, Mark Duplass, Ray Romano
  • Produção Estados Unidos, 2019
  • Direção Alex Lehmann

Ray Romano, o ator e comediante cuja voz alguém já definiu como uma buzina de carro e que é mais conhecido pela série "Everybody Loves Raymond" (1996-2005), sempre fez o tipo deprimidão, o palhaço que chora, sabe como é? 

E, desde o fim do seriado que o projetou, ele vem trabalhando quase exclusivamente como ator, muitas vezes em papéis dramáticos com uma pincelada de humor.

Foi assim nas duas melhores séries que fez desde então, "Men of a Certain Age" (2009-2011) e "Vinyl" (2016). E nos filmes da sequência "A Era do Gelo", em que emprestava a voz para o mamute Manny.

Agora ele quer mostrar sua versatilidade como artista de uma vez só. Quase simultaneamente, dois produtos com ele foram lançados pela Netflix no último mês, e não poderiam ser mais diversos.

Ray Romano no Film Independent Spirit Awards deste ano
Ray Romano no Film Independent Spirit Awards deste ano - Danny Moloshok/Reuters

O primeiro é um especial de stand-up gravado em Nova York, chamado "Right Here, Around the Corner" (aqui mesmo, na esquina), em que faz duas pequenas apresentações em dois clubes de comédia tradicionais da cidade, o Comedy Cellar e o Village Underground, que ficam mesmo a uma esquina de distância um do outro. 

Há 23 anos que ele não gravava esse tipo de show, e ele inova um pouco no formato. Em cada bar apresenta só metade do material preparado, assim suas atuações são complementares e não fica repetitivo para quem assiste na TV.

A câmera o acompanha andando pelas ruas e, no final, mostra o comediante e sua família comendo uma pizza num bar ali perto. 

Seu estilo algo depressivo está presente tanto nas piadas, quase todas envolvendo sua família, quanto na maneira de se apresentar, parecendo envergonhado e olhando muito para baixo. Mas ele prende a plateia com carisma, um pouco também por ser uma celebridade que aparece de surpresa.

Romano deve saber que só a comédia não o levaria muito longe. Engraçado ele até é, mas nada que se compare a Jerry Seinfeld, Chris Rock ou Dave Chappelle.

Mas ele não abandona totalmente seu senso de humor no novo longa-metragem, "Paddleton". No drama, Romano vive Andy, um homem tristonho e solitário que tem de aprender a lidar com o diagnóstico de câncer terminal de seu único amigo, o vizinho Michael (Mark Duplass). 

Os dois passam todas as noites juntos, fazendo pizzas e assistindo a filmes de kung fu. Nos fins de semana, jogam o tal paddleton, inventado por eles, em que batem em uma bola de tênis contra uma antiga tela de cinema de drive-in e tentam acertá-la numa lata de lixo atrás deles.

Michael traz para essa rotina banal uma bomba: diagnosticado com câncer incurável, decide abreviar a doença legalmente —um suicídio, no fim das contas— antes que fique muito fraco. Não quer hospitais, tubos, remédios. E precisa que o amigo o ajude.

Andy aceita, mas pede que a rotina deles de filmes, pizzas e jogos não seja alterada. A notícia muda tudo, e acaba por reforçar e complicar a relação dos dois, que passam quase a se comportar como um casal de velhinhos, juntos a vida inteira.

O roteiro deixa espaço para o humor no meio dessa trama triste. Humor, aliás, que combina com o estilo de Ray Romano, aquele que até faz sorrir mais do esforço de quem fez a piada do que da piada em si. 

Mas é a química entre os dois protagonistas o grande atrativo. Os atores estão tão à vontade em seus papéis que nenhuma reviravolta na história fica forçada. É uma homenagem às grandes amizades.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.